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Cenários
As decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, divulgadas na quarta-feira (28), produziram efeitos distintos sobre as expectativas dos investidores. No entanto, elas tiveram um ponto em comum: ambas foram um pouco diferentes das expectativas do mercado. No caso brasileiro, a surpresa veio com a confirmação de início do corte de juros já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para março.
O Copom manteve a Selic em 15,00% ao ano, decisão unânime e amplamente esperada. O diferencial esteve no comunicado. O Copom afirmou de forma explícita que a estratégia adotada “tem se mostrado adequada” e abriu espaço claro para o início do ciclo de afrouxamento monetário já na próxima reunião, apesar de o texto frisar que “o compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo”.
O Comitê ressaltou que o ritmo e a magnitude da flexibilização dependerão da confiança no cumprimento da meta de inflação no horizonte relevante. Ainda assim, o uso de termos como “calibragem” e “serenidade” reforçou a leitura de que o ciclo começará de forma gradual, provavelmente com um corte de 25 pontos-base. Parte do mercado ainda trabalha com a hipótese de um ajuste maior, de 50 pontos-base, conforme indicado pela mediana do Boletim Focus.
A mensagem do Banco Central levou a uma reprecificação da curva de juros. A expectativa dominante é que a Selic permaneça acima do nível neutro por um período prolongado, mesmo com o início do afrouxamento. Projeções revisadas apontam para uma taxa básica em torno de 11,50% ao fim de 2026, com cortes mais intensos a partir de abril.
Nos Estados Unidos, como esperado, o Federal Open Market Committee (Fomc) manteve os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. Os investidores também esperavam pelo menos uma indicação de novos cortes de juros nas reuniões de março ou de abril, mas o que veio foi justamente o oposto.
O comunicado destacou que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido e que o mercado de trabalho apresenta sinais de estabilização. Na coletiva, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (FED), o banco central americano, afirmou que muitos diretores do FED têm dificuldade em classificar a política monetária como significativamente restritiva.
A avaliação reforçou a percepção de que o FED não tem pressa para iniciar cortes. A leitura de uma economia aquecida reduz o espaço para flexibilização no curto prazo. Ainda que os contratos futuros indiquem dois cortes de 25 pontos-base até o fim de 2026, o banco central deixou claro que a decisão seguirá estritamente dependente dos dados.
O contexto político adiciona ruído. Declarações do presidente Donald Trump sobre a sucessão no comando do FED e investigações envolvendo Powell e a diretora Lisa Cook levantaram preocupações sobre a independência da autoridade monetária, embora não tenham alterado a decisão imediata.
Perspectivas
As cotas do Exchange Traded Fund (ETF) EWZ iShares MSCI Brazil negociadas em Wall Street, assim como os contratos futuros dos principais índices americanos, estão em leve alta no pré-mercado.
Indicadores
Brasil
IGP-M (Jan)
Observado: + 0,41%
Esperado: + 0,41%
Anterior: – 0,01%
Estados Unidos
Pedidos iniciais de seguro-desemprego
Esperado: 206 mil
Anterior: 200 mil