Desde o dia após o resultado do terceiro trimestre de 2025 (3T25), em 13 de novembro de 2025, até o fechamento da última quarta (18), as ações da Hapvida (HAPV3) já despencaram 75%. E, pelo que indicam os números do quarto trimestre de 2025 divulgados na noite da véspera, os dias difíceis da operadora de saúde ainda estão longe de terminar.
Com isso, às 10h25 (horário de Brasília), HAPV3 caía 10,84%, na abertura, para depois entrar em leilão nesta quinta-feira (19).
A companhia teve lucro líquido ajustado de R$ 180,6 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 64,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
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De outubro a dezembro, o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, da sigla em inglês) ajustado totaliza R$ 713,8 milhões, queda de 32,8%. O Bradesco BBI apontou resultados fracos no 4T25, com Ebitda 28% abaixo das estimativas do banco e prejuízo líquido em termos ajustado sde R$ 41 milhões, ante expectativa de lucro de R$ 121 milhões.
A geração de caixa livre foi negativa em R$ 548 milhões (versus estimativa positiva de R$ 100 milhões), refletindo Ebitda menor, conversão mais baixa de caixa operacional (34%, ante 52% no 4T24) e capex (investimentos) elevado, de R$ 419 milhões. A receita cresceu 5,9% no comparativo anual, a R$ 7,914 bilhões, mas os desligamentos foram piores que o esperado, com perda líquida de 140 mil vidas, concentrada no estado de São Paulo e abrangendo todos os tipos de contrato.
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A margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) ajustada caiu para 7%, 2,8 pontos percentuais abaixo das estimativas, devido ao aumento da sinistralidade (MLR) em 0,3 ponto percentual no trimestre —influenciado por defasagem entre uso e faturamento da rede credenciada, ramp-up (maturação) da rede própria, redução sazonal tardia de volumes, expansão deliberada da rede assistencial e maior demanda no inverno mais seco do Sul e Sudeste.
As despesas gerais e administrativas ajustadas também subiram, impulsionadas por contingências, assim como as despesas comerciais, com maiores gastos em comissões e marketing.
O Itaú BBA apontou que este foi mais um final de ano difícil para a companhia, com os principais indicadores de desempenho (KPIs) da empresa continuando a apontar para uma dinâmica operacional desfavorável.
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“Apesar de nossas premissas já conservadoras, os resultados do 4T25 ficaram abaixo do esperado. Destacamos a contínua rotatividade de clientes, bem como a pressão sobre o caixa e o fluxo de caixa livre (FCF)”, aponta.
Assim, o Ebitda ficou 23% abaixo de suas estimativas, com uma margem de 7,0%, o que impacta a perspectiva do BBA para as margens de 2026 (com o consenso ainda em torno de 9-10%).
“No geral, os resultados ficaram abaixo das expectativas e sugerem desafios contínuos na área de rentabilidade”, ressaltou, projetando reação negativa do mercado e apontando ficar de olho nas falas de executivos pós-4T para obter mais esclarecimentos sobre a probabilidade de os níveis atuais de margem persistirem nos próximos trimestres, o escopo para o reequilíbrio de custos e despesas e as iniciativas comerciais em andamento para reduzir a rotatividade de clientes e fortalecer a competitividade.
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O BBI também já projetava reação negativa do mercado, mesmo após a forte queda das ações no acumulado do ano. “A deterioração da sinistralidade (MLR), a perda relevante de beneficiários e o consumo de caixa reforçam um trimestre operacionalmente fraco. Para 2026, trabalhamos com margem Ebitda de 9,5%, e cada 1 ponto percentual abaixo desse nível reduz em aproximadamente R$ 40 milhões o lucro projetado de R$ 550 milhões —sendo que o trimestre entregou um desvio de 2,8 pontos percentuais”, avalia.
A dinâmica de crescimento moderado de receita, combinada com a perda líquida de vidas e maior pressão sobre custos, aumenta a incerteza sobre melhora no curto prazo, mantendo postura cautelosa diante da visibilidade limitada sobre recuperação de margens, estabilização de base de beneficiários e conversão de caixa.
Para o Morgan Stanley, o 4T25 reforça a sua visão de que os desafios da Hapvida no Sudeste são cada vez mais estruturais, com a pressão agora atingindo a geração de caixa e o balanço patrimonial. “Mantemos nossa recomendação de cautela, pois o valor intrínseco ainda aponta para potencial de alta, mas vemos um risco crescente de que 2026 possa ser mais fraco do que o esperado”, destaca, mantendo recomendação equalweight (desempenho em linha com a média do mercado, equivalente à neutra) e preço-alvo de R$ 16 para os papéis.
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O BBA tem recomendação equivalente, marketperform, com preço-alvo de R$ 15, enquanto o BBI possui recomendação outperform (equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 19.
Também com recomendação neutra, mas preço-alvo menor, de R$ 13,50, o JPMorgan aponta que o 4T refletiu uma combinação de perdas líquidas de beneficiários, baixo crescimento de tíquetes e sinistros/reclamações por habitante maiores do que o previsto, em função do aumento da disponibilidade de serviços com o fortalecimento da matriz própria e sazonalidade negativa mais acentuada do que o normal.
Além disso, a empresa consumiu aproximadamente R$ 480 milhões em caixa no trimestre — ajustando à variação da dívida líquida para recompra de ações e provisões técnicas.
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O banco vê que algumas das pressões reveladas nos resultados do 3º trimestre de 2025 provavelmente permanecerão pelo menos até 2026, levando a revisões para baixo do LPA (Lucro por Ação).
“Pelo menos por enquanto, a empresa não está capturando os benefícios dos investimentos estruturais para lidar com as restrições de capacidade, reduzir o volume de reclamações e melhorar a qualidade do serviço. Enquanto isso, o cenário competitivo permanece desafiador no Sudeste, com a Amil adotando uma postura comercial mais agressiva”, avalia.
Dito isso, os resultados do 4º trimestre de 2025 sugerem que a recuperação da lucratividade impulsionada por volumes e tíquetes maiores deve ser mais lenta do que o esperado. O banco tem Rede D’Or (RDOR3) como preferido para o setor de saúde na América Latina.