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segunda-feira, março 23, 2026

Bitcoin entra em fase de ajuste e pode ganhar força rumo a US$ 82 mil

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O Bitcoin inicia a semana sendo negociado próximo da região de US$ 70 mil, após um movimento recente de recuperação que levou o ativo a testar níveis acima de US$ 71 mil nos últimos dias.

O cenário reflete uma combinação entre fatores macroeconômicos e sinais técnicos relevantes, avalia Guilherme Fais, Head de Finanças da NovaDAX.

Segundo o executivo, o mercado segue em um ambiente de consolidação, com investidores atentos ao equilíbrio entre fluxo comprador, política monetária global e incertezas geopolíticas.

Na última semana, o BTC foi influenciado principalmente pela decisão do Federal Reserve de manter os juros nos Estados Unidos, reforçando a percepção de que o ciclo de política monetária restritiva pode se estender. Esse ambiente mantém o dólar em patamar elevado e tende a limitar movimentos mais consistentes de alta em ativos de risco.

Além disso, o mercado segue monitorando as tensões no Oriente Médio, que continuam trazendo volatilidade aos mercados globais, especialmente pelo impacto potencial sobre o petróleo e a inflação.

Do ponto de vista gráfico, o Bitcoin permanece em fase de consolidação. A faixa entre US$ 68 mil e US$ 70 mil atua como suporte de curto prazo, enquanto a região entre US$ 72 mil e US$ 75 mil se mantém como principal zona de resistência”, disse Fais.

De acordo com Fais, caso o fluxo comprador se intensifique, o ativo pode buscar níveis mais elevados ao longo da semana, com potencial de teste entre US$ 78 mil e US$ 80 mil. Por outro lado, um ambiente macro mais restritivo pode levar a novas correções, com possível retorno à região de US$ 65 mil.

“Bitcoin próximo dos US$ 70 mil; mercado em consolidação; juros nos EUA seguem como principal driver; tensões geopolíticas elevam cautela; suporte: US$ 68k–70k | Resistência: US$ 72k–75k”, completa.

Fase de ajuste

Já a Bitfinex avalia que o Bitcoin entrou em uma fase de ajuste após um movimento forte de alta, refletindo tanto fatores técnicos quanto pressões macroeconômicas mais amplas.

Segundo a análise, o ativo chegou a atingir US$ 76 mil na semana passada, rompendo uma faixa de consolidação que vinha desde fevereiro e março. No entanto, o movimento perdeu força rapidamente diante de um ambiente mais desafiador. “A combinação de um PPI acima do esperado e de um tom mais cauteloso do Federal Reserve levou a uma correção de cerca de 10%”, aponta o relatório.

Apesar da correção, a Bitfinex destaca que o Bitcoin conseguiu sustentar níveis importantes. O ativo manteve a região próxima de US$ 67 mil, equivalente à abertura de março, além de apresentar desempenho superior ao de índices acionários no mesmo período. Para os analistas, isso reforça que ainda existe demanda relevante no mercado.

“A reação positiva após o anúncio de Donald Trump sobre o Irã mostra que há suporte institucional abaixo dos preços atuais”, afirma.

A corretora também observa que o rali recente não foi apenas uma resposta a eventos pontuais. De acordo com o relatório, o movimento começou antes da divulgação de dados macroeconômicos, sugerindo uma estratégia de acumulação por grandes players.

“Isso indica que não se trata apenas de compras especulativas de curto prazo”, diz a análise.

Vazio de liquidez em US$ 82 mil

Do ponto de vista on-chain, a região entre US$ 69 mil e US$ 72 mil ganhou relevância como zona de custo médio dos investidores. Isso cria pressão de venda quando o preço retorna a esse intervalo, o que ajuda a explicar a recente rejeição.

Ainda assim, a Bitfinex aponta que, caso essa faixa seja superada, o mercado pode avançar rapidamente.

“Existe um vazio de liquidez até a região de US$ 82 mil, desde que haja demanda consistente no mercado à vista”, destaca.

Os fluxos de ETFs também refletem essa mudança de comportamento. Antes da reunião do Federal Reserve, houve entradas expressivas de US$ 1,16 bilhão. Após o evento, no entanto, o movimento se inverteu, com saídas de US$ 305 milhões. Para a Bitfinex, essa virada representa um ajuste tático, e não uma deterioração estrutural.

“O saldo mensal ainda permanece positivo, o que reforça a continuidade do interesse institucional”, afirma.

No campo macroeconômico, o cenário segue pressionado. O Federal Reserve manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, mas adotou um discurso mais cauteloso e dependente de dados. As expectativas de inflação subiram para 2,7%, com risco de aceleração para até 4%, impulsionadas principalmente pelo aumento do preço da energia.

De acordo com a análise, esse ambiente reduz o poder de compra das famílias e aumenta o risco de estagflação. Como consequência, o banco central tem menos espaço para cortar juros, o que sustenta a percepção de taxas elevadas por mais tempo.

A Bitfinex também destaca que esse movimento já se reflete globalmente, com alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano em toda a curva.

“O mercado começa a precificar um regime estrutural de juros mais altos, o que tende a impactar ativos de risco e fluxos de capital”, afirma.

A corretora também aponta que o mercado cripto passa por uma transição estrutural. Avanços regulatórios e maior integração com o sistema financeiro tradicional indicam uma mudança de perfil.

“A indústria está deixando de operar em paralelo e passando a fazer parte da infraestrutura financeira, com foco em conformidade e proteção ao investidor”, conclui.

[Fonte Original]

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