O chanceler da Espanha, José Manuel Albares, afirmou nesta terça-feira (10) que as relações entre o país e os Estados Unidos estão “operando normalmente”, apesar das ameaças do presidente americano, Donald Trump, de cortar o comércio com Madri devido à oposição espanhola à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
O governo espanhol, do primeiro-ministro Pedro Sánchez, irritou Trump na semana passada ao classificar a guerra como imprudente e ilegal, além de proibir aeronaves dos EUA de utilizarem bases operadas conjuntamente no sul da Espanha para a ofensiva contra Teerã.
Albares disse a repórteres que tanto a embaixada da Espanha em Washington quanto a embaixada dos EUA em Madri estão operando com “absoluta normalidade”.
“Nossa embaixada em Washington está funcionando normalmente e mantém todos os contatos que deveria ter, como de costume”, afirmou o ministro espanhol das Relações Exteriores, acrescentando que a embaixada dos EUA em Madri segue dessa mesma forma também.
Trump ameaçou, na terça-feira (3) passada, impor um embargo comercial total a Madri, citando também a recusa da Espanha em cumprir a nova meta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de gastos com defesa equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Posteriormente, a Espanha desafiou essas ameaças, com a vice-primeira-ministra espanhola, Yolanda Díaz, afirmando que o país se recusa a ser “vassalo”.
Na segunda-feira (9), o senador americano Lindsey Graham, da Carolina do Sul — um aliado próximo de Trump — disse à Fox News que a Espanha “perdeu o rumo” e pediu que os EUA transferissem suas bases aéreas do país “para uma nação que nos permita utilizá-las”.
Questionado sobre as declarações de Graham, Albares disse que não houve qualquer contato com os EUA sobre as bases em Rota e Morón de la Frontera, que são importantes centros logísticos utilizados pelas forças da Otan para reabastecimento aéreo e trânsito intercontinental.
Albares também afirmou que uma possível invasão terrestre israelense no Líbano seria um erro “tremendo”, ao mesmo tempo que exigiu que o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã, interrompa os lançamentos de foguetes contra Israel.
Ele acrescentou que a Espanha enviará ajuda humanitária no valor de 9 milhões de euros (US$ 10,5 milhões) ao Líbano, local onde, pelo menos, 500 pessoas foram mortas e 700 mil foram deslocadas à força de suas casas, segundo informou o governo libanês e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).