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segunda-feira, junho 1, 2026

Fenômeno astronômico misterioso na Via Láctea ganha nova explicação 

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Um estudo publicado nesta segunda-feira (1) na revista Nature Astronomy traz uma possível explicação para um dos fenômenos mais intrigantes descobertos recentemente na Via Láctea. A pesquisa identificou a origem de um misterioso sinal de rádio que desafia os modelos tradicionais da astronomia e pode ajudar a compreender uma nova categoria de objetos cósmicos observados nos últimos anos.

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Em resumo:

  • Estudo relaciona sinais misteriosos na Via Láctea a sistemas estelares magnéticos;
  • Transientes de rádio lentos desafiam modelos astronômicos tradicionais;
  • Objeto ASKAP J1745-5051 emite rádio e raios X;
  • Anã branca captura matéria da estrela companheira periodicamente;
  • Descoberta ajuda a explicar nova classe de fenômenos cósmicos.

O mistério começou há poucos anos, quando radiotelescópios detectaram um sinal incomum vindo do plano da nossa galáxia. Diferentemente dos pulsos emitidos por objetos já conhecidos, como pulsares, essa fonte apresentava um comportamento muito mais lento, algo nunca registrado pelos cientistas.

Esses sinais passaram a ser classificados como transientes de rádio de longo período (LPT). Até agora, cerca de uma dúzia deles foi identificada em diferentes regiões da Via Láctea. Como apresentam características incomuns, eles despertaram grande interesse entre os pesquisadores.

Imagem conceitual artística de uma variável cataclísmica magnética binária – Crédito: Carl Knox/OzGrav/Swinburne e Dr. Joshua Preson Pritchard/CSIRO

Segundo a equipe liderada pelo astrônomo Kovi Rose, da Universidade de Sydney, na Austrália, um dos enigmas pode finalmente ter sido solucionado. Os pesquisadores conseguiram rastrear um desses sinais até um sistema estelar específico, revelando a origem de pelo menos parte desse fenômeno.

A fonte identificada é uma chamada variável cataclísmica magnética. Trata-se de um sistema formado por uma anã branca altamente magnetizada e uma estrela companheira. A anã branca atrai continuamente matéria da outra estrela, processo que gera intensas emissões de energia.

Descobertas sugerem diferentes hipóteses

Em um comunicado, Rose destaca que os LPTs intrigam os astrônomos desde sua descoberta. Embora diversos sinais tenham sido registrados, suas origens permaneciam incertas. A nova identificação representa um passo importante para entender como esses eventos são produzidos.


O interesse por esses objetos aumentou em 2022, com a descrição de um dos casos mais famosos da categoria. O objeto, denominado GLEAM-X J162759.5−523504.3, emitia intensos pulsos de rádio a cada 18,18 minutos. Durante cerca de um minuto, ele se tornava uma das fontes mais brilhantes observadas em determinadas frequências de rádio.

Após esse episódio, outros objetos semelhantes começaram a ser encontrados, indicando que o fenômeno não era um caso isolado, mas sim parte de uma população ainda pouco compreendida de fontes cósmicas.

Com novas descobertas surgiram diferentes hipóteses. Algumas pesquisas apontavam para anãs brancas altamente magnetizadas. Outras sugeriam que os sinais poderiam estar relacionados a sistemas binários, nos quais duas estrelas orbitam muito próximas uma da outra.

Dinâmica orbital de um sistema binário
Dinâmica orbital de um sistema binário. No topo, observações de raios X (pontos roxos) e a curva de velocidade prevista. No meio, medições de velocidade radial (cinza) e tempos de pulso de rádio (cores) indicando o movimento. Abaixo, ilustrações das fases orbitais: P1/P3 representam o afastamento máximo das estrelas (picos de velocidade), enquanto P2/P4 mostram as conjunções, onde o alinhamento das estrelas resulta em velocidade radial zero. – Crédito: P. S. Ray, et al

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Um avanço importante ocorreu em 2025, quando outro LPT foi associado a um sistema formado por uma anã branca e uma anã vermelha. Nesse caso, os campos magnéticos das duas estrelas interagiam de forma intensa, produzindo rajadas periódicas de ondas de rádio.

Posteriormente, os cientistas identificaram um LPT chamado ASKAP J1832-0911 que também emitia raios X. Essa descoberta mostrou que alguns desses objetos envolvem processos energéticos mais complexos do que se imaginava inicialmente.

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Agora, a atenção se volta para o objeto ASKAP J1745-5051. Segundo os pesquisadores, ele reúne várias características observadas separadamente em outros LPTs. Entre elas estão a emissão simultânea de ondas de rádio e raios X, a presença de uma anã branca, uma estrela companheira e um intenso ambiente magnético.

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A descoberta foi realizada com o Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP), radiotelescópio localizado na Austrália Ocidental. Embora a distância exata do sistema ainda seja incerta, as estimativas indicam que ele esteja entre 1.300 e 30 mil anos-luz da Terra.

O radiotelescópio Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP), localizado no Observatório de Radioastronomia Murchison da Organização de Investigação Científica e Industrial da Comunidade das Nações (CSIRO), na Austrália Ocidental – Crédito: © CSIRO

As observações revelaram que o sistema produz emissões de rádio a cada 81 minutos. No mesmo intervalo também são detectados pulsos periódicos de raios X. Essa coincidência chamou a atenção dos pesquisadores e ajudou a conectar diferentes peças do quebra-cabeça.

Dados obtidos por telescópios ópticos mostraram que as duas estrelas completam uma órbita em aproximadamente 81 minutos, praticamente o mesmo período observado nas emissões de rádio e raios X. Essa correspondência fortaleceu a interpretação dos cientistas sobre a natureza do sistema.

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Os resultados indicam que a anã branca retira material da estrela companheira durante cada órbita. Guiada pelo forte campo magnético, essa matéria é direcionada para a superfície da anã branca, onde atinge temperaturas de milhões de graus e produz os sinais de raios X.

Ao mesmo tempo, a interação entre os campos magnéticos das duas estrelas acelera partículas e gera as emissões de rádio observadas pelos instrumentos. Esse mecanismo é semelhante ao proposto anteriormente para outros LPTs.

Para os pesquisadores, o ASKAP J1745-5051 pode representar uma peça fundamental para compreender essa nova classe de fenômenos cósmicos. A descoberta sugere que muitos dos sinais misteriosos detectados nos últimos anos podem ter origens semelhantes, permitindo que os astrônomos avancem na compreensão desses estranhos e fascinantes eventos do Universo.


[Fonte Original]

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