O diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, destacou que a norma de capital mínimo é “mais uma oportunidade” para um próximo salto do sistema cooperativismo brasileiro. Ailton discursou na abertura do seminário promovida pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e pelo BC em Brasília.
A autoridade monetária publicou em novembro de 2025 a nova metodologia de cálculo do capital mínimo exigido para instituições financeiras. Na nova regulação, a definição dos valores passa a considerar principalmente as atividades exercidas a não mais o tipo de instituição. As exigências passaram a ficar mais pesadas.
Em sua fala, o diretor pontuou que tinha uma meta de que o sistema cooperativista chegasse a R$ 1 trilhão de ativos totais e recebeu a informação de que essa meta foi atingida. “Temos que pensar em outra meta”, disse.
O diretor também comentou sobre a Resolução 4.966, que mudou as regras de provisionamento das instituições financeiras e entrou em vigor no início de 2025. A nova regra segue a lógica da provisão por perdas esperadas e não mais por perdas incorridas.
“Eu dizia a todo tempo: vamos fazer a transição. E conseguimos fazer a transição. A transição tem demonstrado que o sistema financeiro e o sistema cooperativista saem cada dia mais fortes”, disse.
Aquino também destacou a importância da segurança cibernética e lembrou dos ataques cibernéticos registrados em 2025. O diretor ressaltou que os avaliadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial que vieram ao Brasil para o Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP) elogiaram o modelo de supervisão na parte cibernética.
“Tivemos um primeiro incidente, fizemos mudanças, ocorreu um segundo incidente e agora recentemente em grandes organizações. Tem que se perceber, tem que se investir”, disse.
Nesse tema, Aquino comentou uma anedota dos avaliadores do FSAP e disse eles perceberam “na própria pele” o trabalho dos hackers brasileiros por terem tido os cartões de crédito clonados.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, participou da abertura do evento por meio de um vídeo gravado no dia de 2 abril. Galípolo está em Washington, Estados Unidos, para participar das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial.
Galípolo disse, no vídeo, que o BC tem promovido “aprimoramento” normativos compatíveis com a “maior maturidade” do segmento.
“A recente evolução legal e regulatória aplicável ao cooperativismo ao mesmo tempo em que conferiu maior liberdade operacional e ampliou o leque de produtos e serviços oferecidos pelas cooperativas, também atribuiu maiores responsabilidades às instituições materializadas no aumento das exigências de capital, de controles e de gestão”, disse o presidente do BC.