Os rendimentos dos títulos do governo da zona do euro caíram e os investidores reduziram suas apostas em futuros aumentos da taxa de juros do Banco Central Europeu (BCE) na segunda-feira, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que adiaria os ataques à infraestrutura energética do Irã.
O rendimento do título do governo alemão (Bund) de 10 anos, a referência da zona euro, caiu 4,5 pontos base, para 3,008%, depois de atingir 3,077% no início da sessão, o nível mais alto desde junho de 2011. A taxa do Bund de dois anos teve queda de 10 pontos-base, para 2,576%, após atingir 2,764%, o nível mais alto desde julho de 2024. O rendimento do título britânico (Gilt) de 10 anos recuou 8 pontos-base, para 4,857%.
“O impacto ainda não foi visto. Mas, obviamente, os mercados estão respirando aliviados com essa notícia”, disse Chris Beauchamp, analista-chefe de mercado da IG Markets, após as falas de Trump.
Os mercados monetários precificam a taxa de depósito, referência na zona do euro, em 2,50% para julho, ante 2,67% no início da sessão, o que implica dois aumentos e cerca de 65% de probabilidade de um terceiro. A taxa de depósito do BCE está atualmente em 2%.
“Enquanto enfrentamos outro choque inflacionário, os bancos centrais querem evitar as críticas de 2022 de que estão sendo muito complacentes com a inflação, e podemos ver como isso está influenciando a resposta de hoje”, disse Harry Allen, estrategista macro do Deutsche Bank.
No entanto, alguns economistas argumentam que os mercados podem ter superestimado as expectativas de uma resposta agressiva dos bancos centrais.
“Os mercados certamente estão precificando um choque inflacionário e geopolítico, com um dólar mais forte e taxas de juros mais altas em geral”, disse Antonio Gabriel, economista global do Bank of America (BofA). “Em nossa opinião, cenários mais disruptivos para o crescimento global podem estar subestimados, e as preocupações com o crescimento podem prevalecer, levando alguns bancos centrais a ignorar o choque”, acrescentou.
A confiança do consumidor na zona do euro caiu para o nível mais baixo desde o final de 2023 neste mês, oferecendo indícios iniciais de como a alta dos preços da energia pode impactar a economia em geral.
O BCE não hesitará em apertar a política monetária se a iminente alta da inflação, impulsionada pelo setor energético, parecer estar se consolidando, mantendo o crescimento dos preços elevado por um período prolongado, afirmou o membro do conselho do BCE, Peter Kazimir, nesta segunda-feira.