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terça-feira, março 3, 2026

Irã é principal comprador de milho brasileiro; Como conflito impacta commodities?

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(Bloomberg) — Traders de commodities agrícolas correram para ajustar posições com a escalada do conflito no Irã, que ameaça interromper cadeias de suprimento de milho, farelo de soja, fertilizantes e açúcar.

O presidente Donald Trump afirmou que a campanha de bombardeios dos EUA contra o Irã pode durar semanas. O conflito já está repercutindo em todo o Oriente Médio e pressionando o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o comércio global de petróleo e outras commodities.

Na segunda-feira, o óleo de soja disparou até 3,9%, atingindo o maior nível em dois anos e meio, após fortes ganhos do petróleo bruto, que devem tornar mais atraentes os biocombustíveis produzidos a partir de matérias-primas agrícolas como soja e milho.

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“É uma espécie de tempestade perfeita para o óleo de soja, com a alta do petróleo aumentando a demanda por biocombustíveis”, disse Arlan Suderman, economista-chefe de commodities da StoneX, em nota.

Suderman também apontou para movimentos recentes do governo Trump para finalizar políticas de mistura de biocombustíveis e ampliar o uso de uma gasolina com maior teor de etanol, conhecida como E15. Pode haver mais incentivo para usar essa mistura se os preços da gasolina permanecerem em níveis elevados.

“Talvez o atual pico do petróleo dê algum suporte aos esforços legislativos para aprovar também as vendas de E15 durante o ano todo”, disse Suderman.

Leia também: Guerra no Irã entra no 4º dia em meio a “fumaça e sangue” e mercados globais desabam

Soja

O ataque ao Irã também abala as relações dos EUA com a China, que condenou os bombardeios. O conflito coloca em risco uma reunião marcada na China entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping e levanta dúvidas se o país asiático — o maior consumidor de soja do mundo — continuará garantindo o abastecimento da principal safra americana.

A China evitou comprar soja dos EUA durante boa parte da temporada em meio às tensões comerciais. Só recentemente o país voltou às compras para cumprir sua promessa de adquirir 12 milhões de toneladas nesta safra. Nas últimas semanas, Trump tem pressionado para que aumente esse compromisso.

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“Se a guerra com o Irã ainda estiver em curso no final de março, será politicamente difícil para Xi receber Trump em Pequim”, disse a AgResource Co. em nota. “Os laços políticos entre EUA e China estão se desgastando, o que, no mínimo, atrasará as compras de soja americana pela China — e pode até interrompê-las.”

Farelo de soja

O farelo de soja caiu até 2,7%, a maior queda desde novembro, já que o Irã é um importante importador dessa ração proteica para animais. Os preços também estão sob pressão “devido ao aumento da produção dos EUA e à alta nas tarifas de frete, que podem prejudicar futuras exportações de farelo de soja americano”, afirmou a AgResource.

Fertilizante

O conflito no Irã também ameaça interromper um importante polo de produção e embarque de fertilizantes. A região do Golfo abriga algumas das maiores fábricas de fertilizantes do mundo, e o Estreito de Ormuz responde por cerca de um terço do comércio global de nutrientes para lavouras — com preços já elevados que vêm pressionando agricultores.

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Trigo

O trigo caiu até 2,8%, devolvendo parte dos fortes ganhos da semana passada, enquanto traders aguardavam para ver se os embarques de grãos seriam afetados pelo conflito. Investidores haviam corrido para cobrir posições vendidas devido ao potencial de turbulência com uma intervenção dos EUA no Irã.

“O trigo liderou na semana passada, com intensa recompra de posições vendidas”, disse Matt Campbell, consultor de gestão de risco da StoneX, em nota. “Embora os impactos sobre oferta e demanda de trigo em um conflito com o Irã não sejam tão elevados, o dinheiro gerido preferiu ficar de fora enquanto tudo isso acontece.”

Milho

O mercado de milho está focado em possíveis interrupções nas exportações do Brasil, segundo maior exportador global do grão. O Irã é o principal comprador do milho brasileiro, respondendo por cerca de 22% dos embarques no ano passado. Embora o Brasil ainda não tenha concluído o plantio da maior de suas duas safras anuais de milho, uma interrupção prolongada no comércio com o Irã pode dificultar o escoamento de toda a produção brasileira, mesmo com a demanda doméstica do país devendo crescer.

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Os futuros de milho caíram até 1,1% em Chicago na segunda-feira.

Açúcar

O volume no mercado de açúcar subiu à medida que especuladores cobriram posições vendidas, reagindo aos preços mais altos da energia, segundo Mike McDougall, analista da McDougall Global View. O açúcar também é usado na produção de biocombustíveis, e a demanda pode ser impulsionada quando o petróleo sobe.

O prêmio do açúcar refinado em relação ao bruto também saltou. Isso porque o abastecimento de açúcar bruto para a maior refinaria independente do mundo, em Dubai, passa pelo Estreito de Ormuz, disse McDougall.

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“Futuros de energia e uma série de mercados de commodities estão adicionando um prêmio de guerra aos preços em meio ao conflito e às incertezas, incluindo sua duração e danos à infraestrutura,” afirmou a AgResource. “O setor terá que se acostumar a negociar em função de notícias militares por algumas semanas.”

Preços:

  • Óleo de soja subiu 1,5%, para 62,76 centavos de dólar por libra-peso, às 12h50 em Chicago
  • Soja caiu 0,6%, para US$ 11,6425 por bushel
  • Açúcar ficou praticamente estável

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© 2026 Bloomberg L.P.

[Fonte Original]

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