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quinta-feira, março 26, 2026

Guerra no Irã será um choque duplo na economia global e terá forte impacto na inflação dos EUA, alerta OCDE

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A guerra no Irã terá um duplo impacto na economia global, reduzindo o crescimento e pressionando a inflação, alertou nesta quinta-feira a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo que reúne 38 países. O impacto no custo de vida será ainda mais forte nos Estados Unidos, onde a inflação este ano deverá ser de 4,2%, ante 3% previstos pela OCDE em dezembro.

Na média dos países do G-20, a inflação deve ficar em 4%, contra 2,8% da estimativa anterior.

As revisões para baixo no crescimento foram menos acentuadas no curto prazo, mas principalmente porque o impacto negativo da guerra com o Irã foi compensado por um desempenho melhor do que o esperado a atividade global no início do ano, antes do conflito.

Se não fosse a guerra, a OCDE afirmou que poderia ter revisado para cima sua previsão de crescimento global em 0,3 ponto percentual para 2026. Em vez disso, manteve essa projeção inalterada em 2,9% e reduziu sua estimativa para 2027 em 0,1 ponto percentual, para 3%.

“A amplitude e a duração do conflito são muito incertas, mas um período prolongado de preços mais altos de energia aumentará de forma significativa os custos das empresas e elevará a inflação ao consumidor, com consequências adversas para o crescimento”, afirmou a OCDE.

Para o Brasil, a OCDE prevê inflação de 4,1% este ano — inferior à dos Estados Unidos. A projeção ficou praticamente inalterada em relação a dezembro, quando a estimativa era de 4%. O PIB brasileiro deve ter expansão de apenas 1,5%, contra projeção anterior de 1,7%.

A OCDE é a primeira das principais instituições econômicas internacionais a atualizar formalmente suas projeções. Outros indicadores, como pesquisas empresariais, já começaram a apontar para um choque global sincronizado de atividade mais fraca e aumento de preços.

A organização também alertou que há um “risco significativo de baixa” para suas projeções decorrente de novas perturbações nas exportações do Oriente Médio, o que alimentaria a inflação, reduziria o crescimento e potencialmente provocaria uma reprecificação nos mercados financeiros.

A disrupção causada pela guerra com o Irã ocorreu justamente quando a economia global estava ganhando impulso com os investimentos em inteligência artificial, a redução das tarifas nos Estados Unidos e políticas monetárias e fiscais favoráveis.

A OCDE agora prevê que as taxas de juros de política monetária permaneçam inalteradas ao longo de 2026 tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido, enquanto projeta que o Banco Central Europeu realizará uma alta no segundo trimestre para garantir que as expectativas de inflação permaneçam sob controle.

“Os bancos centrais precisam permanecer vigilantes e garantir que as expectativas de inflação se mantenham bem ancoradas”, afirmou a OCDE.

A organização também instou governos que ainda carregam elevados níveis de dívida pública — acumulados por meio de gastos durante crises anteriores, como a pandemia — a evitarem subsídios e transferências generalizadas para mitigar os efeitos da disparada no preço do petróleo.

“Medidas para amenizar o impacto dos preços mais altos de energia devem ser oportunas, bem direcionadas às famílias mais necessitadas e às empresas viáveis, preservar incentivos para reduzir o consumo de energia e ter mecanismos claros de expiração”, disse a OCDE.

A organização também alerta para os efeitos da guerra no fornecimento de fertilizantes, já que o Oriente Médio é um polo produtor destes insumos agrícolas.

“O conflito também representa riscos mais amplos para as cadeias globais de suprimento. Os fertilizantes são uma preocupação particular, com os países do Golfo Pérsico respondendo por 34% das exportações mundiais de ureia e cerca de 20% das exportações de fosfato diamônico e amônia anidra em 2024”, diz o relatório.

A OCDE destaca ainda que o GNL (gás natural liquefeito) é um insumo importante para fertilizantes à base de nitrogênio, e os países do Golfo também produzem cerca de metade das exportações mundiais de enxofre, utilizado na fabricação de fertilizantes, bem como de outros produtos industriais.

“Se esse cenário persistir, haverá implicações negativas para a produtividade das safras e para os preços globais dos alimentos em 2027. Brasil, Índia, Austrália e África do Sul dependem, todos, de uma parcela relativamente alta de insumos essenciais para fertilizantes provenientes do Oriente Médio”.

[Fonte Original]

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