19.5 C
Brasília
terça-feira, março 3, 2026

Principal risco da guerra para o Brasil é efeito da alta do petróleo sobre a inflação, diz Firjan

- Advertisement -spot_imgspot_img
- Advertisement -spot_imgspot_img

A guerra entre Estados Unidos e Irã traz como principal consequência de curto prazo a alta do preço do petróleo. Para o Brasil, essa alta se reflete no risco de aceleração da inflação via preços dos combustíveis e da energia. Mas a magnitude desse efeito pode ser limitada por uma eventual demora nos repasses do encarecimento do petróleo para os preços em um ano eleitoral.

A análise é do economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Jonathas Goulart, para quem o Brasil também pode colher alguns frutos no atual panorama internacional, notadamente com a venda de commodities, inclusive o petróleo.

Goulart explica que a inflação no Brasil está em processo de desaceleração frente a 2025, mas pondera que, o atual patamar de juros — de 15% ao ano — e o fato de estarmos em ano eleitoral podem fazer com que o governo tente evitar aumento nos derivados.

“Não estou querendo dizer que não vai ser repassado, mas ele vai ser repassado de uma maneira muito mais suave, entendendo exatamente esse contexto”, diz o economista.

Positivo para as contas públicas

Ele pondera que o preço mais alto do petróleo também tem um efeito positivo para as contas públicas, uma vez que o país exporta a commodity. Além disso, lembra, a receita com royalties também será maior. “Então o cenário é ruim pelo lado da inflação, mas nas contas públicas talvez traga algum alívio”, afirma.

“Incerteza é o grande problema”

Outro problema no horizonte, diz, é que o eventual prolongamento da guerra — o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala em até cinco semanas de guerra — pode levar a um retardamento no processo de investimentos, devido a incertezas causadas pelo conflito.

“É certo que [a guerra] vai gerar bastante incerteza no mundo. Não sabemos as decisões que a Opep vai tomar, por exemplo. Acho que a incerteza é o grande problema.”

Goulart acrescenta que, durante o conflito o mundo acaba se adaptando em um “equilíbrio pior”. “Um cenário de guerra sempre é um cenário pior do que um cenário de paz”, afirma.

Mesmo assim, diz, inicialmente, os efeitos sobre o câmbio no Brasil não devem ser intensos. Goulart explica que o câmbio brasileiro tem três grandes direcionadores: o diferencial de juros, que continua favorável — os juros mais altos aqui do que em outros países atraem capital estrangeiro para o Brasil —; o preço das commodities que o país exporta; e o preço do dólar no mundo.

“Exportamos petróleo e alimentos, o que deverá ser demandado. Sobre o preço do dólar, os Estados Unidos trabalham para desvalorizar a moeda no mundo”, pondera.

Um fator de estresse para o câmbio, diz, poderia ser o risco-país, variável que, atualmente, está “mais bem-comportada”.

“O principal, agora, é entender quais vão ser os movimentos do preço do petróleo no mundo”, afirma, lembrando que uma alta forte e prolongada pode levar o Banco Central a “pensar duas vezes” antes de começar um processo de redução de juros. Neste sentido, o esperado processo de queda da Selic pode demorar mais a começar, além de se prolongar por mais tempo que o esperado, com reduções mais tímidas no início da trajetória.

“No cenário de incerteza, o que todo mundo tende a fazer é ser um pouco mais cauteloso”, afirma.

Jonathas Goulart,economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), acredita que o Brasil pode colher alguns frutos no atual panorama internacional, notadamente com a venda de commodities, inclusive o petróleo — Foto: Vinicius Magalhaes/Divulgação

[Fonte Original]

- Advertisement -spot_imgspot_img

Destaques

- Advertisement -spot_img

Últimas Notícias

- Advertisement -spot_img