21.5 C
Brasília
terça-feira, março 3, 2026

Ibovespa tem dia volátil com tensões no Oriente Médio, mas encerra em alta com disparada da Petrobras

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

No primeiro pregão após a eclosão dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que terminaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, o Ibovespa passou por um dia de forte oscilação. Em meio ao aumento da aversão a risco nos mercados globais, a principal referência acionária local abriu fortemente pressionada e chegou a arriscar perder os 186 mil pontos logo no começo da manhã, ao tocar os 186.638 pontos, na mínima intradiária.

Com a abertura de Nova York, no entanto, o índice se afastou das mínimas e passou a negociar em queda moderada. Durante a tarde, porém, a virada dos índices americanos para o campo positivo alimentou uma mudança de direção na bolsa local, o que impulsionou o Ibovespa a tocar os 190.110 pontos, na máxima do dia. O movimento, no entanto, não durou muito. O índice devolveu parte da alta na reta final do pregão, quando o Irã informou que o Estreito de Ormuz foi fechado e que o país atacará navios que tentarem cruzar a região.

Com isso, após oscilar bastante, o Ibovespa encerrou em alta de 0,28%, aos 189.307 pontos, distante da máxima registrada durante a tarde. As bolsas americanas também se afastaram do ápice visto na sessão: no fim, o Dow Jones recuou 0,15%; o S&P 500 fechou estável (-0,04%); e o Nasdaq teve alta de 0,36%.

Em um dia de avanço expressivo nos preços de petróleo, as ações da Petrobras dispararam: as PN subiram 4,58%, enquanto as ON avançaram 4,63%. O giro financeiro das ações preferenciais e ordinárias da companhia, somadas, também foi expressivo e bateu R$ 4,2 bilhões. A título de comparação, na sexta-feira anterior, o volume negociado bateu R$ 2,1 bilhões.

Já as ações da Vale fecharam em queda de 0,35%, após subir no começo do pregão. Bancos, por sua vez, encerraram mistos: as PN do Itaú Unibanco lideraram as perdas, no valor de 1,81%; já as PN do Bradesco exibiram valorização de 0,38%.

Outro destaque na sessão foi o volume negociado em papéis da Prio, que alcançou R$ 1,7 bilhão. Hoje, as ações da petroleira encerraram em alta de 5,12% diante do forte avanço do óleo bruto.

Segundo um gestor de commodities, que não quis se identificar, há um risco de cauda que pode agravar a situação e elevar ainda mais os preços de petróleo.

“O Irã já atacou duas plantas de energia de países vizinhos. O risco é ele atacar mais ativos de petróleo. Se isso ocorrer, pode ser que a gente veja o preço de petróleo ainda maior. É um risco de cauda que está ficando cada vez mais provável”, diz o executivo.

Embora os preços do petróleo tenham alcançado patamares bem mais elevados do que o visto nos últimos meses, a visão do economista-chefe da Asset 1, Luis Cezario, é de que o nível ainda é “bem gerenciável”, considerando o horizonte relevante do Banco Central.

“Se for considerar os preços de agora do petróleo, daria uma alta 10 bps [0,10 ponto percentual] na projeção do modelo do BC no horizonte relevante. Esse choque inicial não parece alterar muito o cenário do Banco Central, pensando que 18 meses já consideram bastante incerteza”, pondera o economista.

Ao olhar para a curva dos preços de petróleo, o economista diz que é possível notar que a parte mais curta está avançando bastante, ao passo que os vértices de prazo médio e longo sobem, mas não na mesma magnitude.

Segundo ele, isso indica que o mercado avalia que o choque deve ser mais temporário. O profissional, porém, defende que é cedo para dizer se a alta dos preços será passageira ou se o fechamento do Estreito de Ormuz provocará uma paralisia mais prolongada no setor.

Cezario conta que não alterou oficialmente o cenário-base da casa, que prevê que o Banco Central corte os juros de 0,50 ponto em 0,50 ponto até levar a Selic para 12%, mas diz que agora a chance de ir abaixo desse patamar é menor. “Se antes tinha uma probabilidade crescente de a Selic ir para abaixo de 12%, por ora, o choque reduz essa chance.”

Para ele, o BC só deveria ser ainda mais cauteloso e rever o cenário se houver uma mudança estrutural. “Vamos supor que [os preços de petróleo] vão para três dígitos e temos uma aversão a risco muito forte. O BC vai olhar a projeção de curto prazo e deve reagir sendo mais cauteloso e revendo o cenário. Porém, estamos longe disso”, completa.

Hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de 22,9 R$ bilhões, chegando a R$ 31,6 bilhões na B3.

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img