O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (16), em carta ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC), ligado ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que o governo brasileiro acolhe a recomendação do organismo para que bancos centrais avaliem corretamente os choques de preços de energia, diante da dificuldade de distinguir seus efeitos de curto e longo prazo no cenário atual. Ele também ponderou que o Banco Central brasileiro continuará a perseguir seu mandato de estabilidade de preços.
“Nesse sentido, a política monetária deve ser adequadamente calibrada e claramente comunicada, de modo a preservar a credibilidade, ancorar expectativas e minimizar o repasse de choques de oferta à inflação”, disse no documento.
Durigan também destacou que o crescimento mais fraco da economia, combinado à inflação persistente, suscita preocupações quanto a dinâmicas de estagflação global e evidencia a crescente complexidade da política econômica.
Segundo o ministro, os esforços para implementar políticas macroeconômicas contracíclicas, quando apropriado e viável, contribuirão para mitigar os impactos da guerra no Oriente Médio. “Este cenário econômico desafiador exigirá renovado compromisso com a cooperação econômica global e o multilateralismo”, acrescentou.
No documento, ele afirmou que um eventual prolongamento ou escalada da guerra no Oriente Médio pode manter as disrupções nos mercados de energia, com efeitos sobre cadeias como fertilizantes e alimentos, além de pressionar a inflação e as condições financeiras.
O ministro lembrou que, em muitos países, o espaço fiscal é limitado e os colchões de proteção são reduzidos. “O sistema global de comércio permanece fragilizado, e a fragmentação geoeconômica tende a se intensificar. As mudanças climáticas e a degradação ambiental continuam a representar ameaças existenciais à humanidade e devem ser enfrentadas com urgência pela comunidade internacional”, escreveu.
No que diz respeito ao Brasil, Durigan mencionou que, apesar dos choques externos, a economia doméstica vem apresentando um bom desempenho, com crescimento próximo do seu potencial antes do início da guerra. O ministro citou ainda que a inflação vem convergindo para a meta, em resposta a uma política monetária restritiva, permitindo ao Banco Central iniciar um ciclo de flexibilização.
“O Banco Central continuará a perseguir seu mandato de estabilidade de preços, assegurando, simultaneamente, a estabilidade financeira e buscando suavizar flutuações da atividade econômica e promover o pleno emprego”, afirmou.
Ele também reforçou que a economia brasileira encontra-se em posição robusta para lidar com os efeitos significativos do choque global nos preços de energia. “A elevação dos preços internacionais do petróleo tende a ampliar esse superávit, contribuindo para maiores exportações líquidas. Ademais, investimentos contínuos em fontes renováveis de energia e biocombustíveis resultaram em uma matriz energética distintamente robusta e limpa, reforçando a resiliência da economia brasileira”, disse.
Por outro lado, segundo o ministro, esses efeitos podem ser parcialmente compensados por restrições no acesso a fertilizantes, “insumo essencial para as exportações do agronegócio brasileiro, bem como pela redução da demanda global, elevação dos preços de importação e condições financeiras mais restritivas”.
Durigan também ressaltou que o compromisso do Brasil com a responsabilidade fiscal e a estabilidade de preços “constitui o alicerce de seu crescimento sustentável e inclusivo”, ao citar as medidas que vêm sendo implementadas nas contas públicas desde 2023.
“Os resultados fiscais dos últimos três anos e as projeções para 2026 refletem nossa determinação inequívoca em promover uma consolidação fiscal compatível com o crescimento”, defendeu no documento.
Por fim, o ministro defendeu que o FMI siga oferecendo apoio sob medida a países frágeis, afetados por conflitos e a pequenos Estados em desenvolvimento, de acordo com suas vulnerabilidades. Ele diz apoiar o papel do organismo como “instituição insubstituível no centro da rede global de segurança financeira”.
“Em momentos de crise como este, os países-membros recorrem ao FMI não apenas em busca de orientação de políticas públicas, mas, sobretudo, como fonte de financiamento emergencial. Caso os preços de energia permaneçam nos níveis atuais, o Fundo deve monitorar de perto os impactos sobre a segurança energética e alimentar, estando preparado para prover financiamento emergencial aos membros mais pobres, conforme necessário”, afirma.