O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira (05) em queda, acompanhando a deterioração do humor nos mercados internacionais conforme as tensões geopolíticas escalam, gerando uma onda global de aversão ao risco.
O principal índice do Brasil recuou 2,64%, aos 180.463,84 pontos, refletindo o desconforto dos investidores com a possibilidade de um conflito prolongado que possa desestabilizar o fluxo comercial e as cadeias de suprimento de energia.
A movimentação foi marcada pela saída de capital de mercados emergentes, com o investidor buscando abrigo na liquidez do dólar e em títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
O avanço firme nos preços do petróleo no mercado internacional, embora tenha oferecido suporte isolado às ações da Petrobras, foi interpretado majoritariamente como um vetor inflacionário que pressiona as curvas de juros.
O petróleo Brent subiu US$4,01, ou 4,93%, a US$85,41 por barril, em uma quinta sessão de ganhos. O petróleo West Texas Intermediate dos Estados Unidos subiu US$6,35, ou 8,51%, a US$81,01, seu maior valor desde julho de 2024.
“Não há movimento no Estreito de Ormuz, então os preços vão subir e, com os países tendo que interromper a produção, teremos um atraso ainda maior, porque não é como se você pudesse simplesmente retomar a produção com força total, isso será um problema por um tempo”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ao Axios nesta quinta-feira que ele precisa se envolver pessoalmente na escolha do próximo líder do Irã.
“O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã”, disse Trump em uma entrevista, segundo a Axios.
“Tenho que me envolver na nomeação, como aconteceu com Delcy na Venezuela”, disse Trump.
Dólar
Depois de ter encerrado a sessão da véspera em baixa, o dólar fechou a quinta-feira em alta firme no Brasil, superior a 1%, acompanhando o avanço da moeda no exterior, com investidores voltando a buscar a segurança da divisa norte-americana em meio à guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O dólar à vista fechou com alta de 1,33%, aos R$5,2879. No ano, a divisa acumula agora queda de 3,66%.
Na quarta-feira, em uma sessão de alívio para os ativos de risco, o dólar à vista havia recuado, mas nesta quinta-feira a moeda voltou a subir ante quase todas as demais divisas, em meio à guerra no Oriente Médio.
Mísseis iranianos levaram milhões de israelenses a correrem para abrigos antiaéreos, enquanto Israel lançou uma grande onda de ataques a Teerã. Em outra frente, mais navios-tanque foram atacados nas águas do Golfo pelo Irã, e drones iranianos entraram no Azerbaijão.
Em entrevista à Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que aceitará a assistência de qualquer país no conflito contra o Irã — incluindo a Ucrânia, hoje em guerra com a Rússia.
Sem uma perspectiva para o fim da guerra, o dólar subiu ante moedas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real.