Fendi e Maria Grazia Chiuri, reunidos novamente, para uma grande estreia. Não era pouca a expectativa para a primeira coleção da estilista à frente da direção criativa da grife romana durante a semana de moda de Milão, que acaba de começar trazendo as coleções para o Inverno 26. O desfile marcou não apenas um debut, mas um retorno para casa, onde o histórico da Fendi encontrou o pragmatismo contemporâneo de Maria Grazia.
Para onde aponta o futuro desta parceria criativa? Listei para vocês os cinco pontos fundamentais para entender o início desse novo capítulo na história da moda.
A PALAVRA É PRAGMATISMO
Se na Dior o futuro era feminino (vide a frase-slogan “The Future is Female” que se tornou viral após estampar t-shirts da maison francesa sob o comando de Maria Grazia), na Fendi o futuro é pragmático. E é ela mesma quem diz: “nós temos que ser pragmáticos. Essa é a hora, se queremos ir adiante rumo ao futuro dessa indústria”.
A declaração vai na contramão do que a estilista italiana afirma ver como “estilistas que fazem entretenimento”, criando algo surpreendente, para fazer barulho uma única vez. E o que ela quer dizer com isso? Nas roupas, a tradução estava em roupas funcionais, livres de excessos, feitas para acompanhar o ritmo de vida da mulher contemporânea: explorando um guarda-roupas de separates, camisas eram combinadas à saias e calças de alfaiataria, sobrepostas por paletós.
Outra tradução possível: Maria Grazia está interessada em construir uma história a longo prazo na casa italiana – nos moldes da relação de quase uma década que criou com a Dior – e sabe que, para ser bem sucedida nisso, é preciso criar uma base para isso, indo muito além da peça viral da temporada.
O ENCONTRO NÃO É DE HOJE
Não foi um “blind date”. Muito pelo contrário: ao convidar Maria Grazia para assumir a direção criativa de suas linhas feminina e masculina, a Fendi sabia bem com quem iria se encontrar (foi nessa grife que a estilista deu o pontapé inicial na carreira em 1989, assumindo o design de acessórios aos 24 anos sob a mentoria das irmãs Paola, Anna, Franca, Carla e Alda Fendi).
Que esse romance é recíproco? Isso ficou claro no desfile de estreia, em que foi possível encontrar diversos traços autorais da estilista em meio aos códigos da grife: pense na combinação de camisas brancas com saias mídi rendadas, que revelam uma feminilidade balanceada com certa sobriedade, ou então nas próprias t-shirts com frases que citei logo acima.

Um bom exemplo desse remix estava no vestido feito de renda de couro, revelando tanto a vocação de Maria Grazia para criar peças femininas timeless quanto o savoir-faire artesanal da grife.
AS COLABORAÇÕES COM ARTISTAS CONTINUAM
Se Maria Grazia fez história como primeira diretora mulher da Dior, outros gestos de valorização da produção criativa feminina ganharam o spotlight através de uma série de colaborações com artistas mulheres (se o assunto te interessa, recomendo o documentário “Her Dior” que fala exatamente sobre esse assunto!).
Pois essa história ganha novos capítulos na Fendi: cachecóis de futebol com slogans como “Enraizada, mas não presa” e “Presente, mas não dependente” da artista italiana SAGG Napoli, acompanharam diversos looks, assim como as joias do arquivo da artista Mirella Bentivoglio.

PARA SEMPRE ELAS, AS BAGUETTES
Quentes, saídas do forno: uma sequência de novas bolsas Baguette (contei nada menos que 20 variações assistindo ao desfile, enquanto fazia as malas para a Paris Fashion Week!) surgiu na passarela e já entrou na wishlist de muita gente. Maria Grazia vai atender aos nossos desejos: três desses modelos já estão disponíveis em pré-venda no site global da marca, com entrega antecipada para abril (a coleção, de fato, só começa a chegar nas lojas a partir de julho).
Na minha lista? Os modelos de animal print emoldurados por couro vermelho ou preto; as Baguettes com acabamento em couro trançado e também o modelo com estilo militar – sobre isso a gente fala no item abaixo.
TWENTY-FOUR-SEVEN WOMEN
Pode ter parecido austeridade para alguns, mas eu enxergo como praticidade: Maria Grazia nos ofereceu opções de looks para todos os momentos da vida da mulher. Dá para entender bem essa intenção quando observamos, num mesmo desfile, modelos cruzando a passarela com looks utilitários (amo o macacão estilo aviador e as bermudas com bolsos cargo usadas com salto alto) e também vestidos fluidos de tecidos ultrafinos com acabamento acetinado.
Se o lema da estilista foi “menos eu, mais nós”, a gente pegou o recado: tem algo ali para toda mulher.
Com Antonia Petta e Milene Chaves