O presidenteDonald Trumpafirmou que os Estados Unidos não “precisam de ninguém” para ajudar a reabrir oEstreito de Ormuz. Ainda assim, solicitou que aliados formem coalizão para proteger a passagem marítima estratégica para o mercado global de petróleo, enquanto as oscilações de preços continuam pressionando o valor da gasolina.
Antes de uma reunião do conselho doKennedy Center, na tarde de segunda-feira (16), Trump disse que “diversos países me informaram que estão a caminho” para ajudar a garantir a segurança do estreito, mas se recusou a detalhar exatamente quais nações participariam.
Os líderes daEspanhae daAlemanha disseram que seus países não participarão, o primeiro-ministro britânicoKeir Starmerafirmou que “não vê um papel para a OTAN no assunto”, e a chefe da política externa daUnião Europeia,Kaja Kallas, declarou que não há “apetite” dentro do bloco para enviar mais navios à região.
Ainda assim, na mesma reunião, Trump insistiu que estava pedindo ajuda apenas para “ver como eles reagem”, reiterando que “somos a nação mais forte do mundo, temos de longe as Forças Armadas mais poderosas do planeta”.
Falando com repórteres a bordo doAir Force Onena noite de domingo (15), Trump disse que “exigiu” que cerca de sete países enviassem seus navios de guerra para ajudar a reabrir o estreito para o transporte marítimo comercial.
O petróleoBrent, referência global, chegou a subir atéUS$ 105,9 por barril (R$ 553,86), antes de recuar paraUS$ 100,43 (R$ 525,25)na tarde de segunda-feira (16). Pela manhã, o preço médio nacional de um galão de gasolina foi US$ 3,718 (R$ 19,45), segundo o monitoramento daAAA.
Esse valor representa um aumento de quase27%em comparação com o preço médio registrado um mês antes. O preço médio nacional dodiesel— utilizado em veículos pesados e que impacta transporte rodoviário, agricultura e logística — subiu paraUS$ 4,988 (R$ 26,09) por galão.
As oscilações de preço ocorrem em meio às ameaças contínuas doIrãcontra a infraestrutura petrolífera no Oriente Médio e aos seus esforços para impor um bloqueio aoEstreito de Ormuz.
Pressionando aliados
“Alguns são países que ajudamos por muitos, muitos anos”, disse Trump na tarde de segunda-feira. “Nós os protegemos de ameaças externas terríveis, e eles não estavam tão entusiasmados assim. E o nível de entusiasmo importa para mim.”
Quando questionado sobre quais países estariam ajudando na questão do Estreito de Ormuz, o presidente afirmou que o secretário de EstadoMarco Rubiodivulgará mais detalhes posteriormente.
Trump disse que o presidente francêsEmmanuel Macronpossivelmente está entre os apoiadores, descrevendo seu nível de entusiasmo comooito em uma escala de dez.
“Acho que ele vai ajudar, eu aviso vocês”, disse Trump aos repórteres.
No domingo (15), o presidente argumentou que, diferentemente dos Estados Unidos — que dependem principalmente da produção doméstica de petróleo —, esses países precisam do petróleo do Oriente Médio e, portanto, “deveriam nos ajudar a protegê-lo”.
O presidente chegou a afirmar que existe até um argumento de que os EUA “nem deveriam estar” próximos ao estreito, “porque não precisamos dele, temos muito petróleo”.
O que Trump disse sobre a China?
O presidente não citou quais países procurou diretamente, mas declarou: “A China, por exemplo, recebe cerca de90% do seu petróleopelo Estreito de Ormuz, e seria bom ter outros países policiando isso conosco”.
Trump, porém, se recusou a dizer se a China aceitou sua proposta.
Em entrevista ao Financial Times no domingo, Trump disse que pode adiar sua reunião planejada com o presidente chinês, Xi Jinping, ainda neste mês, afirmando que gostaria de saber qual é a posição da China sobre o envio de navios de guerra antes do encontro.
Apesar de fechar o estreito para a maioria das embarcações, relatos indicam que oIrãteria enviadomais de 10 milhões de barris de petróleopara a China através da rota marítima.
O que Trump disse sobre os aliados da OTAN?
Na entrevista aoFinancial Times, Trump reiterou seu argumento de que “é apenas apropriado que aqueles que se beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça ali”.
O presidente também alertou: “Se não houver resposta ou se a resposta for negativa, acho que isso será muito ruim para o futuro da OTAN”.
Trump repetiu críticas anteriores à aliança, afirmando: “Há muito tempo digo que a OTAN é uma via de mão única”.
O presidente também criticou o governo britânico, dizendo: “O Reino Unido pode ser considerado o aliado número um, o mais antigo, etc., e quando pedi que viessem, eles não quiseram vir”.
Outras nações
A primeira-ministra doJapão,Sanae Takaichi, disse ao Parlamento que não tomou “qualquer decisão sobre o envio de navios de escolta” e que o governo continua avaliando “o que pode ser feito dentro do marco legal”.
O ministro das Relações Exteriores daAlemanha,Johann Wadephul, afirmou a repórteres que não vê papel para a OTAN na questão. “Não vejo que a OTAN tenha tomado qualquer decisão nessa direção ou que possa assumir responsabilidade pelo Estreito de Ormuz.”
Em uma coletiva na segunda-feira (16), o chanceler alemãoFriedrich Merzafirmou queEstados Unidos e Israel não consultaram a Alemanha antes do início da guerra, em 28 de fevereiro.
“Não temos o mandato dasNações Unidas, daUnião Europeiaou daOTANexigido pela Lei Fundamental”, disse Merz. “Por isso, desde o início estava claro que essa guerra não é um assunto da OTAN.”
Após uma reunião com outros ministros das Relações Exteriores da UE,Kaja Kallasreconheceu que o bloco tem “um claro desejo de fortalecer” sua pequena força naval no Oriente Médio, mas afirmou que “por enquanto não há disposição para mudar o mandato da operação”.
Em outra coletiva na segunda-feira (16), o primeiro-ministro britânicoKeir Starmerdisse que seu país não será arrastado para uma “guerra mais ampla” e que qualquer plano para reabrir o estreito deve envolver “o maior número possível de parceiros”.
O líder britânico também reconheceu que o processo de reabertura dessa estreita via marítima será “difícil”.
Na coletiva diária do Ministério das Relações Exteriores daChina, autoridades evitaram responder diretamente à exigência de Trump e à ameaça de adiar sua viagem a Pequim, afirmando:
“A diplomacia entre chefes de Estado desempenha um papel indispensável ao fornecer orientação estratégica para as relações entre China e Estados Unidos. Os dois lados continuam em comunicação sobre a visita do presidente Trump à China.”
*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com