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quinta-feira, março 26, 2026

Infraestrutura é vital para cooperação

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As ferrovias e portos do Brasil devem entrar em um período de transformações nos próximos anos, com a perspectiva de investimentos no setor. Ao mesmo tempo em que empresas chinesas enxergam grandes oportunidades no país, o governo brasileiro afirma tratar a questão como prioritária e estar trabalhando para aumentar a segurança jurídica e destravar investimentos privados no setor. Esse é o cenário que foi traçado no painel “Logística e Infraestrutura: Linhas que Conectam Portos, Trilhos e o Investimento Chinês no Brasil”, do “Summit Valor Brazil-China 2026”, nesta quarta-feira (25), em Xangai.

Leonardo Ribeiro, secretário de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, salientou a importância do setor para a cooperação econômica entre os dois países e disse que o governo quer expandir a participação das ferrovias de 20% para 35% na matriz de transportes do país. “A infraestrutura ferroviária pode transformar as relações comerciais do Brasil com a China, trazendo eficiência e competitividade para a logística das commodities”, afirmou.

Ribeiro informou que o governo federal pretende lançar três editais no primeiro semestre: “Os projetos de ferrovias estão maduros, com estudos técnicos robustos já concluídos.” Ele afirmou que, com o Marco Legal das Ferrovias, hoje há leis, normas e padronizações de contratos que garantem a segurança jurídica dos investimentos no setor. De todo modo, acrescentou que há conversas sendo realizadas com o Tribunal de Contas da União para garantir o êxito dos certames. “Neste momento, estamos discutindo com o TCU os mecanismos que serão utilizados pelo governo para apoiar o setor privado. Essa validação é essencial para a segurança jurídica dos leilões”, relatou.

Ribeiro acenou com a possibilidade de mais garantias do governo. “Nós também temos estratégias para conferir garantias para que esses projetos aconteçam dentro de uma matriz de risco em que o governo vai compartilhar com o setor privado eventuais situações extremas.”

Os representantes chineses que participaram do painel confirmaram o interesse em ampliar os investimentos no Brasil, mas Li Sisheng, vice-presidente executivo da Power China International, destacou que o cenário tributário poderia ser aperfeiçoado. “A maior barreira no Brasil é o ambiente jurídico de impostos, que são muito diversificados”, disse. Na avaliação do executivo, essa é uma das explicações para o fracasso de alguns investimentos de empresas estrangeiras no país. Li Sisheng lembrou, porém, que a empresa tem projetos de investimento de US$ 4 bilhões no Brasil, nas áreas de rodovias, ferrovias e energia. Atualmente, a empresa participa de consórcios responsáveis por obras da expansão do metrô de São Paulo e da construção de uma usina fotovoltaica no Ceará. “Nossa empresa quer levar para o Brasil novos modelos, novas tecnologias e novas formas de execução não só para investimentos nessas áreas, mas também em outras áreas da infraestrutura”, afirmou.

Ding Songbing, gerente-geral e chefe do departamento de estratégia e pesquisa do Shanghai International Port, observou que há muito espaço para o desenvolvimento e a modernização dos portos brasileiros. “As embarcações estão aumentando de tamanho, e os portos precisam se adaptar”, argumentou. Em sua opinião, outros dois campos onde há oportunidade são a adaptação climática e a automação e digitalização dos processos. “Com automação e digitalização, aumentamos a eficiência do porto de Xangai em 30%, e esse conhecimento pode ser aplicado no Brasil.”

Zhang Jianyu, secretário-geral-adjunto e diretor-chefe de desenvolvimento da Aliança Internacional para o Desenvolvimento Verde da iniciativa “Cinturão e Rota”, explicou que a China e as bolsas chinesas vêm endurecendo as exigências ambientais sobre suas empresas, e as regras valem para a atuação delas no exterior. “Se uma empresa chinesa não tiver bons resultados [em sustentabilidade] no mercado brasileiro, por exemplo, ela vai ter dificuldades de captação de capital aqui dentro da China”, disse. Isso garante, segundo ele, que as empresas chinesas no Brasil atuem não apenas de acordo com os padrões ambientais demandados pelo Brasil, mas também seguindo regras internacionais exigidas em outros mercados. “[A preocupação] com o verde não é mais um obstáculo, mas, sim, um combustível para a aceleração dos investimentos.”

[Fonte Original]

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