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sábado, março 28, 2026

Mobilidade travada estressa e afeta saúde da população

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Não é de hoje que a vida em grandes cidades do Brasil é difícil e estressante. A falta de mobilidade urbana traz impactos na produtividade das cidades, no bem-estar da população e, por consequência, na saúde das pessoas. O estudo “Origem e Destino”, divulgado pelo Metrô de São Paulo em 2025, mostra que o transporte individual predominou sobre o coletivo na capital e na região metropolitana, com 51,2% e 48,8% de adesão, respectivamente. Mais carros na rua, por sua vez, geram mais gases poluentes.

Levantamento feito pelo Valor no painel Vigiar, do Ministério da Saúde em parceria com a pasta de Meio Ambiente e Mudança do Clima, mostra que mais de 285 mil mortes foram decorrentes da poluição do ar no Brasil entre 2022 e 2024. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, no mundo, mais de 7 milhões de pessoas morrem prematuramente por ano devido a isso. Com o trânsito parado, nem a economia é poupada: pesquisas estimam que engarrafamentos consumam entre 1,8% e 4,4% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil — a variação depende da metodologia adotada.

A mobilidade travada é motivo de preocupação e vista como o principal problema das cidades para 44% de 11,7 mil pessoas ouvidas nos 26 Estados brasileiros e no Distrito Federal, segundo pesquisa Agenda Urbana 2024, da ONU-Habitat em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU).

Já um estudo divulgado pelo Journal of Transport and Health, cuja base de pesquisa foram 5.438 pessoas de 11 países da América Latina (com participação das capitais brasileiras São Paulo e Fortaleza), mostrou que 37% delas apresentaram sintomas de depressão devido ao trânsito, e que cada dez minutos adicionais de deslocamento aumentam em 0,5% a probabilidade da doença.

“Congestionamentos são associados a consequências negativas para a saúde mental devido ao seu potencial impacto na sensação de controle, menor previsibilidade da duração da viagem e maior nível de fadiga”, aponta o texto. “Os resultados reforçam a importância das políticas de mobilidade e das escolhas individuais de mobilidade como determinantes da saúde mental. Abordagens políticas que expandem a cobertura do transporte público, incentivam seu uso e aliviam o congestionamento também podem trazer benefícios para a saúde mental”, acrescentaram os cientistas.

Em 2023, uma pesquisa da ONG WRI Brasil mostrou que a implantação de ônibus elétricos no Rio de Janeiro, Campinas (SP) e Salvador devem gerar R$ 1,5 bilhão de economia para a saúde em 30 anos, devido à redução da emissão de gases poluentes, o que diminuiria doenças, hospitalizações e mortes. “A OMS diz que 90% da população vive com níveis de contaminação do ar acima do permitido. É um problema mundial, principalmente em grandes cidades por conta do excesso de veículos, que contribui para doenças como aterosclerose [placas de gordura em artérias], câncer de pulmão, problemas no sistema endócrino [diabetes], nos rins, na pele, no sistema nervoso central”, diz Nelson Gouveia, professor da Faculdade de Medicina da USP.

Antônio Silva Lima Neto, professor de medicina da Universidade de Fortaleza, lembra que a mobilidade urbana frenética e caótica é crucial na propagação de doenças infecciosas — da Covid-19 a arboviroses, como a dengue e a chikungunya. “Na pandemia, houve, também, um aumento substancial de casos de dengue. O isolamento social de 2020 impactou na queda das arboviroses. Falava-se pouco da relação entre mobilidade e dengue, mas percebemos que a tendência dessa doença também mudou”, conclui Lima, que publicou artigos científicos sobre o tema.

[Fonte Original]

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