Depois de décadas trazendo grandes turnês internacionais ao Brasil e operando no topo da indústria do entretenimento, Dody Sirena, CEO da DC Set Group, decidiu apostar no que chama de seu maior desafio: o mercado imobiliário. À frente do Sirena Gramado, um projeto de R$ 1,2 bilhão com entrega da primeira fase prevista para 2027, o empresário está construindo um destino turístico que tenta ir além do óbvio. E que começa a ganhar forma com a chegada de uma marca improvável ao Rio Grande do Sul: a uruguaia Narbona.
Não é um movimento isolado. A ideia é transformar o Sirena Gramado em um destino integrado de entretenimento, hospitalidade e moradia. O projeto ocupa uma área de 205 hectares, maior do que os parques Ibirapuera e Villa Lobos juntos, e combina diferentes frentes de receita para sustentar o investimento. Um dos pilares dessa estrutura é a parceria com o Club Med, que terá uma unidade no complexo e funciona como âncora internacional.
A operação foge do padrão tradicional da rede, normalmente associada a destinos de praia ou neve. Em Gramado, a aposta é outra: criar fluxo a partir de um ecossistema construído, em que atrações, hospitalidade e imóveis se alimentam mutuamente.
“A gente não está fazendo um equipamento isolado. É um ecossistema onde cada parte reforça a outra”, diz Dody. “O entretenimento traz fluxo, o imobiliário captura valor e a hospitalidade sustenta a experiência.”
É nesse contexto que entra a Narbona, um dos destaques da primeira fase. Conhecida por combinar gastronomia, produção artesanal e lifestyle rural sofisticado, a marca uruguaia chega ao projeto como parte da estratégia de diferenciação. Vai além de um restaurante. Inclui espaço para eventos, produção de itens como doce de leite e iogurtes e um condomínio de casas em uma área de cerca de 12 hectares, com arquitetura inspirada em fazendas e convivência com animais.
As residências da chamada Estância Narbona seguem um padrão construtivo de pedra e madeira, com terrenos amplos e proposta de segunda residência voltada a um público de alta renda. A ideia é transportar para a serra gaúcha um estilo de vida mais próximo ao campo, mas com curadoria de marca.
O Narbona traz uma experiência que mistura campo, gastronomia e marca. É algo que conecta muito com o que a gente quer construir aqui”, afirma.
Imobiliário como motor financeiro do negócio
O lançamento da pedra fundamental do Sirena Gramado acontece nesta sexta-feira (20). À Forbes, Dody adiantou que o financiamento do projeto não depende de uma única fonte. A estrutura combina capital próprio, participação de empresas do grupo e receitas geradas ao longo do desenvolvimento, principalmente com a venda das unidades imobiliárias.
“A gente não está fazendo isso sozinho. Tem capital próprio, tem empresas do grupo envolvidas e tem o próprio projeto gerando caixa ao longo do tempo”, diz. “É um modelo que vai se sustentando à medida que as fases avançam.”
No eixo imobiliário, que sustentará a geração de caixa e, logo, a viabilidade econômica do empreendimento, o Sirena aposta em produtos de alto padrão voltados a um público de renda elevada. A primeira fase inclui uma vila com 20 vilas (terminologia usada pelo Club Med para designar as casas), sendo quatro unidades com cerca de 406 metros quadrados e quatro suítes, e outras 16 com aproximadamente 347 metros quadrados e três suítes.
O VGV (Valor Geral de Vendas) dessa etapa é estimado entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões. O foco está em compradores de segunda residência em destinos consolidados de lazer, além de investidores patrimoniais.
As casas seguem o mesmo padrão arquitetônico do Club Med e contam com infraestrutura integrada ao complexo, incluindo acesso facilitado por heliponto. É um reforço direto do posicionamento premium do projeto.
“A venda das unidades ajuda a financiar o projeto, mas também cria uma base de proprietários que passam a usar e ativar o destino”, diz Dody.
Outro destaque é a pista de esqui outdoor, desenvolvida com tecnologia dry ski, que permitirá a prática do esporte durante todo o ano. O investimento, superior a R$ 250 milhões, é tratado como um dos principais motores de atração de visitantes.
Imagens mostram como será o Sirena Gramado
Grupo já atua no real estate
A Star Ópera Incorporadora, integrante do grupo, é liderada pelo irmão de Dody, Jaime Sirena. A experiência da incorporadora inclui um portfólio de R$ 1,8 bilhão em VGV, distribuído em oito empreendimentos residenciais e comerciais já entregues em estados como São Paulo, Goiás e Sergipe.
A presença da incorporadora funciona como base operacional para tirar o projeto do papel, conectando a concepção do destino à execução imobiliária em larga escala.
A primeira fase do empreendimento tem entrega prevista para julho de 2027. Até lá, o desafio é transformar o conceito em execução. É algo que Dody e o irmão já conhecem, mas agora em uma escala e complexidade inéditas nas suas trajetórias.
“Um projeto desse tamanho precisa de fundamento. Não é só uma boa ideia ou um bom terreno. A gente está estruturando isso com parceiros que sabem executar, com produto imobiliário consistente e com geração de caixa ao longo do desenvolvimento”, afirma Dody. “O investimento é faseado e acompanha a maturação do projeto, o que reduz risco e permite ajustar a rota conforme a demanda.”