Em dez anos, a indústria de eventos em São Paulo deixou de ser apenas grande para se tornar uma potência econômica. O termômetro dessa ascensão está no recorde de arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS), cujo setor gerou R$ 323,5 milhões em 2025, o que representa um crescimento de 672%, quando (em 2015) a receita somava R$ 41,8 milhões. Esse fenômeno não é fruto apenas do ‘boom’ dos megashows, mas de uma reestruturação profunda que otimizou custos e transformou a metrópole no palco de maior liquidez do país.
O desempenho recente faz de São Paulo uma das cidades mais competitivas do mundo para eventos de grande porte. Em 2025, a capital foi palco de festivais e atrações que figuram entre os maiores do mundo. O The Town, em sua segunda edição, reuniu um público estimado em 500 mil pessoas ao longo de cinco dias, enquanto o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, realizado em um Autódromo de Interlagos modernizado e mais seguro, atraiu mais de 300 mil espectadores. A agenda do município no ano passado ainda contou com Lollapalooza, NFL, Fórmula E, São Paulo Fashion Week e o Carnaval, entre dezenas de outros eventos que movimentam a economia e impulsionam o turismo na cidade.
— Os números evidenciam não apenas a consolidação do setor de eventos na capital como um importante motor econômico, mas também a eficácia das ações da prefeitura voltadas à atração e ao fortalecimento desse mercado — afirma o coronel Marcelo Vieira Salles, presidente da São Paulo Turismo.
O avanço mais expressivo da série histórica ocorre a partir de 2022, com a retomada das atividades presenciais após o período de restrição imposto pela pandemia de covid-19. Em 2020, a arrecadação de ISS caiu para R$ 37 milhões – o ponto mais baixo da última década – em razão do cancelamento ou adiamento de praticamente todos os grandes eventos.
A recuperação, porém, foi acelerada. Em 2022, a receita já somava R$ 138,4 milhões; em 2023, saltou para R$ 252,2 milhões; e, em 2024, alcançou R$ 281,4 milhões, antes de atingir o recorde histórico de R$ 323,5 milhões no ano passado.
No mesmo período, o Calendário de Eventos Estratégicos da Cidade também foi ampliado de 25 eventos em 2022 para 75 atualmente, refletindo a estratégia da prefeitura de diversificar a oferta e garantir uma agenda robusta ao longo de todo o ano.
— O desempenho recente supera os níveis pré-pandemia e estabelece um novo patamar para o segmento, consolidando São Paulo como o principal polo de eventos do país. O resultado reforça o papel estratégico do setor na geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico — comenta o coronel Salles.
Os dados de 2026 indicam a continuidade do crescimento. Apenas no primeiro bimestre, a arrecadação de ISS sobre eventos já acumulou R$ 39,6 milhões, sendo mais de R$ 28 milhões em janeiro e R$ 11,6 milhões em fevereiro, ritmo que, se mantido, pode superar o recorde do ano anterior.
Porta de entrada de turistas
O impacto dos eventos sobre o turismo é igualmente expressivo. Segundo o Observatório de Turismo e Eventos da São Paulo Turismo (OTE-SPTuris), com base na plataforma Claro Geodata, a cidade recebeu 47,2 milhões de turistas em 2025, crescimento de aproximadamente 25% em relação aos 37,7 milhões registrados em 2024. O faturamento do setor atingiu R$ 25,4 bilhões, alta de 11,5% na comparação anual.
Entre os visitantes, 2,5 milhões foram turistas internacionais, número que supera o do Rio de Janeiro, com 2,2 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Esses resultados consolidam São Paulo como a principal porta de entrada do turismo estrangeiro no Brasil e como um dos mais relevantes destinos turísticos da América Latina, posição sustentada pela combinação de infraestrutura de classe mundial, diversidade cultural e uma agenda que cobre todas as áreas – do esporte à moda, da música à tecnologia.
— O que estamos construindo é um ecossistema favorável para eventos de todos os portes. Isso amplia nossa relevância internacional e fortalece a economia local de forma sustentável — conclui o coronel Salles.
A expectativa é que o setor siga contribuindo de forma relevante para a arrecadação municipal e para a geração de empregos.
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Ambiente favorável aos negócios
Impulsionada pelo dinamismo econômico e pela competitividade na atração de investimentos, entre 2021 e 2025, São Paulo registrou a abertura de 869 mil novas empresas – entre elas Netflix, Amazon e Facebook. No mesmo período, a capital também atraiu outras 89,8 mil empresas que migraram para o município e, sozinhas, geraram R$ 4 bilhões em arrecadação municipal. Somente em 2025, foram abertas mais de 185 mil novas empresas, além da migração de outras 15,6 mil.
O movimento reflete o ambiente favorável aos negócios: infraestrutura consolidada, amplo mercado consumidor, mão de obra qualificada e políticas voltadas à atração de investimentos. No campo tributário, as Leis nº 17.719/21 e nº 17.875/22 reduziram o ISS de 5% para 2% em atividades ligadas ao setor tecnológico e digital – streaming, mobilidade por aplicativos, audiovisual e franquias -, além da extinção da Taxa de Fiscalização de Anúncios (TFA), que simplificou rotinas para pequenos empreendedores.
O resultado também aparece no mercado de trabalho. No terceiro trimestre de 2025, a cidade registrou a menor taxa de desemprego de toda a série histórica da PNAD Contínua, com 5,2%. Apenas em novembro, foram criadas 24 mil novas vagas formais, alta de 27% em relação ao mesmo mês de 2024. Para a administração municipal, a combinação entre segurança jurídica, desburocratização e diversidade econômica é o que diferencia São Paulo como destino de investimentos e mão de obra qualificada.
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