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terça-feira, maio 5, 2026

Indicadores de inflação mostram sinais claros de efeitos do conflito no Oriente Médio, diz ata do Copom

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central disse, em ata divulgada nesta manhã, que as últimas divulgações de inflação, tanto ao consumidor, quanto ao produtor, mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, situando-se em valores significativamente acima dos inicialmente esperados

“As leituras recentes até o início dos conflitos indicavam algum arrefecimento da inflação que abrangia tanto o índice cheio quanto em aberturas e medidas subjacentes”, afirma a ata, que explica a decisão de cortar os juros de 14,75% ao ano para 14,50% ao ano na semana passada.

“A combinação de um câmbio mais apreciado e um comportamento mais benigno das commodities nos períodos recentes contribuía para redução nas inflações de bens industrializados e alimentos”, diz o documento.

“A inflação de serviços também apresentava algum arrefecimento, ainda que mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual”, segue a avaliação do Copom.

O comitê diz que a inflação está sendo influenciada por outros fatores além da guerra. “Para além dos efeitos dos conflitos, mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”, afirma o comitê.

O Copom também registra na ata que as expectativas de inflação subiram, depois de apresentarem uma trajetória de declínio, após o início dos conflitos.

“Desde a reunião anterior ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”, diz a ata. “ Foi ressaltado que o custo de desinflação sobre o nível de atividade ao longo do tempo é maior em ambientes com expectativas desancoradas.”

O comitê voltou a afirmar que perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária favorecerão a continuidade desse movimento, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo.

“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, repete o Copom.

Moderação no crescimento

O BC diz ainda, no documento, que segue atento às dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho e ressaltou a necessidade de aprofundar a análise para entender como o nível de ocupação se transmite para os salários e, em última instância, para os preços na economia.

“O Comitê segue acompanhando detidamente o mercado de trabalho. A taxa de desemprego tem, recorrentemente, se mantido em patamares historicamente baixos, enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”, disse.

O Banco Central reiterou que a atividade econômica doméstica manteve trajetória de moderação no crescimento e que os efeitos da política monetária restritiva sobre a demanda agregada continuam em 2026 por meio da desaceleração do saldo de crédito, em particular de créditos livres.

Para o primeiro trimestre deste ano, o Banco Central afirmou que indicadores preliminares apontam retomada da atividade em relação ao fim de 2025, em linha com a expectativa de crescimento do PIB no ano, ainda que menor que em 2025.

Na ata, o BC reafirmou que o enfraquecimento no esforço de reformas estruturais e na disciplina fiscal, junto ao aumento do crédito direcionado e às incertezas sobre a estabilização da dívida pública, pode elevar a taxa de juros neutra, prejudicando a eficácia da política monetária e, consequentemente, o controle da inflação em termos de atividade.

“O Comitê mantém a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê reforça, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, disse.

A autoridade monetária destacou que a política fiscal tem efeitos de curto prazo, ao estimular a demanda, e também efeitos estruturais, ao influenciar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e o prêmio da curva de juros.

“Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, acrescentou, ao reforçar a convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas e que deve haver “harmonia” entre as políticas fiscal e monetária.

[Fonte Original]

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