A bolsa paulista começou a semana com viés positivo, em meio ao forte recuo dos preços do petróleo no exterior, com a continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã ocupando o centro das atenções.
A liquidez no pregão, porém, foi reduzida, sem a referência das bolsas norte-americanas, fechadas em razão de feriado nos Estados Unidos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,91%, a 177.815,72 pontos, na máxima do dia. Na mínima, marcou 176.210,38 pontos.
O volume financeiro somou R$14,54 bilhões, ante uma média diária de R$33,3 bilhões em maio.
A alta nesta segunda-feira ocorre após o Ibovespa fechar em queda na última sexta-feira e cravara maior sequência de perdas semanais desde 2018, em movimento ditado principalmente pela saída de estrangeiros das ações brasileiras.
A trégua foi endossada particularmente pelo alívio dos preços do petróleo no exterior, com o barril sob o contrato Brent caindo quase 7% no final da tarde, a US$96,30.
Destaques
• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 2,26%, em dia positivo para o setor. BRADESCO PN fechou em alta de 2,55%, BANCO DO BRASIL ON subiu 3,39% e SANTANDER BRASIL UNIT valorizou-se 1,99%. O índice do setor financeiro na bolsa paulista avançou 2,68%, ajudado ainda por B3 ON, que fechou em alta de 3,6%, tendo como pano de fundo o aumento do preço-alvo pelo JPMorgan de R$18 para R$19, com manutenção da recomendação neutra.
• PETROBRAS PN recuou 2,43%, minada pelo declínio do petróleo no exterior. No setor,PRIO ON cedeu 5,98%, mas BRAVA ON avançou 0,76% e PETRORECONCAVO ON subiu 0,32%.
• VALE ON valorizou-se 0,59%,em sessão de oscilação modesta dos futuros dominério de ferrona China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou com variação positiva de 0,06%.
• C&A ON avançou 6,7%, endossada pelo alívio nastaxas dos DIs, o que se refletia em outros papéis de consumo, como índice do setor na B3 subindo 2,57%. ASSAÍ ON disparou 8,06%, mesmo com relatório do JPMorgan cortando o preço-alvo de R$11 para R$10 e reiterando recomendação neutra.
• CYRELA ON fechou em alta de 6,68%, também beneficiada pelo movimento nacurva futura de juros no Brasil. O índice do setor imobiliário avançou 3,67%. Entidades do setor de construção civil também estimaram nesta segunda-feira um aumento nos lançamentos do segundo trimestre ante os três primeiros meses do ano, após represamento criado pela expectativa das mudanças no programa Minha Casa Minha Vida entre final de março e início de abril.
• QUALICORP ON caiu 4,81%, a R$1,78, pior desempenho do Small Caps, após a companhia dar início ao processo de sucessão de sua presidência-executiva. Como parte desse processo, Maurício Lopes, atual presidente-executivo, passará a ocupar o cargo de presidente do conselho de administração a partir de 31 de agosto, sendo sucedido como CEO por Eduardo Oliveira, vice-presidente na companhia.
Dólar
O dólar fechou com uma leve variação negativa ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, em meio ao otimismo de que Irã e Estados Unidos possam chegar a um acordo para encerrar a guerra.
O dólar à vista fechou com queda de 0,19%, aos R$5,0193. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 8,56% ante o real.
Às 17h03, o dólar futuro para junho — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,50% na B3, aos R$5,0245. A liquidez, no entanto, era limitada em função do feriado do Memorial Day nos Estados Unidos, com apenas cerca de 125 mil contratos de dólar para junho negociados até este fim de tarde.
Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar no sábado que os negociadores estão “chegando muito mais perto” de finalizar um acordo, nesta segunda-feira o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que há uma “coisa bastante sólida sobre a mesa em termos de capacidade de abrir o estreito (de Ormuz)”.
Durante a tarde, o jornal Nikkei informou que EUA e Irã estão discutindo um plano para abrir o Estreito de Ormuz cerca de 30 dias depois que os dois países chegarem a um acordo para encerrar as hostilidades. Neste período, o Irã removeria as minas colocadas no estreito.
O otimismo de que possa haver um acordo levou o petróleo Brent a ser cotado abaixo de US$100 o barril durante toda a sessão, enquanto o dólar cedeu ante quase todas as demais divisas, incluindo o real, o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano. O índice do dólar também cedia ante uma cesta de divisas fortes.
“Estamos alinhados com o exterior, com o DXY (índice do dólar) ajustando. Há aí como pano de fundo um alívio no cenário geopolítico”, comentou o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo.
Assim, o dólar se manteve no território negativo durante toda a sessão. Após atingir a cotação mínima intradia de R$4,9939 (-0,70%) às 9h46, a moeda à vista marcou a máxima de R$5,0209 (-0,16%) às 16h36, para depois fechar pouco abaixo deste valor.
No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 40.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.
Às 17h13, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,05%, a 98,975.