A Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, revela em novo relatório que a energia nuclear fornece eletricidade limpa, fiável e acessível, representando cerca de 9% da produção global de eletricidade.
O estudo apresentado na terça-feira demonstra ainda que esta equivale a aproximadamente 25% de toda a eletricidade de baixo carbono, sem emissões de gases com efeito de estufa no ponto de geração.
Fonte de baixo carbono
Pelas projeções da agência, a capacidade nuclear operacional global poderá mais do que duplicar até 2050 num cenário elevado, atingindo 2,6 vezes o nível de 2024. A subida será impulsionada em parte pela implantação de pequenos reatores modulares, SMRs.
De acordo com a Aiea, a energia nuclear está entre as fontes de eletricidade mais limpas quando avaliada ao longo de todo o seu ciclo de vida, que inclui mineração de urânio, fabrico de combustível, construção, operação e desmantelamento das centrais.
Mesmo considerando todas estas fases, as emissões totais de gases com efeito estufa permanecem extremamente baixas, comparáveis às da energia eólica e inferiores às da energia solar.
Dados do Sistema de Informação sobre Reatores de Potência indicam que, em 20 de janeiro de 2026, estavam em operação 415 reatores em todo o mundo, com uma capacidade total de 376,0 GW(e).
Fiabilidade para satisfazer necessidades crescentes
A Aiea sublinha que as centrais nucleares fornecem energia de base fiável, operando quase continuamente a plena capacidade.
Esta característica contrasta com fontes renováveis variáveis, como a solar e a eólica, cuja produção depende das condições meteorológicas.
A energia nuclear complementa as renováveis ao suavizar a variabilidade e reduzir a dependência de combustíveis fósseis de apoio, sendo também considerada para responder à crescente procura de eletricidade por centros de dados.
Crescente mobilização de financiamento
O relatório destaca um aumento do impulso para financiar a energia nuclear.
A Aiea tem vindo a expandir a cooperação com instituições financeiras internacionais para apoiar países na exploração e financiamento de programas nucleares.
Paralelamente, 33 países endossaram a Declaração para Triplicar a Energia Nuclear, com o objetivo de triplicar a capacidade global até 2050.
A energia nuclear foi igualmente incluída no Balanço Global da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, COP28, em 2023, que apelou à sua implantação acelerada com outras fontes de baixo carbono.
Contributo para setores difíceis de descarbonizar
Segundo a Aiea, reatores de alta temperatura, SMRs e sistemas híbridos podem fornecer calor de baixo carbono para processos industriais em setores como o aço, o cimento e a indústria química.
A agência refere ainda o potencial da energia nuclear para apoiar o transporte marítimo, incluindo a eletrificação de portos e a propulsão nuclear.
A Aiea assinala que a tecnologia nuclear continua a evoluir, com novos desenhos de reatores que oferecem maiores margens de segurança, maior eficiência e vida útil prolongada.
Os SMRs são apontados como uma solução com prazos de construção mais curtos, menores custos iniciais e maior flexibilidade operacional.
O relatório destaca também os avanços em conceitos de reatores avançados e o progresso da fusão nuclear como potencial fonte de energia limpa a longo prazo, atualmente tida como prioridade estratégica de investigação e desenvolvimento em vários países.
A Aiea apoia os países que optam pela energia nuclear através do fornecimento de dados, análises e conhecimento técnico sobre o contributo da energia nuclear para a descarbonização e a ação climática.
Estas iniciativas visam reforçar capacidades nacionais, apoiar o planeamento energético e promover sistemas energéticos mais seguros, resilientes e com menor impacto ambiental.