Os trabalhadores já percebem, no mercado de trabalho, ritmo menor de abertura de vagas. É o que sinaliza a Sondagem do Mercado de Trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV), cuja edição de fevereiro foi veiculada nesta segunda-feira (16). Segundo Rodolpho Tobler, economista da FGV responsável pelo indicador, os dados na pesquisa evidenciam que o trabalhador já percebe maior dificuldade ao buscar emprego. Na pesquisa, 53,6% informam que buscar trabalho está difícil ou mais difícil até o trimestre encerrado em fevereiro. O especialista não descarta novos aumentos, nas parcelas de trabalhadores com percepção de maior dificuldade em conseguir emprego, nos próximos resultados da sondagem.
Na sondagem, no trimestre encerrado em fevereiro, 43,8% informaram estar difícil buscar emprego, e 9,8% declararam estar muito difícil. Em relação ao futuro, 30,5% informaram que o mercado de trabalho deve estar pior em seis meses; e 3,8%, muito pior. Por sua vez, as parcelas dos que declararam que a busca de vagas deve ser melhor e muito melhor, em seis meses, foram respectivamente de 31,5% e de 1,5%. Ou seja: ao se somar essas fatias, respectivamente, em cada uma das duas vertentes opostas, 34,5% de pesquisados estimam mercado de trabalho mais difícil, no futuro, contra 33% que projetam melhora.
Essas respostas vão ao encontro do atual contexto macroeconômico, ponderou Tobler. Isso porque há sinais de menor ritmo de atividade econômica. Em ambiente de economia desaquecida, continuou ele, é coerente uma redução de abertura de vagas.
“Essa virada por ano já trouxe uma desaceleração da atividade econômica, já esperada”, disse. “Até o final do primeiro semestre, é difícil imaginar que a situação mude muito. Porque o que temos visto é que a gente já tem tido crescimentos mais fracos do PIB”, notou. “A economia não vai sair acelerando agora no início do ano”, disse.
Outro aspecto a ser considerado, completou ele, é a possível influência negativa da guerra no Oriente Médio na atividade econômica. “Se amanhã essa guerra se intensificar a expectativa é de que a gente passe a ter alguma oscilação maior [na atividade econômica]”, disse. “Pode ter até alguma piora nessa parcela de pessoas falando que o mercado de trabalho está pior e que tende a piorar um pouquinho mais”, disse.
O especialista fez uma ressalva, no entanto. Um movimento de desaceleração no mercado de trabalho não implica necessariamente uma piora muito forte no ritmo de abertura de vagas. Apenas que a cadência de novos postos de trabalho não será tão acelerada quanto foi no ano passado, disse. “Não vai ser um desastre, que a gente vai ter demissões em massa e tudo mais”, explicou.