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sábado, maio 2, 2026

Déficit nominal se aproxima de 10% do PIB e coloca mais pressão sobre dívida pública

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O déficit público nominal, que inclui gastos com juros, atingiu R$ 1,217 trilhão nos 12 meses até março, o equivalente a 9,41% do PIB. O resultado só não superou os dois dígitos por causa dos ganhos do Banco Central (BC) com os swaps cambiais – quando o real se valoriza, a autoridade monetária tem um lucro contábil com esses contratos. Nos 12 meses até março, esse ganho foi de R$ 97,2 bilhões, ou 0,75% do PIB, como destaca o economista-chefe da corretora Tullett Prebon, Fernando Montero. O câmbio tem se valorizado, com o dólar oscilando na casa de R$ 5 ou menos. Um rombo nominal na casa de 10% do PIB em 12 meses é muito elevado, bem superior à média dos emergentes, que deve ficar em 6% do PIB neste ano, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Sem a contribuição financeira dos swaps, o rombo nominal teria alcançando 10,16% do PIB no período, escreve Montero. Em 2025, esse buraco ficou em 8,34% do PIB. O déficit nominal é que define a dinâmica da dívida pública. Em março, o endividamento bruto alcançou 80,1% do PIB, e deve continuar a subir – nas contas do Bradesco, vai encerrar 2026 perto de 83% do PIB, com uma alta de mais de 10 pontos percentuais do PIB em relação aos 71,7% do PIB registrados no fim de 2022.

O déficit nominal é a combinação do resultado primário das contas públicas, que não inclui despesas financeiras, e dos gastos com juros. Nos 12 meses até março, os dispêndios com juros totalizaram R$ 1,080 trilhão, ou 8,35% do PIB. O déficit primário, por sua vez, ficou em R$ 137,1 bilhões, equivalente a 1,06% do PIB, um resultado 0,65 ponto percentual do PIB maior que o rombo acumulado nos 12 meses até fevereiro. Os números se referem ao setor público consolidado, que inclui União, Estados, municípios e empresas estatais não financeiras, excluindo a Petrobras.

“A piora significativa do resultado primário acumulado em 12 meses é explicada pela concentração do pagamento de precatórios pelo governo federal em março, enquanto ano passado este pagamento foi concentrado em julho”, dizem os economistas do Bradesco. Em março, os gastos com precatórios (decorrentes de sentenças judiciais) atingiram R$ 68 bilhões. “Além disso, o resultado dos governos regionais ajudou na surpresa negativa em relação ao esperado, apresentando déficit primário de R$ 5,4 bilhões, pior do que o superávit de R$ 6,5 bilhões registrado em março de 2025”, afirma o banco, em relatório.

O aumento do déficit primário inflou mais o rombo nominal do setor público consolidado em março, mas também houve uma elevação dos gastos com juros, influenciada pela Selic nas alturas. As despesas financeiras do setor público consolidado ficaram em R$ 118,9 bilhões no mês. Em 12 meses, os gastos com juros passaram de 8,07% do PIB em fevereiro para 8,35% do PIB em março, respondendo pela maior parte do déficit nominal.

Montero ressalta que a conta de juros tem sido suavizada pelo ganho do BC com swaps cambiais. “Sem esse lucro dos derivativos, a despesa de juros nos 12 meses até março alcançaria R$ 1,118 trilhão, ou 9,1% do PIB”, escreve ele. Se houver uma desvalorização do real nos próximos meses, o BC terá perdas com os swaps cambiais, o que ampliaria os gastos com juros do setor público.

Montero já vinha destacando que o resultado nominal em 12 meses iria piorar antes de voltar a melhorar. Segundo ele, o aumento recente do déficit primário se deve a pagamento de precatórios em março, mas também ao calendário de despesas discricionárias (sobre as quais o governo tem controle), emendas parlamentares e o ciclo eleitoral dos gastos de Estados, concentrados no primeiro semestre. Além disso, a Selic elevada pressiona os gastos com juros. O déficit nominal em 12 meses, nesse cenário, pode chegar a dois dígitos no segundo trimestre deste ano. Em 2026, o rombo das contas públicas nessa métrica deve ser menor do que isso, mas ainda assim deve ser alto – um pouco maior que os 8,5% do PIB apontado pelo consenso do mercado do Boletim Focus, do Banco Central (BC), avalia Montero.

Uma má notícia para o resultado das contas públicas é que o espaço para a redução da Selic diminuiu. Com a alta do petróleo, devido ao conflito no Oriente Médio, os preços dos combustíveis e dos alimentos (devido ao encarecimento de fretes e fertilizantes) têm aumentado com mais força, piorando as expectativas de inflação. Com isso, o BC deverá cortar menos os juros do que se esperava antes da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, segundo analistas. As projeções de que a Selic, hoje em 14,5% ao ano, pudesse encerrar 2026 em 12% a 12,5%, deram lugar a apostas de que a taxa deverá cair para 13% ou um pouco mais.

Nesse cenário, os gastos com juros continuarão muito pressionados, uma vez que o alívio da queda da Selic será menor do que se pensa. O déficit nominal, desse modo, seguirá muito elevado.

— Foto: Pixabay

[Fonte Original]

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