Os contratos futuros do petróleo caíram mais de 13% nesta quarta-feira (8), marcando sua maior baixa diária em seis anos, após os Estados Unidos e o Irã concordarem em um cessar-fogo de duas semanas, com negociações para um “acordo definitivo” previstas para acontecerem no Paquistão no fim de semana. No entanto, os preços do petróleo saíram das mínimas do dia em meio a notícias de que esse cessar-fogo teria sido violado, com ataques de Israel ao Líbano e o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.
No fechamento, o petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em junho teve queda de 13,28%, cotado a US$ 94,75 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (a referência americana) com entrega prevista para maio recuou 16,41%, a US$ 94,41 por barril, marcando sua maior queda diária desde o dia 27 de abril de 2020.
O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz, após novos ataques de Israel ao Líbano, o que fez com que os preços do petróleo diminuíssem as perdas, embora ainda tenham terminado em forte queda. Mais cedo, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do país islâmico havia concordado em reabrir a via marítima por duas semanas, desde que todos os ataques fossem interrompidos, segundo uma declaração do ministro das Relações Exteriores do Irã.
Pela tarde, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que três cláusulas do cessar-fogo foram violadas pelos Estados Unidos, acrescentando que, diante desta situação, negociações seriam pouco razoáveis. Antes, o presidente americano, Donald Trump, havia dito que a proposta de dez pontos parecia uma “base viável para negociação” em sua rede social, a Truth.
Neil Crosby, analista da Sparta Commodities, acredita que o plano de dez pontos do Irã parece um acordo inaceitável para os Estados Unidos e seu cenário-base é de que o risco de alta de preços do petróleo volte a se intensificar nas próximas duas semanas. “Várias partes do mercado parecem ter ficado excessivamente pressionadas ou se corrigido além da conta”, ele opina.