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segunda-feira, março 9, 2026

Educação tornou-se crítica para defesa nacional e preservação da democracia

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A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental, incluiu recentemente em seus estudos um novo domínio em que são travadas as guerras. Além dos tradicionais terra, mar e ar e dos recentes espaço e ciberespaço, os pesquisadores da Otan acrescentaram o “domínio cognitivo” como sexto campo de batalhas. Nesse novo campo, travam-se disputas em que se busca aguçar a polarização nas sociedades, minar a confiança em governos, manipular o discurso público, influenciar eleições e desestabilizar regimes democráticos por meio de campanhas de desinformação. Nos estudos da Otan, a Rússia é considerada uma ameaça direta nesse novo domínio, e a China é classificada como “desafio sistêmico”.

Em 2020, a Otan produziu o estudo “Otan 2030 — Unidos para uma Nova Era”. Embora o termo “guerra cognitiva” ainda não aparecesse de forma estruturada, o documento já dava ênfase às “ameaças híbridas” que visam a espalhar desinformação por meio de manipulação digital. Depois o conceito se tornou mais amplo e profundo. Ele tem relação com aspectos psicossociais de cada sociedade e se manifesta diariamente nos diversos meios de comunicação, que ganharam velocidade com o advento da internet e se tornam a cada dia mais insidiosos com a inteligência artificial (IA). A guerra cognitiva, na visão dos pesquisadores da Otan, pode ser definida como um conflito que se trava a cada momento na difusão da informação. A mente humana é seu principal campo de batalha.

É o que se vê cotidianamente nas redes sociais, onde circulam conteúdos fraudulentos para atingir todo tipo de adversário, sejam indivíduos, países, empresas ou instituições. Nos países democráticos, onde a população vota periodicamente, o choque entre diversos discursos para convencer o eleitorado é um dos poucos momentos em que a guerra cognitiva se dá de forma explícita, sobe à superfície.

A defesa contra essas armas depende do preparo das mentes atingidas por elas — ou, noutras palavras, de sua formação. Só uma população bem instruída é capaz de se proteger contra manipulações que, em última análise, podem colocar em risco o projeto nacional de perpetuar a democracia, como afirmou em sua coluna no GLOBO Priscila Cruz, presidente do movimento Todos Pela Educação. Ela faz um alerta: a baixa qualidade da educação no Brasil deixa a maior parte da população vulnerável à enxurrada de desinformação que circula pela internet. Está em jogo não apenas uma disputa política, mas o controle da mente numa sociedade desigual também na capacidade de discernimento diante do que é verdade ou mentira. Por isso investir em educação não é essencial apenas para o desenvolvimento econômico, mas também para a defesa nacional e para a preservação das liberdades e da democracia.

[Fonte Original]

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