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sábado, abril 4, 2026

FMI faz novo alerta sobre abalos da ‘maior crise energética da história’ ao crescimento global

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou o tom de alerta sobre os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio, destacando — em artigo publicado nesta sexta-feira em seu blog — que o choque já atinge energia, comércio e mercados financeiros, com impactos globais, porém desiguais. Em análise publicada nesta semana, a instituição afirma que o conflito “está afetando vidas e meios de subsistência” e “obscurece as perspectivas de muitas economias que haviam acabado de mostrar sinais de uma recuperação sustentada”.

O FMI projetava crescimento global de 3,3% em 2026 antes da escalada da guerra, mas agora indica que o número será revisado para baixo, ao alertar que o choque energético levará a “preços mais altos e crescimento mais lento”. Estimativas de mercado apontam para cortes de 0,3 a 0,5 ponto percentual, caso o cenário da guerra não se agrave além da situação atual.

Segundo o Fundo, “o choque é global, porém assimétrico”: países importadores de energia, economias mais pobres e nações com reservas externas limitadas estão entre os mais vulneráveis. Já exportadores de commodities energéticas tendem a se beneficiar parcialmente da alta de preços — desde que consigam manter seus fluxos de exportação.

O principal canal de transmissão é o mercado de energia — e é nesse ponto que o tom do alerta se intensifica, explica o texto. O FMI destaca que o fechamento do Estreito de Ormuz, combinado com danos à infraestrutura regional, provocou uma disrupção sem precedentes. Citando a Agência Internacional de Energia (AIE), o Fundo afirma que se trata da “maior perturbação no mercado global de petróleo da sua história”. Para países importadores, o efeito equivale a um “imposto elevado e repentino sobre o rendimento”, pressionando a inflação e as contas externas.

Mencionando que na Europa e na Ásia o aumento dos custos de energia já encarece a produção industrial e reduz o poder de compra, o Fundo observa que o choque reacende temores semelhantes aos da crise energética de 2021-2022 — entre a o choque de demanda causado pelo fim da pandemia de covid e a pela invasão da Rússia à Ucrânia —, com impacto mais intenso em economias dependentes de gás. Em paralelo, moedas de alguns emergentes começam a refletir pressões sobre o balanço de pagamentos.

A instituição também chama atenção para o efeito em cadeia sobre o comércio global. O redirecionamento de rotas marítimas e aéreas “aumenta os custos de frete e seguro, além de prolongar os prazos de entrega”, agravando gargalos logísticos. A interrupção no fluxo de fertilizantes — cerca de um terço também passa por Ormuz — ocorre em um momento crítico para o plantio no hemisfério norte, ampliando o risco de alta nos preços de alimentos.

Esse impacto tende a ser particularmente severo em países de baixa renda. O FMI destaca que “os mais vulneráveis serão os mais afetados” e alerta que, nesses casos, o choque deixa de ser apenas econômico e ganha dimensão social, já que a alta de alimentos pode gerar pressões mais amplas sobre a estabilidade.

O cenário descrito pela instituição converge para uma combinação adversa de inflação mais alta e crescimento mais fraco. “Todos os caminhos levam a preços mais altos e crescimento mais lento”, resume o documento. Em caso de conflito prolongado, a energia tende a permanecer cara por mais tempo, dificultando o trabalho de bancos centrais e elevando o risco de desancoragem das expectativas.

Nos mercados financeiros, o impacto já se traduz em queda de bolsas, alta de rendimentos de títulos e maior volatilidade. Segundo o Fundo, “a guerra desestabilizou os mercados financeiros” e “apertou as condições financeiras em todo o mundo”, complicando o financiamento de governos e empresas — sobretudo em economias emergentes e de baixa renda.

Por outro lado, países com mercados de capitais mais desenvolvidos ou grandes exportadores de commodities — como o Brasil — tendem a absorver melhor parte das tensões, ainda que não estejam imunes ao aumento do risco global.

Para o FMI, a combinação de choques ocorre em um momento delicado, marcado por níveis elevados de endividamento e menor espaço fiscal em diversas economias. Diante disso, a instituição defende respostas calibradas às condições de cada país e reforça a necessidade de apoio internacional. “Em um mundo incerto, mais países precisam de mais apoio. Estamos aqui para eles”, afirma a diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, no documento.

[Fonte Original]

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