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quarta-feira, março 11, 2026

Dólar cai com menor risco global, apesar de discursos desencontrados sobre guerra

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O dólar à vista exibiu leve desvalorização frente ao real nesta terça-feira, refletindo o movimento da moeda americana no exterior. Hoje, houve sinalizações opostas sobre as chances de o conflito no Irã, que respinga no Oriente Médio, estar perto do fim, o que elevou a volatilidade dos ativos ao longo da sessão. De todo modo, nos mercados de câmbio, predominou a menor percepção de risco, o que tornou o dólar mais fraco frente à maioria das divisas mais líquidas. Com isso, o câmbio brasileiro voltou a se aproximar dos seus níveis mais valorizados no ano.

Encerradas as negociações do mercado à vista, o dólar comercial registrou queda de 0,15%, cotado a R$ 5,1566, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,1321 e batido na máxima de R$ 5,1867. Já o euro comercial recuou 0,12%, a R$ 5,9890, no menor nível desde 19 de fevereiro de 2025. Perto do fechamento, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,25%, aos 98,928 pontos.

Pela manhã, o dólar à vista avançava frente ao real, em um movimento descolado dos mercados pares. Moedas de emergentes valorizavam ainda na esteira da menor percepção de risco diante da perspectiva de que a guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã não deverá se estender.

Segundo agências, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou nesta terça-feira que o país não busca uma guerra sem fim com o Irã e que coordenará com os Estados Unidos o momento de encerrar o conflito. Os comentários vão na mesma linha das declarações de Donald Trump, que ontem disse estar “muito à frente” em seu cronograma para a operação militar e disposto a negociar. O Irã, no entanto, tem postura diferente, o que ainda gera alguma cautela entre os investidores. Além disso, houve informações desencontradas sobre a passagem de um petroleiro pelo Estreito de Ormuz.

Estrategistas do Macquarie apontam em nota que, do mesmo modo que há uma diferenciação na avaliação de mercados e ativos de países desenvolvidos, separando os que produzem dos que não produzem petróleo, há uma estratégia semelhante sobre emergentes.

“Na nossa visão, Brasil, Colômbia e África do Sul são os maiores beneficiários do ponto de vista dos termos de troca, assim como ocorreu após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Isso deve continuar sendo verdade desde que o preço do petróleo bruto não volte completamente aos níveis anteriores à guerra.”

O economista-chefe da Oriz Partners, Marcos de Marchi, faz leitura parecida. Na sua avaliação, caso a guerra se encaminhe para um fim, o real pode se beneficiar da menor aversão a risco, além de se beneficiar dos preços de commodities ainda elevados. “Se os conflitos acabam ou se estabilizam e os preços do petróleo continuam mais altos do que antes dos embates, para o Brasil, em relação de termos de troca, vai ser positivo.”

De Marchi também lembra que, apesar dos problemas fiscais brasileiros que incomodam os agentes do mercado, o Brasil não está envolvido em disputas geopolíticas e é pouco afetado pelos conflitos atuais no Oriente Médio. “Isso faz com que o Brasil se torne um dos poucos países emergentes em que se pode investir diante desse contexto global”, afirma. “E temos um ‘carry’ [diferencial de juros] relevante. Precisaria acontecer algo a mais para que o investidor global pensasse que não vale a pena o risco de ficar no Brasil, mesmo com a Selic tão elevada.”

[Fonte Original]

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