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terça-feira, fevereiro 24, 2026

Isenção do IRPF: o Combustível de R$ 30 Bilhões Que Pode Blindar o PIB em 2026

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Enquanto o mercado financeiro repercute as informações positivas sobre o PIB do quarto trimestre de 2025, uma variável específica começou a roubar a cena nas mesas de análise: a nova faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF).

Desde janeiro de 2026 a isenção do IR já está em vigor. A medida zera impostos para quem ganha até R$ 5 mil e cria uma faixa de transição em que o desconto reduz linearmente até se extinguir para quem ganha a partir de R$ 7.350.

Segundo estudo recente do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval, a nova regra deve impulsionar em 0,3 ponto percentual (p.p.) o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026. O número é um “caso médio” que guia as projeções, mas o sucesso da medida dependerá da manutenção do fôlego do mercado de trabalho ao longo dos trimestres.

De acordo com dados da Receita Federal, o banco estima ainda que a medida beneficie 17 milhões de brasileiros, sendo que 11 milhões não pagarão nenhum imposto e 6 milhões ficarão na faixa de transição. A renúncia fiscal total será de cerca de R$ 30 bilhões/ano.

Para onde vai o dinheiro?

A nova regra do IR deve atingir as famílias de classe média e baixa (que recebem entre 2 e 5 salários-mínimos), grupo com alta propensão a consumir. O relatório aponta que o setor de Habitação e Utilidades será o maior beneficiado, absorvendo R$ 10,2 bilhões do total de consumo estimado (34,1% do total).

-Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, explica a lógica por trás dessa concentração: “Já existe um gasto muito alto com habitação, especialmente entre a população atingida (pela isenção do IR). Quando as famílias têm renda extra, grande parte desse dinheiro acaba sendo direcionado para essa finalidade, que é talvez o maior gasto dessas famílias junto com alimentação.”

Na sequência dos setores mais impactados aparece Transporte e Veículos (R$ 4,1 bilhões), que deve registrar um efeito heterogêneo, com os consumidores migrando para itens menos essenciais, como a alimentação fora do domicílio.

O papel do Banco Central

Os dados do relatório conversam com o otimismo cauteloso que monitora a resiliência do consumo das famílias frente à política monetária. Para Cardoso, o efeito no PIB será sentido de forma imediata no início de 2026. “É possível um crescimento de 0,8% ou 0,9% no primeiro trimestre do ano de 2026 (comparado ao 4º trimestre de 2025), muito por conta da isenção do IR”, projeta o economista.

Contudo, esse dinamismo traz consigo um “goleiro” atento: o Banco Central.

Como a isenção gera um choque de demanda, o risco inflacionário no curto prazo aumenta. Segundo Cardoso, a política monetária atuará como uma variável de ajuste. “Se esse consumo resultar em uma inflação mais alta, o Banco Central não vai ficar parado e vai cortar menos os juros.”

E a indústria?

Pela ótica da oferta, o relatório do Daycoval destaca que o ganho de PIB se distribuirá inicialmente no setor de serviços. A indústria, por sua vez, deve demorar um pouco mais para sentir. De acordo com o levantamento, o setor industrial reagirá “a reboque”, o que significa que os efeitos serão em cadeia.

Cardoso reforça que o termômetro para a indústria será o varejo: “Se a gente vê o consumo das famílias acontecendo, especialmente no varejo, comprando bens industrializados, a indústria deveria vir a reboque na reposição de estoque. O primeiro passo será avaliar para onde o consumo realmente está indo.”

[Fonte Original]

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