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quarta-feira, maio 20, 2026

Crítica | Citadel – 2ª Temporada – Plano Crítico

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  • spoilers. Leiam, aqui, as demais críticas do Spyverse de Citadel.

Depois da primeira temporada de Citadel, a multimilionária série produzida pelos Irmãos Russo que confiantemente já nasceu como uma franquia com direito a universo compartilhado batizado de Spyverse, ganhou dois spin-offs, a concomitante Citadel: Diana, que se passa majoritariamente na Itália, e o prelúdio Citadel: Honey Bunny, que se passa majoritariamente na Índia. Mesmo considerando que tanto Diana quanto Honey Bunny foram canceladas depois de suas respectivas primeiras temporadas, a série principal ganhou um segundo ano três anos depois que, muito provavelmente, já estava previsto no pacote inicial e que, considerando que todos os episódios foram lançados de uma vez no Prime Video e sem nenhuma fanfarra, não ficaria surpreso se fosse o último. No lugar de começar pequeno e crescer aos poucos, caminho natural para a construção de franquias, a arrogante estratégia de anunciar gastos vultuosos e pretensões megalomaníacas é como colocar a carroça na frente dos bois e isso raramente dá certo.

A segunda temporada de Citadel padece exatamente do mesmo grande erro da primeira, ou seja, ela se leva a sério demais, trabalhando clichês do gênero de ação e espionagem como se fossem grandes novidades e entregando não mais do que uma cansada sucessão de reviravoltas que não consegue empolgar em momento algum, nem mesmo com a elevação de Stanley Tucci  ao protagonismo absoluto e o consequente rebaixamento de Richard Madden e Priyanka Chopra Jonas a posições de menor destaque, talvez por terem percebido que Madden e Jonas, apesar de muito fotogênicos, não conseguem entrar em seus personagens, com Tucci, mais veterano, mostrando-se mais à vontade no papel do gênio tecnológico e estrategista Bernard Orlick, que criou a organização espiã Citadel para “fazer bem ao mundo”. Eu até achei que a introdução basicamente do nada dos agentes da CIA renegados Hutch (Jack Reynor) e Celine (Lina El Arabi), que automaticamente criam uma atmosfera mais descontraída, seria um sinal de que a produção mergulharia no que ela é, mesmo que inadvertidamente, uma comédia satírica sobre filmes e séries de espionagem, mas, infelizmente, logo a novidade dos dois personagens em questão é soterrada debaixo da mesmice dos roteiros e da necessidade quase patológica de se inserir uma reviravolta a cada 10 minutos em meio a sequências de ação que sofrem constantemente com montagem equivocada e histérica que atrapalha a fluidez e nubla a compreensão do que diabos está acontecendo.

A premissa parte do final da temporada anterior com Mason/Kyle (Madden) e Nadia (Jonas) foragidos, o primeiro com sua esposa Abby Conroy (Ashleigh Cummings) na Suécia e a segunda com sua filha Asha (Elena Lee) na Alemanha, para revelar que Orlick foi capturado pelo bilionário Paulo Braga (um raro supervilão brasileiro vivido pelo brasileiro Gabriel Leone, que viveu Ayrton Senna na minissérie Senna, de 2024), de uma das famílias que forma a Mantícora, para que ele termine de desenvolver um chip capaz de controlar a mente das pessoas para que um plano para assassinar o presidente russo de forma que a rede de satélites do país possa passar para o controle da organização criminosa possa ser colocado em movimento. Mas, não demora nada e Orlick foge, reunindo-se com os aleatórios ex-agentes da CIA citados acima, além dos dois agentes sobreviventes da CIA e Frank Sharpe (Matt Berry), um sujeito escorregadio cuja presença na série justifica-se única e exclusivamente pela conveniência narrativa. O que segue daí é a corrida contra o tempo atrás do outro único programador capaz de colocar o tal chip em funcionamento para tentar impedir o assassinato, com a questão da identidade de Mason/Kyle que basicamente passa a viver com duas personalidades, mais ou menos firmando-se ali no centro do drama humano que, porém, como já disse, Madden simplesmente não estofo para desenvolver.

De positivo, além do supervilão brasileiro em mais um bom trabalho de Leone que não se faz de rogado na “abrasileiração” de clichês bondianos, há a defenestração dos maneirismos visuais da primeira temporada, com a direção de Joe Russo nos quatro primeiros episódios estabelecendo uma nova linguagem para a série, ainda que ela seja bastante genérica, mas muito mais limpa e arrumada que os exageros do primeiro ano. De resto, só mesmo Leone, Tucci e a presença mais constante de Lesley Manville como a escorregadia Dahlia Archer, mãe de Mason/Kyle, valem parcialmente o preço do ingresso e, mesmo assim, com um certo esforço diante de roteiros fracos, diálogos sofríveis e o uso implacável e constante do Manual dos Clichês sem que os clichês – que muitas vezes são mesmo necessários e não há nada de errado em eles serem empregados – ganhem o revestimento que precisam ganhar para saírem do mero lugar-comum. Infelizmente, Citadel tentou já nascer formado e completo, mas, mesmo depois de quatro temporadas no total, não conseguiu sequer sair da fase embriônica muito em razão de sua insistência em ser o que muito claramente não é. Talvez seja mesmo o caso de aposentar esses projeto de universo compartilhado…

Citadel – 2ª Temporada (EUA, 06 de maio de 2026)
Criação: Josh Appelbaum, Bryan Oh, David Weil
Direção: Joe Russo, David Weil, Greg Yaitanes
Roteiro: David Weil, David J. Rosen, Gursimran Sandhu, Tori Sampson, Kennedy Edmonds
Elenco: Richard Madden, Priyanka Chopra Jonas, Stanley Tucci, Ashleigh Cummings, Lesley Manville, Jack Reynor, Lina El Arabi, Merle Dandridge, Gabriel Leone, Rayna Vallandingham
Duração: 302 min. (sete episódios)



[Fonte Original]

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