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segunda-feira, abril 20, 2026

Rússia engana universitários para lutarem na Ucrânia

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Sofrendo na guerra na Ucrânia as maiores baixas que uma grande potência militar enfrentou desde a Segunda Guerra Mundial, a Rússia apelou para um golpe baixo para recrutar soldados: está realizando uma campanha em universidades em todo o país, na qual oferece vantagens que não são cumpridas, para que estudantes lutem no conflito.

Segundo uma investigação realizada pela emissora americana CNN, a estratégia foi adotada porque o ditador Vladimir Putin não pretende convocar outra grande mobilização militar como a de setembro de 2022, que recrutou cerca de 300 mil homens, mas levou outras centenas de milhares a fugir do país.

Na campanha que vem sendo realizada nas universidades, são oferecidos incentivos financeiros – como “montanhas de ouro” e perdão das dívidas estudantis –, a promessa de um contrato de apenas um ano de serviço e a garantia de servir longe da linha de frente. Entretanto, a investigação da CNN apontou que apenas os pagamentos são honrados.

Sergei Krivenko, chefe da organização de direitos humanos Citizen. Army. Law., focada em ajudar militares e recrutas, disse à emissora americana que o prazo de um ano não passa de “uma armadilha”.

“Quando o ano terminar, o estudante [agora já militar] não será dispensado, assim como não dispensam nenhum militar cujo contrato expirou”, destacou.

Grigory Sverdlin, que dirige a organização beneficente pacifista Idite Lesom (“Vá Embora” em russo), que ajuda russos a evitar o alistamento militar, disse à CNN que também não há garantia alguma de que os estudantes não serão deslocados para a linha de frente.

“Assim que a pessoa assina os contratos, ela se torna literalmente escrava do Ministério da Defesa”, relatou. “Ela pode ser enviada para qualquer unidade que o Ministério da Defesa precisar. Não há como escolher.”

A estratégia de Putin é implementada em um momento em que a Rússia sofre para repor os militares que está perdendo na guerra.

Ucrânia: Rússia está perdendo mais militares na guerra do que consegue recrutar

Segundo um relatório do think tank Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), até o final de janeiro, as forças russas haviam sofrido aproximadamente 1,2 milhão de baixas – entre mortos, feridos e desaparecidos – na guerra na Ucrânia, das quais 325 mil foram mortes.

“Nenhuma grande potência militar chegou perto de sofrer um número tão grande de baixas ou mortes em qualquer conflito desde a Segunda Guerra Mundial”, destacou o CSIS.

Segundo informações da agência EFE, o ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, afirmou na quarta-feira (15) durante reunião em Berlim do chamado Grupo de Ramstein, que reúne os países que enviam ajuda militar a Kiev, que a Rússia está perdendo mais militares na guerra do que consegue recrutar.

Fedorov, que no início de abril havia estimado 35 mil baixas russas em março, afirmou que esse número é superior ao de novos militares que a Rússia envia para a frente de batalha mensalmente e também superior ao número de recrutas que se alistam nas Forças Armadas durante o mesmo período.

Em entrevista à reportagem, o coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, colunista da Gazeta do Povo, disse que o alto número de baixas russas pode ser explicado pela natureza dos combates, já que o conflito na Ucrânia se tornou “uma guerra de atrito, com combates na chamada zona de contato, com poucos avanços significativos de parte a parte”.

Os russos, por estarem na atitude ofensiva, tendem a ter mais baixas que os ucranianos, que estão na atitude defensiva. Isso ocorre porque naturalmente o atacante se expõe mais ao fogo inimigo que o defensor. Por outro lado, o uso generalizado de drones tem ampliado a efetividade dos ataques de parte a parte, o que naturalmente aumenta o número de baixas”, disse Gomes Filho.

Na quarta-feira, o secretário da Defesa do Reino Unido, John Healey, citando dados fornecidos por Fedorov ao Ramstein, disse que 96% das baixas russas são causadas por drones ucranianos na linha de frente.

A respeito da dificuldade russa de recrutar mais militares para lutar na Ucrânia, Gomes Filho disse que um complicador é a natureza do conflito, muitas vezes não compreendido pela população russa como uma causa pela qual vale a pena arriscar a vida: uma guerra de conquista, em território estrangeiro, que pouco ou quase nada afeta os cidadãos que vivem nos grandes centros.

“Ao mesmo tempo, a narrativa oficial russa de que se trata apenas de uma ‘operação militar especial’ [termo usado pelo Kremlin para descrever a invasão], e não uma guerra, também contribui para essa compreensão da população de que se trata de um assunto distante, pelo qual não vale a pena se engajar”, afirmou o analista.

[Fonte Original]

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