Um novo estudo do Google reacendeu o debate sobre a segurança do Bitcoin ao indicar que a computação quântica pode quebrar sua criptografia muito antes do esperado.
Um novo estudo do Google reacendeu o debate sobre a segurança do Bitcoin ao indicar que a computação quântica pode quebrar sua criptografia muito antes do esperado.
Segundo a pesquisa, o volume de recursos necessários para comprometer o sistema caiu drasticamente, levantando dúvidas sobre o prazo real para o chamado “Q-Day”, quando essas máquinas atingiriam capacidade prática de ataque.
O tema ganhou ainda mais força após declarações de Justin Drake, pesquisador do ecossistema Ethereum, que afirmou haver ao menos 10% de chance de que, até 2032, um computador quântico consiga recuperar uma chave privada a partir de uma chave pública exposta, reforçando que o momento de preparação pode já ter começado.
Diante desse cenário, a Bitfinex analisou para o Cointelegraph Brasil se estamos diante de uma ameaça iminente ou de um desafio técnico já previsto e, principalmente, como o ecossistema Bitcoin está se posicionando.
A computação quântica representa um desafio técnico real para a indústria de criptomoedas, mas está longe de ser uma ameaça existencial no cenário atual”, declarou a emprsa.
Bitcoin vai morrer?
De acordo com a empresa, as bases criptográficas que sustentam o Bitcoin e outros grandes protocolos sempre foram entendidas como tendo um prazo de validade. Por isso, o debate atual não é uma surpresa para quem acompanha o setor. O ponto mais importante é que a indústria já está se movimentando.
O NIST finalizou seus padrões de criptografia pós-quântica em 2024, e a comunidade de desenvolvedores do Bitcoin vem pesquisando, há anos, formas de assinaturas digitais resistentes a ataques quânticos. Hoje, já existe uma proposta em discussão, a BIP-360, que pode ser implementada no futuro.
A Bitfinex aponta ainda que a distância entre uma vulnerabilidade teórica e um ataque real ainda é muito grande. Para isso acontecer, seriam necessários computadores quânticos estáveis, com alta capacidade de correção de erros e em uma escala que ainda está muito além da tecnologia atual.
Ou seja, trata-se de um problema técnico conhecido, com possíveis soluções já em desenvolvimento, e não de uma crise iminente. A avaliação de Drake é equilibrada e merece atenção. Uma probabilidade de 10% até 2032 é suficiente para justificar um senso de urgência. De forma geral, concordamos que este é o momento de se preparar, mesmo que o prazo ainda seja incerto.
Além disso, a Bitfinex destaca que o ponto positivo é que o ecossistema do Bitcoin não precisa esperar que um computador quântico funcional apareça para reagir. Propostas como a BIP-360, que introduz um formato de endereço resistente à computação quântica, já estão sendo discutidas. Além disso, a adoção de criptografia pós-quântica já está em andamento em todo o setor de tecnologia.
A janela para preparação está aberta, a comunidade técnica está engajada e há caminhos claros para essa transição. O verdadeiro risco não é a computação quântica em si, mas a falta de preparo diante dela.”, finaliza.