A exportação de soja do Brasil foi estimada nesta quinta-feira em 15,78 milhões de toneladas em abril, aumento de 2,28 milhões de toneladas em relação ao mesmo mês do ano passado, na medida em que os embarques de uma safra recorde ganham ritmo, de acordo com a primeira projeção da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).
O volume representaria uma ligeira queda em relação a março, quando os embarques de soja somaram um recorde para qualquer mês de 15,84 milhões de toneladas, com alta anual de aproximadamente 100 mil toneladas, conforme os dados da Anec, a maior marca anterior era de março do ano passado.
“O Brasil alcançou um volume recorde de exportação de soja no mês de março… Com a produção em constante expansão, é natural esperar novos recordes mensais, reforçando a posição do país como o maior produtor e fornecedor mundial de soja”, disse a Anec, em comentário enviado à Reuters.
Segundo a associação, as exportações tomaram “bom ritmo” em março após os embarques terem ficado abaixo das expectativas em meses anteriores por chuvas e um atraso na colheita.
A safra brasileira de 2026, já com colheita superando 80% da área até a primeira semana de abril, havia sido estimada em março em recorde de 177,85 milhões de toneladas, alta de 3,7% sobre 2025, segundo dados da Abiove, associação de tradings e processadoras, assim como a Anec.
Março é tradicionalmente um dos meses com maiores volumes exportados da oleaginosa pelo Brasil, justamente por contar com a soja recém-colhida, mas houve relatos de intercorrências no início do mês, como a suspensão de embarques pela Cargill, enquanto o Ministério da Agricultura adotava uma fiscalização fitossanitária mais rigorosa para exportações à China, maior importador.
Depois disso, uma missão do governo brasileiro e do setor privado esteve no país asiático para discutir um novo protocolo fitossanitário para a exportação à China.
Para o mês de abril, a programação de navios prevê embarques de 16,7 milhões de toneladas de soja, disse a Anec.
O “lineup” robusto indica a possibilidade de revisões para cima na projeção para abril, além de indicar uma pacificação na questão relacionada à China, principal importador.
Nos três primeiros meses de 2026, a China foi destino de 75% das exportações brasileiras de soja, seguida da Espanha (5%), Turquia (4%), Tailândia (3%), entre outros, como Paquistão, Argélia, México, Holanda, Taiwan e Irã, segundo dados da Anec.
Mantida a atual previsão para abril, as exportações brasileiras de soja devem somar 42,86 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre de 2026, crescimento de cerca de 7% em relação ao mesmo período do ano passado, com avanços em janeiro, quando havia mais estoques da safra anterior, além de março e abril.
Efeitos da guerra
Já a exportação de farelo de soja do Brasil deve alcançar 2,7 milhões de toneladas em abril, contra 2,15 milhões no mesmo período do ano passado e 2,24 milhões de toneladas em março, segundo a Anec.
A projeção de crescimento nos embarques, indicando maior oferta e demanda pelos produtos do Brasil, acontece apesar de custos mais altos na exportação, decorrentes da guerra no Irã, apontou a Anec.
“O elevado nível de risco tem pressionado fortemente os custos logísticos, com destaque para o aumento expressivo dos fretes marítimos e dos prêmios de seguro”, afirmou a associação.
“Esse encarecimento não se restringe às rotas com destino ao Golfo (Pérsico), estendendo-se a outras regiões e impactando o custo da tonelada exportada para mercados relevantes, como a China”, acrescentou o relatório, citando fretes marítimos subindo de US$ 35-40 por tonelada para US$ 50-60 por tonelada.
A Anec lembrou ainda que, no caso do Irã, importante importador de milho do Brasil, os embarques do cereal são mais volumosos no segundo semestre, quando entra a segunda safra.
“Assim, os impactos sobre esse mercado ainda são limitados, desde que o conflito não se intensifique ou se prolongue até o próximo semestre, período posterior à colheita e ao escoamento da segunda safra”, afirmou.
Mesmo assim, de janeiro a março, o Irã foi destino de 20% do total exportado de milho pelo Brasil, segundo a Anec. No período, o país, segundo exportador global do cereal, embarcou pouco mais de 5 milhões de toneladas para todos os importadores.
A Anec relatou ainda embarques crescentes de DDGS, coproduto da fabricação de etanol de milho que é usado para ração animal, assim como o farelo de soja.
O país deve fechar o quadrimestre com exportações de 443,6 mil toneladas, mais do que a metade dos embarques feitos em todo o ano passado. Neste ano, o Brasil fez suas primeiras exportações de DDGS para a China, o que ajuda a explicar o crescimento.