A Tailândia está oferecendo ajuda financeira para turistas impossibilitados de deixar o país devido ao conflito no Oriente Médio.
O governo fornecerá 2.000 baht (US$ 63) por pessoa por dia para ajudar a cobrir as despesas de hospedagem de viajantes retidos por casos de força maior, como o fechamento do espaço aéreo.
A compensação será limitada a 20.000 baht por pessoa. Hotéis e outros estabelecimentos que hospedam esses turistas receberão os pagamentos diretamente.
Os custos serão cobertos por um fundo governamental criado para auxiliar turistas estrangeiros em emergências.
A compensação será aprovada somente se os operadores de hotéis e estabelecimentos similares não tiverem condições de arcar com as despesas de alimentação e hospedagem dos turistas retidos, afirmou Natthriya Thaweevong, secretária de turismo e esportes da Tailândia, em comunicado divulgado na terça-feira.
No mesmo dia, o Departamento de Imigração anunciou que isentaria as multas por permanência ilegal de turistas cujos vistos expiraram a partir de 28 de fevereiro, mas que não podem deixar a Tailândia devido à guerra com o Irã.
A multa por permanência ilegal é normalmente de 500 baht por dia.
Um total de 327 voos foram cancelados nos quatro principais aeroportos da Tailândia de sábado a quarta-feira, principalmente em rotas para o Oriente Médio, informou a operadora estatal Airports of Thailand.
Cerca de 49.700 pessoas foram afetadas, com aproximadamente 33 mil retidas no Aeroporto Suvarnabhumi, na região de Bangcoc, o maior aeroporto do país.
Cingapura e Malásia, que abrigam importantes aeroportos do Sudeste Asiático, também foram afetadas pelo conflito. Rotas que ligam a região à Europa estão sendo desviadas para evitar áreas de conflito armado, aumentando o tempo de voo em 90 minutos a três horas.
Alguns estrangeiros não conseguiram retornar para casa, mas não há indícios de grandes interrupções nas viagens em Cingapura ou na Malásia.
A rápida resposta da Tailândia aos viajantes retidos é impulsionada pela forte dependência do país em relação ao turismo. Setores relevantes, incluindo hospedagem e alimentação, representam quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O crescimento econômico está diretamente ligado às variações no número de visitantes internacionais.
O número de visitantes estrangeiros na Tailândia diminuiu em 2025 pela primeira vez em quatro anos, com uma queda de 7,2%, para 32,97 milhões. Entre os fatores que contribuíram para essa queda estão o sequestro de um cidadão chinês e o conflito na fronteira com o Camboja.
O PIB real da Tailândia cresceu apenas 2,4% em 2025, o menor crescimento entre as principais economias do Sudeste Asiático.
O governo considera o Oriente Médio uma fonte promissora de turistas. Em 2019, o gasto diário per capita de viajantes do Oriente Médio foi, em média, de 6.115 baht, o maior entre todas as regiões, segundo o Ministério do Turismo e Esportes.
Os cerca de 750 mil turistas do Oriente Médio no ano passado representaram apenas 2% do total de turistas da Tailândia, o que indica um potencial de crescimento.
Com a guerra no Oriente Médio interrompendo as viagens da região por ora, a ajuda de Bangcoc pode representar uma estratégia para atrair mais turistas no futuro.
Na quinta-feira, a Tailândia anunciou os resultados oficiais das eleições gerais de 8 de fevereiro. Uma agenda econômica completa só será implementada após a formação de um novo governo, prevista para abril.
Amonthep Chawla, do grupo financeiro CIMB, afirmou que a rápida formação do governo é a única maneira de mitigar o grave impacto do conflito no Oriente Médio sobre o setor de serviços da Tailândia, incluindo hotelaria e transportes.
05/03/2026 22:52:42