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segunda-feira, junho 1, 2026

A mais nova startup da direita disponível na prateleira partidária

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Jair Bolsonaro tentou e não conseguiu criar seu próprio partido. Semelhante ao que as tendências de esquerda (Convergência etc.) fizeram no PT, teve de fazer um “entrismo” no PL e conviver sob o teto de Valdemar Costa Neto. A turma do MBL chegou lá em novembro passado e pôs na praça o Missão, a mais nova startup da direita disponível na prateleira partidária.

— Somos mais capazes que ele — diz sobre Bolsonaro Renan Santos, presidente do Missão e candidato à Presidência. — Ele é um homem fraco e um traidor. É um mérito que respeitamos.

O leitor certamente já ouviu falar de Romeu Zema e de Ronaldo Caiado, personagens da política regional. Mas dificilmente ouviu algo sobre Renan Santos. Exceto que as pesquisas eleitorais o colocam em empate técnico com os dois ex-governadores. Na Atlas/Bloomberg, a pontuação do novato Missão tem humilhado máquinas poderosas do PSD de Kassab e do volúvel Novo.

— O Novo é o PCdoB do PL — alfineta Renan.

E não sem razão: o candidato do partido, Romeu Zema, recebe puxões de orelha em público sempre que critica Flávio Bolsonaro.

O nascimento do Missão se dá à luz do escândalo do Banco Master. Ocupa o espaço dinamitado na direita. Com suas mesadas e rodadas de uísque, o caso Master exalou a necrose do universo político. Os bolsonaristas, desde sempre, estiveram na vizinhança de casos de corrupção: das rachadinhas à compra de imóveis com dinheiro vivo e funcionários-fantasmas — um prontuário parrudo.

Mesmo com tantos esqueletos, o eleitorado parece tapar o nariz para as malfeitorias. Como disse Zema: “Gambá cheira gambá”. Os índices de Flávio escondem um escândalo moral: para perdoar crimes, se dizem antipetistas. Reconheço: uma parte é ideológica; outra veste a carapuça do personagem Macunaíma, aquele sem nenhum caráter de que falava Mário de Andrade.

O acordão da direita em torno das corrupções mostra o estrago feito pela família Bolsonaro. É nesse espaço que caminha a candidatura de Renan Santos. Além de marcar em torno de 3% a 4% nos diversos institutos, traz embutido outro número que atesta o colapso dos partidos de direita: pontua cerca de 24% entre eleitores de 16 a 24 anos e 11% entre 25 e 35 anos.

— O PSOL é um partido; o PT corrupto é outro partido — tem dito Renan para marcar a diferença. — O restante são legendas. Essa direita é um bando de puxa-sacos do Bolsonaro.

Ator novo na disputa partidária, o discurso do Missão repete o mantra de ser antissistema. Os alvos são o PT no governo e toda a direita abraçada ao bolsonarismo. Na oposição, ironiza que a única plataforma dos candidatos seja o perdão a Bolsonaro. Daí a análise de que as agremiações políticas atuais só encantem os mais velhos. O Missão é um grito geracional dos jovens, segundo o candidato.

Isso é interessante. O partido é um spin-off partidário do MBL, movimento que ajudou a engrossar as manifestações de rua que, a partir de 2013, levaram ao impeachment de Dilma Rousseff. Nasceu nas redes sociais conectado a uma juventude desconectada da política institucional. Em momentos diversos, esteve próximo a João Doria e a Bolsonaro.

O partido sustenta-se no universo digital, nos cursos de formação, numa revista e na plataforma inserida em seu “Livro amarelo”. Não difere em atuação de agremiações da nova direita europeia, como o Vox espanhol. Não joga para o momento, mas para o futuro. Embora a direita radical tenha ojeriza a Antonio Gramsci, o Missão surge ancorado em seus conceitos: disputar a hegemonia cultural. Guerrear contra o que parece natural — viver com medo do crime organizado, nos dias de hoje.

Não por acaso, a principal plataforma do Missão é a proposta radical de guerra ao crime. Defende o uso do Direito Penal do Inimigo. Aquele que desrespeita reiteradamente as leis é inimigo declarado. Desde que seja considerado inimigo, deixa de estar na mesma cobertura legal, já que abandonou o pacto social. Deve, assim, ter julgamento imediato, diferente do que reza o Código Penal. O novo arcabouço não visa à ressocialização, mas à punição. A periculosidade do criminoso determina a rapidez de sua retirada da sociedade. Vem daí a defesa do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, criticado por suas constantes violações de direitos humanos.

À direita no espectro, o Missão sabe escandalizar em busca de engajamento. Coloca-se contra a ideia de criminalização da misoginia no ambiente digital. Em defesa das mulheres, prefere aumentar a pena do pai que não paga pensão e se ausenta da educação do filho. Desamparado é mão de obra para o crime.

O Missão critica o sistema, mas nasceu dentro dele. No início, o PT também se disse puro. Até o mensalão.

[Fonte Original]

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