Pesquisas sugerem que existem muitas coisas que podemos fazer para melhorar nossa saúde mental. Mas uma delas é gratuita e está disponível o tempo todo para a maioria das pessoas: estar ao ar livre, de acordo com a assistente social clínica licenciada Joanna Bettmann Schaefer, professora de serviço social na Universidade de Utah, em artigo publicado no site da universidade.
Uma pesquisa realizada pela equipe de Bettmann revisou sistematicamente milhares de estudos para identificar os impactos positivos diretos do tempo gasto ao ar livre.
“Estávamos curiosos sobre os benefícios específicos, mas também se fatores como duração, frequência ou ambiente externo eram relevantes para indivíduos que buscam melhorar sua saúde mental ao sair da rotina”, escreve Schaefer.
Os resultados mostraram que apenas 10 minutos de exposição ao ar livre melhoraram os sintomas de saúde mental em milhares de participantes adultos, independentemente da idade ou sexo. Os dados mostraram resultados positivos semelhantes, tanto para participantes que passaram períodos mais longos na natureza, como um acampamento de fim de semana, quanto para aqueles que passaram menos tempo, como em uma caminhada diária.
Eles também descobriram que o ato de estar ao ar livre importa mais do que o local onde a pessoa está (um parque urbano, um jardim, uma floresta ou um lago, por exemplo). Isso significa que, para a pessoa média, pelo menos 10 minutos ao ar livre melhoram a saúde mental.
Além disso, todas as atividades ao ar livre foram benéficas — seja caminhando, sentado, cuidando do jardim ou realizando qualquer outra atividade.
O estudo, publicado na revista científica Ecopsychology, havia apontado que apenas 10 minutos de exposição à natureza consegue gerar benefícios de curto prazo para adultos com transtornos e distúrbios mentais. A meta-análise de 45 estudos examinou 30 anos de pesquisas publicadas sobre os efeitos sociais, mentais e físicos da exposição à natureza, incluindo a natureza urbana.
“Sabemos que a natureza desempenha um papel importante na saúde humana, mas a saúde comportamental e os provedores de assistência médica muitas vezes negligenciam pensar nisso como uma intervenção. Nós nos propusemos a destilar alguma orientação baseada em evidências para esses provedores”, afirmou Bettmann.
Foi observado que os principais efeitos são uma melhora no humor e na redução do estresse.
Além disso, foi proposto pela equipe que espaços com porções de água como rios, lagos, mares e oceanos, assim como atividades de acampamento, agricultura e jardinagem obtiveram os melhores resultados. Mas cenários com natureza urbana, montanhas e florestas também mostraram benefícios de forma significativa.
Principais hipóteses
Para a maioria das pessoas, ficar em ambientes fechados é o padrão, explica a pesquisadora. Dentro de casa, podemos nos isolar, passar mais tempo nas redes sociais ou nos desligar das telas. Nossos celulares estão sempre junto — portáteis e viciantes — dificultando a desconexão da tecnologia e estar ao ar livre propicia esse momento de desconexão com a tecnologia e de descanso mental.
Diante disso, a especialista recomenda que profissionais de saúde apoiem o bem-estar de seus pacientes prescrevendo tempo na natureza e ajudando-os a incorporá-lo à sua rotina. Entre os possíveis motivos apontados para esses benefícios da natureza na saúde mental está a “restauração da atenção”, que propõe que a exposição à natureza ajuda a aliviar a fadiga mental e melhora a capacidade de concentração.
Outra possível explicação é a “fascinação suave” causada pela natureza que diz respeito a uma experiência agradável que não exige sua atenção total, e a hipótese da biofilia, que sugere que os seres humanos têm um desejo inato de se conectar com a natureza. Ainda existe a hipótese de que as pessoas encontram admiração e conforto nas formas e sons da natureza.
Terapia verde
Um crescente número de estudos comprova que o contato com a natureza traz benefícios não apenas para a saúde mental, mas também para a saúde física, incluindo para a recuperação de pacientes internados. Tanto que hospitais públicos e privados começaram a investir em espaços com plantas (reais ou não).
Nestes ambientes já podem ser encontrados desde uma área externa com vista para a natureza, quanto a construção de espaços verdes, como jardins terapêuticos ou ainda a instalação de fotos e quadros com imagens de natureza. Evidências científicas produzidas ao redor do mundo comprovam que a natureza virtual pode proporcionar os mesmos benefícios psicológicos e fisiológicos da natureza “real”.
Pesquisas indicam que essas iniciativas ajudam a melhorar o ânimo do paciente, diminuem o impacto do ambiente hospitalar e previnem o “delirium por confinamento,” uma condição comum entre pacientes com internação prolongada.
Um outros estudo publicado recentemente na revista científica International Journal of Environment Public Research mostra que apenas observar imagens de natureza já melhora não só o sentimento negativo dos pacientes, como tristeza e ansiedade, mas também tem impacto positivo no desfecho clínico, como redução da dor, falta de ar e fadiga.
Esse poder curativo da natureza ocorre em especial por dois mecanismos. Um deles é alterar o foco perceptual. A partir do momento que a pessoa observa a imagem da natureza, ela altera seu foco de percepção da dor. É por isso que recursos como esse tem sido cada vez mais usados em sala de exames, por exemplo.
O segundo mecanismo é a liberação de neurotransmissores que aumentam o bem-estar a partir da contemplação da beleza da natureza.
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