A SLC Agrícola (SLCE3) reportou resultados sólidos no quarto trimestre de 2025, com crescimento acima das estimativas do mercado. Como reflexo do bom desempenho, a ação abriu o dia em alta e segue somando ganhos, mesmo em dia de baixa generalizada no Ibovespa, pressionado pelas tensões entre Estados Unidos e Irã.
Ao longo do dia, a ação chegou a ser negociada por R$ 17,57, uma alta de 4,40% em relação ao preço da abertura dos mercados. Por volta das 16h10 (horário de Brasília), a SLCE3 subia 3,92%, a R$ 17,49.
De acordo com o Morgan Stanley, mesmo com a intensificação das tensões no Oriente Médio e a pressão sobre os preços, a SLC tem um histórico de desempenho superior durante ciclos de alta de commodities. Segundo os analistas, o aumento do preço do milho, por exemplo, pode acabar beneficiando produtores brasileiros, como a SLC.
Viva do lucro de grandes empresas
“Diante dos custos de insumos mais elevados e das relações de preço milho/soja ainda abaixo da média, esperamos que o mercado eleve os preços do milho para proteger a área plantada”, explica o banco. Os preços da ureia têm subido cerca de 50% nas regiões que estão prestes a iniciar a temporada de plantio, nos EUA, Europa e Ásia.
Safra 26/27
O banco destacou que a SLC já plantou a safra atual e comprou grande parte dos insumos, o que posiciona a empresa para capturar a possível alta no exterior. A administração informou que 100% da necessidade de fosfato para a próxima safra já tem hedge. Para a XP Investimentos, essa proteção é positiva, porque deve mitigar uma parte significativa do risco de preço.
Ainda assim, a casa continua preocupada com a perspectiva dos custos agrícolas no Brasil para a safra 26/27. Os analistas destacaram que os custos de fertilizantes continuam estruturalmente elevados nos últimos dois anos, mesmo antes do conflito no exterior.
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Por outro lado, a XP ressaltou que a revisão de área veio negativo o que, no futuro, pode levar a revisões de lucro negativas. A atualização da projeção de safra para 2025/26, que implica em menor área plantada de algodão, soja e milho.
Trimestre sólido
O desempenho geral da SLC foi robusto. A receita líquida chegou a R$ 853 milhões, uma alta de 15% em relação ao ano anterior e acima das estimativas dos bancos. A empresa mostrou um aumento considerável nos volumes comercializados consolidados, de 32% ao ano e preços realizados mais fortes.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado atingiu R$ 2,66 bilhões em 2025, uma alta de 30,8% na comparação com o ano anterior. A margem expandiu para 31,2%, abaixo da estimativa de mercado de R$ 2,751 e em linha com o consenso de R$ 2,603. O resultado teve suporte no forte desempenho operacional na soja e no milho.
Do ponto de vista operacional, de acordo com revisões da XP, a companhia reduziu as áreas plantadas de algodão, soja e milho em -12,7%, -1,5% e -0,8%, respectivamente. Por outro lado, a área de algodão 1ª safra expandiu em 5,6% e de outras culturas em 33,7%, resultando em uma expansão da área total plantada de 0,2%.