A cápsula Orion da missão Artemis 2 está a todo vapor. Pouco após entrar em órbita depois do histórico lançamento, a espaçonave desdobrou com sucesso seus quatro painéis solares, que agora fornecem energia para o restante da jornada de 10 dias ao redor da Lua.
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“Nós vemos quatro SAWs implantados e travados”, comunicou o comandante Reid Wiseman ao controle da missão no momento em que os painéis se abriram. O termo “SAW” refere-se aos arranjos de asa solar, os painéis que se estendem a partir do Módulo de Serviço Europeu, fornecido pela Agência Espacial Europeia (ESA). Em configuração semelhante a uma asa em X, os quatro painéis geram mais de 11 quilowatts de energia — o suficiente para abastecer duas residências médias.
Manobra orbital
Em seguida, a Orion realizou uma manobra de elevação do perigeu, ajustando sua órbita para uma trajetória que agora oscila entre 185 quilômetros no ponto mais próximo da Terra e 2.222 quilômetros no ponto mais distante. A queima, executada com precisão, é uma das várias manobras programadas para os próximos dias, à medida que a espaçonave se prepara para a viagem rumo à Lua.
Lançamento histórico
Na noite desta quinta-feira (1), a NASA lançou com sucesso o superfoguete Space Launch System (SLS), levando a cápsula Orion com quatro astronautas rumo à órbita da Lua. Com duração prevista de 10 dias, a missão Artemis 2 deve proporcionar visões inéditas durante a volta completa ao redor do satélite natural da Terra.
Com transmissão ao vivo do Olhar Digital, o imponente foguete de 98 metros de altura decolou da plataforma LC-39B, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, às 19h35 (horário de Brasília), marcando o início do tão esperado primeiro voo tripulado do novo programa da NASA voltado à exploração lunar e ao espaço profundo.
Impulsionado por um par de propulsores laterais de cinco segmentos e quatro motores RS-25 de combustível líquido, o foguete passou pela pressão dinâmica máxima – o ponto de maior esforço sobre sua estrutura – cerca de 70 segundos após a decolagem, enquanto completava a curva de trajetória rumo ao espaço.]

Cerca de sete minutos após deixar a Terra, o estágio central do foguete completou sua queima de combustível e se separou do estágio superior, o Estágio de Propulsão Criogênico Intermediário (ICPS). Imediatamente, a cápsula Orion abriu seus painéis solares, garantindo energia para a viagem de ida à Lua.
Mais ou menos um minuto após a queda do propulsor sólido, o sistema de aborto da Orion se desprendeu, revelando a espaçonave ao vácuo do espaço pela primeira vez. Logo em seguida, o estágio principal do SLS se destacou, e o Estágio de Propulsão Criogênica Interina assumiu, conduzindo a Artemis 2 rumo à órbita.
A espaçonave entrou em órbita terrestre baixa por volta de 20 minutos depois da decolagem e deve completar duas voltas ao redor da Terra. Durante essa fase, a tripulação realiza todas as checagens de sistemas da nave, confirmando que motores, comunicação e equipamentos de suporte à vida estão funcionando perfeitamente. Engenheiros e controladores de missão acompanham cada passo para manter a trajetória exata e garantir total segurança.
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Com todos os sistemas estáveis, a queima de Injeção Translunar (TLI) deve ser realizada, colocando a Orion na rota rumo à Lua. Agora, a cápsula segue milhares de quilômetros além da órbita terrestre, estabelecendo um novo recorde de distância percorrida por humanos. Mesmo sem pousar na Lua, a Artemis 2 deve entrar para a história, abrindo caminho para futuras missões e preparando o retorno da humanidade à superfície lunar.

Lucas Soares
Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi repórter da RedeTV!, onde cobriu política, saúde e as eleições de 2018