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quarta-feira, março 18, 2026

Em visita à China, premiê alemão elogia laços com o país visando reaproximação

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O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, defendeu nesta quarta-feira parceria e diálogo com a China durante visita a Pequim. Ele pretende redefinir as relações em meio a um crescente déficit comercial do país europeu com a segunda maior economia do mundo (China).

Na primeira visita à China como premiê, Merz, acompanhado por uma grande delegação empresarial, disse ao presidente chinês, Xi Jinping, que deseja aprofundar os laços econômicos com a China, maior parceiro comercial da Alemanha em 2025.

“Há desafios que devemos discutir hoje, mas o quadro em que operamos é excepcionalmente bom e trabalhamos muito bem juntos nas últimas décadas”, afirmou Merz.

Xi, que tem buscado posicionar a China como um parceiro confiável em um mundo cada vez mais imprevisível, acolheu os comentários de Merz, que enfrenta o difícil equilíbrio de redefinir uma relação econômica cada vez mais desfavorável aos interesses alemães.

Na ocasião, Xi declarou que “quanto mais turbulento e interligado o mundo se torna, mais China e Alemanha precisam fortalecer a comunicação estratégica e ampliar a confiança mútua”.

Em uma reunião anterior com o primeiro-ministro da China, Li Qiang, Merz afirmou haver “preocupações muito específicas em relação à cooperação, que queremos melhorar e tornar mais justa”.

Os comentários de Merz refletem preocupações antigas da Alemanha sobre o que Berlim considera ser um yuan desvalorizado, subsídios que distorcem o mercado e o excesso de capacidade entre exportadores chineses, que construíram grandes superávits comerciais com a maior economia da Europa — totalizando 90 bilhões de euros (US$ 106 bilhões) no ano passado.

Merz observou que o déficit comercial quadruplicou desde 2020 e disse que isso se deve, em grande parte, ao excesso de capacidade. “Essa dinâmica não é saudável”, afirmou a jornalistas após as reuniões.

Ao mesmo tempo, a visita ressaltou a importância vital do vasto mercado consumidor chinês e a sofisticação tecnológica dos fabricantes.

“Queremos investimento chinês na Alemanha”, disse Merz em um evento com a presença de empresários alemães e chineses dos setores de tecnologia e automotivo.

Uma declaração conjunta divulgada pela agência estatal Xinhua afirmou que a visita “injetou novo impulso no desenvolvimento da parceria”, e Merz disse que a China encomendou 120 aeronaves da fabricante europeia Airbus.

“Ambos os lados estão dispostos a resolver adequadamente suas respectivas preocupações por meio de um diálogo franco e aberto”, afirmou o comunicado.

Li pediu que ambos os lados trabalhem juntos para proteger o multilateralismo e o livre comércio, em um comentário visto como referência à guerra comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“China e Alemanha, como duas das maiores economias do mundo e países de grande influência, devem fortalecer nossa confiança na cooperação, salvaguardar conjuntamente o multilateralismo e o livre comércio e se esforçar para construir um sistema de governança global mais justo e equitativo”, disse Li.

O primeiro-ministro chinês também declarou que a China deseja cooperar em áreas como automóveis e produtos químicos, além de campos emergentes, incluindo inteligência artificial e biomedicina.

Segundo relato da reunião divulgado pela Xinhua, Li afirmou que a China irá “atender ativamente às demandas razoáveis de empresas alemãs com investimento estrangeiro” e que está disposta a importar mais produtos alemães de alta qualidade. Ele também incentivou empresas chinesas a investir na Alemanha.

Não houve acordo de grande impacto

Apesar dos apelos por maior engajamento, os acordos formalizados por Merz e Li após a reunião foram bastante específicos e concentrados em setores periféricos para ambas as economias.

Os cinco documentos assinados abrangem esforços contínuos em mudanças climáticas e transição verde, cooperação na prevenção de doenças animais e um protocolo sobre produtos avícolas, além de acordos de colaboração esportiva em futebol e tênis de mesa.

O acordo ficou aquém em relação aos do Canadá e do Reino Unido com os chineses, que, respectivamente, assinaram oito e 12 documentos no mês passado, durante visitas do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à China.

Ainda assim, a parte final da visita de Merz, com foco empresarial, pode resultar na assinatura de mais acordos.

Ele está acompanhado por uma delegação de 30 empresas, incluindo grandes montadoras como Volkswagen e BMW, que vêm sentindo fortemente a concorrência chinesa — contribuindo para o crescente desequilíbrio comercial que suscitou pedidos por políticas protecionistas.

“Hoje, estamos estreitamente conectados. Isso abre oportunidades, mas também apresenta riscos”, disse ele. “Queremos evitar esses riscos no interesse de ambas as partes”, acrescentou, citando problemas nas cadeias de suprimentos enfrentados por fabricantes alemães no ano passado, quando a China apertou controles de exportação sobre chips básicos e terras raras essenciais.

A China busca se apresentar como um parceiro econômico confiável, enquanto a Europa tenta lidar com vulnerabilidades nas cadeias de suprimentos e com preocupações sobre a crescente dependência da China.

O engajamento entre a maior economia da Europa e a China pode preparar o terreno para as relações entre União Europeia e China neste ano.

O mercado chinês, antes cobiçado por empresas estrangeiras por sua ampla base de consumidores e crescente poder de compra, mudou nos últimos anos, com a desaceleração econômica limitando a demanda e o excesso de capacidade industrial, levando empresas domésticas a buscar oportunidades no exterior.

Em editoriais antes da visita, a mídia estatal chinesa destacou o potencial da cooperação entre UE e China para se tornar uma força estabilizadora, enquanto as políticas tarifárias dos Estados Unidos desorganizam o comércio global.

O jornal estatal Global Times afirmou que as preocupações com a concorrência chinesa seriam superadas pela atração do enorme mercado do país.

“Retóricas como ‘rival sistêmico’ e ‘redução de riscos’ por vezes complicaram a política alemã para a China”, disse o jornal em editorial publicado na manhã de quarta-feira.

O editorial concluiu que “contudo, o entusiasmo e as ações da comunidade empresarial alemã falam mais alto do que slogans políticos”.

[Fonte Original]

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