A atuação das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras apresentou avanços em abril de 2026, consolidando um ambiente de recuperação econômica moderada. De acordo com o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), a movimentação financeira média real do setor cresceu 3,6% mês passado, em comparação ao mesmo período de 2025. Esse resultado é sustentado por fundamentos como o mercado de trabalho aquecido — com a taxa de desemprego em 6,1%, o menor nível histórico para o período — e o início da flexibilização da taxa de juros.
O setor industrial foi um dos principais motores dessa expansão. Em abril, as PMEs industriais registraram uma alta de 4,9%, com crescimento disseminado por 13 dos 23 subsetores da indústria de transformação. Entre os destaques positivos estão os segmentos de metalurgia, produtos químicos e máquinas e equipamentos.
Felipe Beraldi, economista da Omie, diz que a retomada industrial é um sinal relevante para a economia das PMEs. “Essa recuperação é disseminada entre diversos subsetores da indústria. É um indicativo importante de crescimento da pequena e média indústria. Esse dado é relevante para vermos que esse crescimento não está sendo condicionado por poucas atividades”, afirma.
Beraldi ressaltou ainda que o segmento industrial vem demonstrando resiliência desde o final do ano passado.
Mais instabilidade em serviços e comércio
O otimismo, contudo, é temperado por uma oscilação nos setores de serviços e comércio, que apresentam comportamentos mais instáveis. Embora o setor de serviços tenha crescido 5,4% em abril, impulsionado pelas áreas de saúde e transporte, o início do ano foi classificado como “errático” por Beraldi. No setor de comércio, houve uma alta tímida de 1,1% no mesmo período, prejudicado por uma retração de 1,1% no varejo. No atacado, foi verificada alta de 2,8%.
O economista ponderou que essa volatilidade reflete um cenário de contrastes no consumo. Por um lado, o aumento do rendimento real das famílias e o mercado de trabalho dinâmico favorecem as vendas. Por outro, o alto índice de inadimplência das pessoas físicas e as novas pressões inflacionárias — exacerbadas por incertezas no preço dos combustíveis e conflitos geopolíticos — limitam o poder de compra e geram insegurança.
Beraldi vê com cautela os números globais de crescimento das PMEs, dado o comportamento desigual entre as atividades. “O nível elevado de endividamento com certeza restringe o consumo, algo que, atrelado a essas novas pressões inflacionárias assistidas na economia doméstica, traz um ambiente mais incerto”, aponta.
Na avaliação do economista, o cenário para as PMEs nos próximos meses dependerá do equilíbrio entre a recuperação da confiança do consumidor e a eficácia de medidas de renegociação de dívidas, como o Desenrola Brasil 2.0.
O IODE-PMEs, medição desenvolvida pela Omie, acompanha as atividades econômicas das pequenas e médias empresas brasileiras com faturamento de até R$ 50 milhões anuais.
Para elaborar os índices, a Omie analisa dados agregados e anonimizados de movimentações financeiras de contas a receber de mais de 170 mil clientes, cobrindo 750 CNAEs (de 1.332 subclasses existentes), considerando filtros de representatividade estatística.
Os dados são deflacionados com base nas aberturas do IGP-M (FGV) e usam o índice vigente no último mês de análise para analisar a evolução das movimentações financeiras em termos reais.