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domingo, março 22, 2026

Órgão pequeno e desconhecido influencia o risco de câncer e doenças cardíacas, revelam novos estudos

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Um órgão considerado “sem função” na vida adulta pode, na verdade, influenciar o risco de câncer, doenças cardiovasculares e a resposta a tratamentos oncológicos, descobriram cientistas.

A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, que investigaram a influência do timo no funcionamento do sistema imunológico.

O timo fica localizado atrás do esterno, o osso que conecta o centro das costelas. Ele é responsável pela maturação dos linfócitos T, essenciais para as defesas do corpo contra infecções e doenças. Como esse órgão encolhe gradualmente com o passar do tempo, acreditava-se que ficava inativo no início da vida adulta, sem papel relevante na produção de novos glóbulos brancos.

Agora, dois novos estudos da Universidade de Aarhus publicados na revista Nature contestam essa suposição. Em um deles, os pesquisadores se concentraram em pacientes com câncer que estavam recebendo imunoterapia, um tratamento que ativa os próprios linfócitos T para atacar tumores. Os resultados mostram uma ligação clara entre a saúde do timo e os desfechos do tratamento.

Nicolai Birkbak, professor do Departamento de Medicina Clínica da Universidade de Aarhus e do Departamento de Medicina Molecular do Hospital Universitário de Aarhus e um dos pesquisadores responsáveis pelos estudos, explicou ao site SciTechDaily que mostrou “uma diferença marcante na resposta dos pacientes à imunoterapia; aqueles com função tímica bem preservada respondem melhor e vivem mais”.

O pesquisador chamou o achado de “significativo e potencialmente transformador de paradigma”. Para Birkbak, o novo conhecimento pode influecniar a forma como os médicos passarão a abordar decisões terapêuticas e “não focar apenas no tumor ao decidir quais tratamentos oferecer”.

O estilo de vida pode influir na velocidade com que o timo regride com o passar do tempo. Fatores como tabagismo, obesidade e baixa atividade física parecem acelerar seu encolhimento, o que pode limitar a capacidade do corpo de produzir novos linfócitos T.

— Um timo com baixa função está associado a um maior risco de morte precoce e ao desenvolvimento de câncer ou doenças cardiovasculares — afirmou o pesquisador.

Os pesquisadores sugerem que, no futuro, pode ser possível identificar indivíduos cujo timo está se deteriorando mais rapidamente e explorar formas de desacelerar esse processo.

— Pode se tornar relevante identificar indivíduos com declínio rápido do timo e investigar se é possível retardar ou influenciar esse processo, reduzindo assim o risco de desenvolver doenças graves, como doenças cardiovasculares ou câncer — explicou Birkbak.

[Fonte Original]

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