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sábado, março 21, 2026

PIB da Argentina cresce 4,4% em 2025, mas recuperação segue desigual

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A Argentina encerrou 2025 com crescimento de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados nesta sexta-feira (20) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O resultado é positivo para o governo do presidente Javier Milei, embora ainda não indique uma retomada consistente da economia.

No quarto trimestre, o PIB avançou 0,6% em termos dessazonalizados na comparação com o trimestre anterior, segundo o Indec. Em relação ao mesmo período de 2024, houve alta de 2,1%, segundo o Indec.

O desempenho anual interrompeu uma sequência de dois anos consecutivos de queda, após retrações de 1,7% em 2024 e de 1,6% em 2023. O resultado veio em linha com as expectativas do mercado, assim como os dados do Estimador Mensal de Atividade Econômica e projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

“[Os resultados] estão dentro do que o mercado já esperava, porque o indicador mensal de atividade econômica, que funciona, já vinha mostrando mais ou menos esses números”, de acordo com o Juan Pablo Ronderos, sócio da consultoria MAP.

O crescimento em 2025 foi impulsionado pelo avanço de 7,9% do consumo privado, pelo aumento de 16,4% no investimento e pela alta de 7,6% nas exportações. Já o consumo público teve expansão modesta, de 0,2%, enquanto as importações registraram forte salto de 27%.

Em publicação na rede social X, Milei afirmou que “o quarto trimestre de 2025, o PIB, o consumo privado e as exportações atingiram níveis históricos”.

Ainda assim, a recuperação segue gradual e desigual, marcada por forte heterogeneidade entre os setores da economia. Esse quadro fica evidente na comparação do quarto trimestre de 2025 com o mesmo período do ano anterior, quando se destacaram os serviços sociais e de saúde (17,2%), a agricultura e pecuária (16,1%), a pesca (10,6%) e a mineração e extração (8,1%), entre outros.

Por outro lado, alguns setores continuaram em retração, como a indústria manufatureira (-5%), o comércio atacadista e varejista, incluindo reparos (-2,2%), e hotéis e restaurantes (-0,7%).

O economista da consultoria EPyCA, Dante Moreno, afirma que esses indicadores “evidenciam claramente que os serviços — com exceção da agricultura e pecuária, que se recuperam de eventos climáticos que afetaram negativamente o agro — estão ganhando espaço em relação ao segmento produtivo-industrial”.

“Uma leitura mais aprofundada dos dados permite perceber que a economia está crescendo, mas a base desse crescimento é frágil, já que a maioria dos setores não apresenta uma dinâmica de expansão homogênea”, continuou Moreno.

A recente divulgação do Relatório de Expectativas de Mercado (REM) do BC argentino projeta um crescimento do PIB de 1,0% no primeiro trimestre e de 0,9% no segundo trimestre de 2026. Em relação ao PIB anual de 2026, o relatório estima que a economia do país crescerá 3,4%.

Segundo o Luis Secco, economista e diretor da consultoria Perspectiv@s, a expectativa do cenário econômico na Argentina é a de que provavelmente continuará crescendo no curto prazo, mas a um ritmo mais moderado e com riscos de maior divergência entre setores.

Nesse cenário, depois de dois anos marcados por um forte ajuste fiscal, o governo tem apostado em uma recuperação mais sólida da economia neste ano. Milei conseguiu reduzir de maneira significativa a inflação, em parte por meio de cortes profundos nos gastos públicos.

No entanto, de acordo com Kevin Sijniensky, analista econômico da consultoria Econviews, o governo está preocupado com os “fracos resultados” dos dados antecedentes de atividade econômica para janeiro e fevereiro, sobretudo em relação ao consumo da Argentina.

Ele aponta que o desemprego também é um indicador alarmante para a gestão. O Indec divulgou que a taxa de desemprego no quarto trimestre do ano passado foi de 7,5%, o que representa um aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024. É a maior taxa para um quarto trimestre desde 2020, durante a pandemia da covid-19.

A gestão Milei também conseguiu aprovar uma ampla reforma trabalhista — que já começou a ser judicializada, com uma decisão, no início desta semana, do Tribunal do Trabalho de La Plata, que declarou inconstitucional o artigo da nova legislação que versa sobre as indenizações no caso de demissão.

O presidente defende que a reforma deve impulsionar a economia e gerar mais empregos formais. A proposta enfrentou forte resistência de sindicatos, que afirmam que as mudanças eliminariam direitos trabalhistas fundamentais.

Impacto da guerra no Oriente Médio sobre a Argentina

Para Dante Moreno, o cenário global incerto por conta da guerra no Oriente Médio pode prejudicar o país argentino.

Ele destaca que, se o conflito se prolongar, “a inflação mundial tende a subir e os investimentos produtivos devem se tornar mais seletivos em termos geográficos, o que pode gerar dificuldades para a Argentina, que tem uma economia de baixa intensidade de crescimento e um nível crescente de incerteza política”.

O crescimento do PIB argentino em 2025 foi impulsionado pelo aumento no investimento e pela alta nas exportações — Foto: Divulgação / Puerto de Buenos Aires

[Fonte Original]

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