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segunda-feira, março 30, 2026

Como a BYD Fez do Dolphin Mini o Carro Mais Vendido do Varejo Brasileiro

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Fevereiro de 2026 entrou para a história do mercado automotivo brasileiro com uma imagem que, até pouco tempo atrás, parecia improvável: um carro elétrico no topo do varejo nacional. O protagonista foi o BYD Dolphin Mini, com 4.810 unidades emplacadas no mês e vantagem de quase 1.000 carros sobre o segundo colocado, o Volkswagen Tera (3.856 emplacamentos), segundo dados da Fenabrave.

O feito tem peso simbólico, mas não se resume a um bom mês. Ele resume o plano construído pela BYD no Brasil ao longo de cerca de três anos: entrar com um elétrico de proposta mais acessível, ampliar rapidamente a família de produtos, avançar nos canais de venda, consolidar a operação industrial local e, ao mesmo tempo, preparar o terreno para subir de patamar também no segmento premium.

Lançado oficialmente no Brasil em junho de 2023, o BYD Dolphin carregou desde o início o status de modelo central na estratégia da marca. Foi ele que ajudou a popularizar a eletrificação no país dentro da leitura da empresa. Em 2024, a BYD deu o passo seguinte com o lançamento da versão Mini, que acabaria se transformando no grande símbolo comercial da ofensiva da companhia.

Os números ajudam a contar essa trajetória. Desde que chegou ao mercado, o Dolphin Mini já vendeu mais de 62 mil unidades. Em 2024, fechou o ano com 21.944 emplacamentos. Em 2025, acelerou ainda mais, com 32.459 unidades. No acumulado até fevereiro de 2026, somou 7.606 vendas, também à frente do Tera, com 7.521.

Para Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD Brasil, o resultado de fevereiro é a evidência de que o consumidor brasileiro mudou mais rápido do que o esperado. Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, ele diz que a conquista mostra uma transformação mais profunda no mercado.

“O consumidor brasileiro, ao longo dos últimos três anos, desde que a BYD apresentou o carro elétrico acessível, tecnológico e sustentável, tem cada vez mais buscado conhecer, experimentar e, de fato, feito a escolha. Essa conquista em fevereiro nos demonstra que o mercado vem amadurecendo muito mais rápido do que nós imaginávamos”, afirma.

Baldy destaca que o ranking de fevereiro representa uma ruptura histórica. “A primeira vez da história do Brasil que um carro elétrico conquista o posto de número um de mais vendido do mercado brasileiro. Isso é um feito porque nós começamos a construir uma marca do zero, em um mercado que é conservador, em um mercado que é desafiador”, diz.

A leitura do executivo é que o avanço da BYD passou a mexer não só com a posição da empresa, mas com a percepção do próprio setor. “Há um tempo a BYD vem provando que o carro elétrico não é mais uma promessa. O avanço do BYD Dolphin Mini, superando nomes históricos no topo do ranking brasileiro, mostra como a nossa estratégia de democratização da mobilidade eletrificada está sendo bem-sucedida no país”, afirma. “É a verdadeira consolidação, em larga escala, de uma tecnologia inovadora e que veio para transformar o modo como o brasileiro enxerga o setor automotivo.”

Participação de mercado

A liderança do Dolphin Mini foi o ponto mais visível, mas não o único. Em fevereiro, o Song apareceu na 4ª posição entre os mais vendidos do varejo, com 3.167 unidades. No ranking de veículos de passeio no varejo, a BYD foi a segunda marca mais vendida do mês, com 13,47% de participação. Quando se somam as vendas diretas, a marca ficou, pelo segundo mês consecutivo, na 5ª posição, com 7,95% do mercado total.

Essa segunda frente ajuda a explicar o plano. Baldy cita expansão da venda direta para pequenas empresas e lembrou que esse canal responde por cerca de 25% a 26% do mercado, enquanto as locadoras representam de 24% a 25%. O acordo com a Localiza&Co, anunciado após mais de um ano de testes conjuntos, é parte desse desenho: a empresa de mobilidade fechou a compra de 10 mil veículos híbridos e elétricos da BYD nos próximos dois anos. O portfólio inclui Song Plus, Song Pro, Dolphin e Dolphin Mini.

Dolphin Mini: carro mais vendido do Brasil no varejo em fevereiro de 2026

Fábrica na Bahia

O terceiro pilar foi industrial. Em julho de 2025, o primeiro BYD Dolphin Mini 100% elétrico nacional saiu dos testes da linha de produção, num momento tratado pela empresa como histórico. A operação ganhou escala com a fábrica de Camaçari, na Bahia, primeira planta da BYD fora da China e primeira no Brasil dedicada à produção de carros elétricos e híbridos. A companhia destinou R$ 5,5 bilhões ao complexo, que ocupa 4,6 milhões de m², com capacidade inicial de 150 mil veículos por ano e expansão prevista para 300 mil na segunda fase.

Neste momento, a operação começa em regime SKD (Semi Knocked Down), com um nível intermediário de montagem ocorrendo no país, mas a empresa prevê avançar gradualmente para produção integral, incorporando estampagem, soldagem e pintura e elevando o conteúdo local. Na linha de montagem brasileira já estão três dos modelos mais vendidos da marca no país: Dolphin Mini, Song Pro e King.

Baldy liga diretamente a fábrica ao próximo salto. “Com o avanço da estrutura e dos galpões de estamparia, soldagem e pintura, a liderança que conquistamos em fevereiro será ainda maior nos próximos meses”, afirma. Ele também destaca a musculatura global da companhia em pesquisa e desenvolvimento, citando uma base de 122 mil engenheiros, e a verticalização da operação como forma de reduzir riscos de fornecimento e dar escala ao portfólio.

Centro de testes

Outro movimento que ajuda a explicar a estratégia da BYD no país é o anúncio do primeiro Centro de Testes e Avaliação Automotiva da marca no Brasil, acompanhado de uma nova Plataforma de Experiência e Pesquisa e Desenvolvimento no Rio de Janeiro. Com investimento de R$ 300 milhões, o espaço será instalado no complexo do Aeroporto do Galeão, em uma área de 183.861 m².

Inspirado em estruturas semelhantes que a empresa já opera na China, o centro funcionará como vitrine de tecnologias globais e como base para validação de veículos em condições reais de uso, com prioridade para inovações ligadas ao futuro da mobilidade no país, especialmente em direção autônoma. As obras começam no fim de 2026, e a inauguração está prevista para 2028.

Portfólio premium

Se o plano começou com o carro de entrada, ele não termina nele. A BYD também abriu, em 2026, uma frente mais sofisticada com a Denza, marca premium que chegou ao país com três modelos: o SUV off-road híbrido B5, o Z9 GT e a van executiva D9. Baldy já deixou aberta a possibilidade de fabricar modelos da Denza no Brasil, em Camaçari, a depender da aceitação do consumidor.

Ao mesmo tempo, a montadora chinesa prepara novos movimentos em sua própria gama. O Atto 8, SUV híbrido plug-in de luxo com sete lugares, tração integral e sistema de propulsão que une dois motores elétricos e um a combustão, foi lançado no começo de março.

No fim, o que fevereiro mostrou foi menos um raio em céu azul e mais a maturação de uma estratégia. Em fevereiro de 2024, a BYD era a 10ª marca mais vendida do país, com pouco mais de 3% de participação. Um ano depois, no mesmo período, já aparecia como a 9ª, com pouco mais de 5%. Agora, um elétrico da marca lidera o varejo brasileiro e a empresa já encosta nas montadoras mais tradicionais.

Baldy não esconde a ambição. “Nossos planos são ambiciosos: seguimos focados na busca pela liderança geral em vendas no Brasil até 2030”, afirma.

Se 2023 foi o ano da chegada, 2024 o da expansão e 2025 o da nacionalização, fevereiro de 2026 pode ser lido como o mês em que a BYD validou, em escala, o seu plano brasileiro. Não apenas por vender mais um carro. Mas por fazer do carro elétrico, pela primeira vez, o mais vendido do varejo nacional.

[Fonte Original]

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