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terça-feira, fevereiro 24, 2026

Por Que a Ducati Diz Não Às Motos Autônomas Mesmo com Avanço da Tecnologia?

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O CEO da Ducati, Jason Chinnock, disse em voz alta o que muitos evitam: motocicletas autônomas nunca vão acontecer sob sua gestão. Nem em cinco anos, nem em cinquenta. E, desta vez, o “não” definitivo não tem a ver com limitações de engenharia. É sobre identidade.

Em um mundo em que a autonomia é tratada como o destino inevitável do transporte, a posição da Ducati é basicamente: “Legal, mas não é para isso que existimos.” O argumento de Chinnock é simples. Uma moto não é um meio de transporte utilitário. É uma experiência. Se você remove o piloto, remove o produto.

Todo o valor de uma motocicleta não está em levá-lo de um ponto A ao ponto B. Está no que acontece entre esses pontos — a inclinação, o acelerador, o feedback no guidão, a pressão do vento, o foco, aquele leve senso de risco que faz o cérebro se sentir vivo.

Motocicletas autônomas também não são exatamente uma novidade. Há três anos, a Yamaha apresentou a Motoroid 2, uma moto elétrica que se conduz sozinha e não tem guidão nem controles tradicionais. O modelo se equilibra com giroscópios e usa inteligência artificial com reconhecimento de imagem para se manter estável e navegar, podendo inclusive rodar sem ninguém a bordo.

“A Motoroid 2 é um veículo de mobilidade pessoal que pode reconhecer seu dono, sair do descanso lateral e se mover ao lado do piloto”, afirmou a empresa. A BMW também tem um protótipo de motocicleta autônoma.

Esse é o ponto filosófico que costuma se perder quando se fala de autonomia como algo universal. Primeiro: ninguém precisa de uma moto. Motocicletas — especialmente as premium — estão muito mais ligadas a paixão, liberdade e controle, em um mundo em que quase nada parece estar sob nosso controle.

Ninguém compra uma Ducati Panigale V4 porque precisa de um meio racional de ir ao trabalho. Compra porque quer pilotar. A autonomia não “melhora” isso. Ela elimina.

Isso não significa, no entanto, que a Ducati seja contra tecnologia. A marca — assim como outras fabricantes premium — já equipa suas motos há anos com recursos eletrônicos: controle de tração, ABS em curvas, controle de empinada, quick-shifter, acelerador eletrônico.

Mais recentemente, avançou para assistentes com radar, como piloto automático adaptativo e alerta de ponto cego. A linha que a Ducati traça é clara. A tecnologia é um copiloto. Pode ajudar na segurança — embora ninguém vá dizer que pilotar uma moto é seguro — e suaviza dificuldades para pilotos menos experientes ou em situações de emergência. Mas não pode assumir o controle e ainda ser chamada de motocicleta.

Por que isso importa além do nicho dos entusiastas? Porque a Ducati está dizendo algo maior do que “motociclismo é incrível”. Está questionando um hábito da indústria de tecnologia: desenvolver capacidades primeiro e só depois perguntar quem realmente quer aquilo. A autonomia faz sentido quando o objetivo é reduzir estresse, acidentes ou custos em tarefas repetitivas.

Mas o mercado de motocicletas não é, em essência, um mercado de redução de esforço, como o das bicicletas elétricas. É, antes de tudo, um mercado de emoção. E isso define para onde vai o investimento, quais recursos ganham prioridade e como as marcas evitam transformar seus produtos em meros eletrodomésticos sem alma.

Há também um choque de realidade nisso tudo. O público de motociclistas está envelhecendo. Menos jovens estão tirando habilitação. A tentação é resolver isso automatizando as partes difíceis. A aposta da Ducati é o oposto: tornar as motos mais seguras e acessíveis, sem tirar o ser humano do centro da experiência.

*Matéria originalmente publicada em Forbes.com

[Fonte Original]

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