A cotação do petróleo subiu ao patamar mais alto em quase quatro anos nesta quinta-feira no Oriente com sinalizações de que não haverá trégua no bloqueio naval dos Estados Unidos contra o Irã, incluindo o confisco de petroleiros apreendidos ligados à República Islâmica.
Os contratos futuros do petróleo do tipo Brent (referência global) é negociado perto de US$ 120 o barril, após subir mais de 6% na quarta-feira, atingindo o maior nível desde junho de 2022. Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI, referência americana) estão acima de US$ 107.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à Axios que não suspenderá o bloqueio naval aos portos iranianos até que consiga um acordo nuclear com Teerã, enquanto as autoridades iranianas não demonstraram sinais de recuo.
Os americanos estão ampliando a pressão sobre Teerã ao buscar o confisco de dois petroleiros ligados ao Irã, apreendidos pelas forças navais que impõem o bloqueio, numa tentativa das autoridades americanas de pressionar os compradores de petróleo bruto iraniano.
Os militares dos Estados Unidos também solicitaram o envio de mísseis hipersônicos para o Oriente Médio, o que marcaria a primeira vez que o país utilizaria essas armas. O Estreito de Ormuz está efetivamente fechado desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, interrompendo o fluxo de petróleo bruto, gás natural e derivados, e elevando os preços da energia.
Na terça-feira, Trump discutiu medidas que os Estados Unidos poderiam tomar para prolongar o bloqueio, minimizando o impacto sobre os consumidores americanos, em uma reunião com executivos do setor de petróleo e comércio, segundo a Casa Branca.
Autoridades iranianas permanecem desafiadoras. Mohsen Rezaee, conselheiro militar do Líder Supremo, prometeu que a nação responderá caso o bloqueio dos Estados Unidos continue, de acordo com a TV estatal.
O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Trump de tentar forçar Teerã a se render por meio de pressão econômica e divisões internas, informou a agência de notícias Tasnim.
“Trump arrancou o cobertor de segurança ao qual o mercado se agarrava, a esperança de que a guerra estivesse prestes a terminar”, disse Robert Rennie, chefe de pesquisa de commodities do Westpac Banking Corp.
“Os investidores agora estão sendo forçados a confrontar uma realidade muito mais sombria: ambos os lados ainda acham que estão vencendo, nenhum dos lados tem um incentivo claro para negociar e os preços da energia estão começando a subir rapidamente”, afirmou Rennie.
Os volumes de negociação estão baixos para o contrato de junho do Brent, que expira no final da sessão. Os contratos futuros de julho, mais ativos, subiram acima de US$ 111 por barril, depois de também fecharem na máxima desde junho de 2022 na quarta-feira.
Os bloqueios do Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos e pelo Irã reduziram as travessias diárias a quase zero. A Agência Internacional de Energia classificou o conflito no Oriente Médio como o maior choque de oferta da história, e o Grupo Vitol afirma que o mercado enfrenta uma perda de oferta de cerca de 1 bilhão de barris.
Os Estados Unidos impediram a entrada de dezenas de navios desde o início do bloqueio, em 13 de abril. Confiscar cargas de petróleo a bordo de petroleiros ligados ao Irã representaria uma escalada na ofensiva econômica de Trump, e se alinha à estratégia de Washington em relação ao petróleo bruto venezuelano após a deposição do presidente Nicolás Maduro.
O governo Trump agora pede que outros países se juntem a uma coalizão internacional que permita a navegação de navios pelo Estreito de Ormuz, segundo reportagem do “The Wall Street Journal”, que citou um telegrama interno do Departamento de Estado enviado às embaixadas americanas na terça-feira.
As exportações de petróleo bruto dos Estados Unidos dispararam para um recorde na semana passada, com compradores globais recorrendo aos produtores americanos para substituir a oferta perdida do Oriente Médio. As remessas internacionais ultrapassaram 6 milhões de barris por dia, superando o recorde anterior de quase 5,3 milhões, estabelecido no final de 2023.
Algumas métricas de mercado apontaram para um aperto na oferta, com a diferença entre os dois contratos de Brent com vencimento mais próximo em dezembro subindo para mais de 10 dólares por barril, em comparação com cerca de 3 dólares há dois meses. “Parece um dia decisivo”, disse Rebecca Babin, trader sênior de energia do CIBC Private Wealth Group, referindo-se à alta dos preços na quarta-feira.
“O mercado futuro está se aproximando do mercado físico, que já começou a refletir equilíbrios mais apertados e fluxos atrasados.”