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quinta-feira, fevereiro 12, 2026

Projeto quer erguer muro de 80 km para conter a Geleira do Juízo Final

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Um grupo internacional de pesquisadores e especialistas propõe uma intervenção inédita para tentar conter o avanço da chamada Geleira do Juízo Final, na Antártida. O plano prevê a construção de uma barreira submarina de mais de 80 quilômetros no fundo do mar, com o objetivo de reduzir o fluxo de água quente que está acelerando o derretimento da geleira Thwaites. A iniciativa é liderada pelo Seabed Curtain Project e surge diante do risco de colapso total da massa de gelo nas próximas décadas.

Conhecida oficialmente como geleira Thwaites, a estrutura de gelo está localizada na borda do continente da Antártida Ocidental, em uma região não reivindicada chamada Marie Byrd Land. Caso entre em colapso completo, poderia liberar água suficiente para elevar o nível global do mar em 65 centímetros, com impacto direto em cidades costeiras e nações insulares.

A geleira Thwaites, conhecida como Geleira do Juízo Final, fica na borda da Antártida Ocidental (Imagem: Hamin Kim / iStock)

Barreira submarina para conter o derretimento

A proposta prevê a instalação de uma cortina ancorada no leito marinho, com até 150 metros de altura, posicionada a uma profundidade de 650 metros. Para ter efeito significativo, a estrutura precisaria se estender por mais de 80 quilômetros. O custo estimado é de bilhões de dólares, e a construção teria de resistir a algumas das condições ambientais mais severas do planeta.

Segundo Marianne Hagen, co-líder do Seabed Curtain Project e ex-vice-ministra das Relações Exteriores da Noruega, o desafio técnico não deve impedir a exploração da ideia.

Se for possível retirar 65 centímetros da elevação do nível global do mar com uma única intervenção direcionada em um local específico, estou disposta a explorar isso. Acho que temos a obrigação de fazê-lo.

Marianne Hagen, co-líder do Seabed Curtain Project e ex-vice-ministra das Relações Exteriores da Noruega, ao IFLScience

Uma ilustração de uma cortina ancorada ao leito marinho feita pela University of the Arctic, parceira do Seabed Anchored Curtain (Imagem: University of the Arctic)

Estudos indicam que o volume de gelo derretido que flui da Thwaites e de geleiras vizinhas mais que dobrou entre as décadas de 1990 e 2010, respondendo por 8% da atual taxa de elevação do nível do mar. O aquecimento das águas oceânicas tem permitido que correntes mais quentes atinjam a base da geleira, intensificando o degelo por baixo.

O projeto avalia duas possibilidades estruturais: uma barreira contínua ou várias cortinas fragmentadas, já que uma única estrutura sólida poderia sofrer forte arrasto de marés e correntes, funcionando como um grande paraquedas subaquático.

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Testes no Ártico e desafios diplomáticos

Antes de qualquer intervenção na Antártida, o grupo conduz estudos no Van Mijenfjorden, no arquipélago de Svalbard, no Ártico. O fiorde, naturalmente protegido por uma ilha em sua entrada, funciona como modelo para analisar os efeitos de uma barreira artificial na temperatura da água, na estabilidade do gelo e nos ecossistemas marinhos.

Em outro experimento liderado pela Arctic University of Norway, parceira do projeto, uma barreira em escala reduzida está sendo instalada em um fiorde no norte da Noruega. O objetivo é testar a viabilidade técnica em condições menos extremas. “Seria economicamente insano ir direto para Thwaites e começar a construir algo. Precisamos testar isso a um custo muito menor, em condições menos severas”, disse Hagen.

Foto espacial da Antártica
Além das dificuldades técnicas, existem questões geopolíticas que teriam que ser superadas para realizar uma intervenção no continente (Imagem: Artsiom P / Shutterstock.com)

Além dos obstáculos científicos e de engenharia, o plano pode gerar tensões geopolíticas. A Antártida é administrada pelo Sistema do Tratado da Antártida, estabelecido em 1959, que proíbe atividades militares e mineração e enfatiza a cooperação internacional. Pesquisas apresentadas em 2024 apontaram que um megaprojeto de geoengenharia na região poderia transformar o continente em objeto de discórdia internacional e até estimular sua militarização.

Hagen reconhece que qualquer decisão exigirá consenso entre diversos países. Ao mesmo tempo, ressalta que intervenções desse tipo não substituem a redução de emissões. Atualmente, mais de 99% dos cientistas concordam que os gases de efeito estufa são responsáveis pelas mudanças climáticas modernas, e a redução dessas emissões continua sendo considerada a medida mais eficaz para limitar o aquecimento global.


[Fonte Original]

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