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segunda-feira, abril 27, 2026

Crítica | Nova: Centurião – Vol. 1 – Plano Crítico

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Criado por Marv Wolfman e John Buscema em uma HQ mensal que teve 25 edições entre 1976 e 1979, Richard Rider, o Nova, ou Cabeça de Balde para os íntimos, sempre foi um de meus personagens favoritos da Marvel Comics que eu lia com grande prazer nos anos 80 nos formatinhos da Editora Abril. Apesar de seus poderes serem de natureza cósmica, em uma história de origem que guarda muitas semelhanças com a do Lanterna Verde Hal Jordan no final da década de 50, seu “começo de carreira” foi muito terrestre, com os pés quase que completamente fincados no chão, enfrentando vilões especificamente criados para ele como Diamante, Condor e Esfinge, somente ganhando uma abordagem verdadeiramente cósmica muitos anos depois, com as sensacionais sagas Aniquilação e Aniquilação: A Conquista, as grandes responsáveis por novamente darem importância à esse lado então esquecido da editora. De lá para cá, Nova, apesar de não exatamente ter se destacado com constância, teve aparições esporádicas que foram, aos poucos, ampliando sua mitologia.

A maior mudança de status quo para Rider foi quando, em Aniquilação, a Tropa Nova foi destruída, fazendo dele o único Nova sobrevivente, o Nova Prime, também guardião da Mente Global Xandariana, repositório de todas as mentes dos membros da tropa e da cultura xandariana, com quem fundiu-se. Várias outras histórias se seguiram a esse grande evento, mas o conceito geral dessa destruição e da Mente Global Xandariana (doravante MGX) se mantiveram, com a última sendo mantida em estado dormente até os eventos de Imperial, recente saga da qual Nova: Centurião é o primeiro spin-off a ter um arco completamente encerrado. Em Imperial, Rider precisa reativar a MGX, passando a novamente conviver com ela em sua cabeça, mas aprendendo que é necessária uma quantidade enorme de energia para que ela não perece e energia, como sabemos, custa caro. É essa premissa que nos leva à nova mensal do Cabeça de Balde, com ele basicamente sendo mostrado com alguém que salva quem precisa para, ato contínuo, literalmente passa o chapéu para recolher créditos de forma a comprar energia. É estranho um conceito tão real e mundano ser utilizado, mas é um “estranho” que reputo interessante e com potencial.

Esse potencial, porém, é transformado por Jed MacKay em algo que já foi feito um milhão de vezes antes, ou seja, a formação de uma equipe para Nova conseguir fazer o que precisa fazer para evitar que a MGX e tudo o que ela representa desapareça por completo. Imaginaram-me bocejando? Pois é. Isso aconteceu de verdade. Depois de salvar uma nave que faz cruzeiros de luxo da força gravitacional de um buraco negro, Nova encontra-se com Pip, O Troll (mais conhecido como parceiro de Adam Warlock na Guarda do Infinito) que se torna seu agenciador de missões pagas, com um corte temporal de três meses levando-nos ao herói já estabelecido na nave comicamente batizada de Princípio do Lucro Razoável ao lado de um “contador de combate” alienígena de nome Aalbort, recebendo um comunicado de Pip sobre uma nova missão: comparecer perante “Guerra Kree-Skrull”. Para evitar confusões basicamente inevitáveis, “Guerra Kree-Skrull”, ou somente A Guerra, não é o evento bélico que colocou os krees e os skrulls em oposição, mas sim, muito ao contrário (e irritantemente confuso), o nome de um sindicato espacial do crime comandado pelo kree Gar-Vann e pela skrull Kroth, criado especificamente para essa HQ, que quer contratar Rider para recuperar o último carregando de mysterium, o metamaterial metálico surgido durante a Era Dinastia X/Poderes de X dos X-Men.

Missão aceita por ser uma forma de salvar sua antiga parceira Cammille “Cammi” Benally das garras do sindicato, já que ela fora presa como suspeita e por desconfiar que o culpado é Voraz, responsável pela destruição original da Tropa Nova, Rider parte para a pancadaria no primeiro mini-arco de três edições que não oferece muito mais que não mais diálogos entre ele e a MGX sobre o quanto de energia está sendo gasto e uma caracterização levemente maior de Aalbort e principalmente de Cammi. No segundo mini-arco, que é continuação direta do anterior ainda que as primeiras páginas possam dar a impressão de que não é, a nave de nome peculiar da equipe é roubada, obrigando Rider a segui-la, o que o leva a uma armadilha benigna e repleta de sentimento de culpa armada pelo Senhor das Estrelas, o grande manipulador da saga Imperial. Descobrimos mais sobre o que exatamente aconteceu com o mysterium e, mais ainda, o porquê de Cammi ser desenhada de maneira tão abatida, o que, claro, leva a mais pancadaria de proporções cósmicas com o objetivo de sedimentar de vez o grupo sem nome liderado por Nova.

O trabalho de Álvaro López e Matteo Della Fonte, que se revezaram na arte, falha na forma como lida com as figuras humanas. Rider, Cammi e Quill parecem marionetes desengonçadas por grande parte das páginas, o que é consideravelmente irritante e isso porque nem vou comentar o mandamento da Marvel para seus artistas para que eles desenhem seus personagens como se fossem adolescentes, no máximo jovens adultos, algo que, a essa altura do campeonato, nem Rider nem Quill são. Por outro lado, as sequências de batalha espacial, por assim dizer, funcionam razoavelmente bem, com alguns bons momentos exagerados – como a revelação do que Cammi sofre – que trafegam entre o cômico e o histérico, mas que infelizmente são resolvidos com muita facilidade e conveniência, culpa principalmente de MacKay e seu roteiro seguro demais, que se recusa a assumir riscos.

O primeiro arco de seis edições de Nova: Centurião, apesar de beber da boa mitologia de seu protagonista, acaba entregando aquilo que a Marvel tem, em tempos recentes, se notabilizado em entregar: diversão leve e descompromissada. Essa abordagem não é sempre ruim, mas ela, também, raramente exige mais dos leitores do que um olhar perfunctório, quase desinteressado. Nova merecia mais do que um recomeço desses e fica a torcida para que, no próximo arco, algo um pouco mais complexo seja oferecido.

Nova: Centurião (Nova: Centurion – EUA, 2025/26)
Contendo: Nova: Centurion #1 a 6
Roteiro: Jed MacKay
Arte: Álvaro López (#1, 2, 3, 5 e 6), Matteo Della Fonte (#2, 3 e 4)
Cores: Mattia Iacono
Letras: Cory Petit (#1, 2, 4, 5 e 6), Joe Caramagna (3)
Editoria: Lindsey Cohick, Annalise Bissa, Tom Brevoort, C.B. Cebulski
Editora: Marvel Comics
Data original de publicação: 19 de novembro e 10 de dezembro de 2025; 07 de janeiro, 04 de fevereiro, 04 de março e 1º de abril de 2026
Páginas: 144



[Fonte Original]

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