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sexta-feira, junho 26, 2026

Ecopetrol: por que petroleira estatal colombiana cai 10% após eleição de pró-mercado?

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Sobe no boato, cai no fato?

As ações da petroleira estatal colombiana Ecopetrol registram uma semana bem negativa na bolsa do país, com queda que chega a 9,5%, passando de 2.725 pesos colombianos para 2.465 pesos colombianos. Isso em um período que deveria ser positivo para as ações após a eleição do candidato de direita Abelardo de la Espriella, o que levaria normalmente a um movimento de alta das ações por conta da visão de menor intervencionismo para a companhia.

Mas o que explica o movimento? Para o Bank of America, além da queda do petróleo no período, o valuation da companhia já incorpora boa parte do cenário mais positivo esperado com a mudança política.

Segundo relatório divulgado nesta semana, o banco manteve recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para a estatal colombiana, ao avaliar que os papéis já precificam eventuais avanços regulatórios no curto prazo.

Além disso, o resultado das eleições foi mais apertado do que o esperado, com diferença de aproximadamente 250 mil votos, aumentando as preocupações do mercado com governabilidade em um ambiente político polarizado — fator que contribuiu para a piora no desempenho dos ativos locais, uma vez que a bolsa local também teve forte queda no período.

Na mesma linha, os analistas do Bradesco BBI também apontaram que a vitória apertada do candidato de direita não seria suficiente para destravar uma valorização consistente das ações.

“A vitória indica um alinhamento mais pró-mercado, mas o mandato negociado aumenta a dependência de coalizões políticas e limita a velocidade de reformas”, avaliou o relatório do BBI. Nesse contexto, temas como segurança pública, disciplina fiscal e capacidade de articulação no Congresso seriam determinantes para sustentar a confiança dos investidores.

Valuation já incorpora cenário mais favorável

Apesar da correção recente, o BofA aponta que a Ecopetrol já passou por uma forte reprecificação nos últimos 12 meses, com alta de cerca de 70% das ações, impulsionada justamente pela expectativa de mudança no ambiente político e regulatório.

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Atualmente, a companhia negocia em torno de 4,5 vezes o EV/Ebitda (valor da empresa/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), múltiplo este que já embute uma melhora relevante nas expectativas e que um novo ciclo de valorização dependeria de avanços mais concretos no desempenho operacional.

Desafios no radar

Na visão do BofA, embora o novo governo possa promover um ambiente mais favorável ao setor de óleo e gás — com sinalizações de retomada de contratos de exploração e flexibilização de regras —, os principais desafios da Ecopetrol permanecem no nível microeconômico.

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Entre os pontos de atenção estão a necessidade de crescimento mais robusto da produção, reposição de reservas e maior clareza na alocação de capital.

O banco destaca que projetos relevantes da empresa têm maturação longa, o que limita a visibilidade de expansão no curto prazo. Além disso, há dúvidas sobre a estratégia futura, incluindo o papel da transição energética e a política de preços no segmento de refino.

Comparação com pares reduz atratividade

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Outro fator que pesa na recomendação negativa é a comparação com outras companhias da América Latina. Segundo o relatório do BofA, a Ecopetrol negocia com prêmio em relação a pares que apresentam melhores perspectivas de crescimento e geração de caixa.

A estimativa do banco aponta que a empresa deve apresentar free cash flow yield (retorno de fluxo de caixa livre) de cerca de 9% em 2027, patamar inferior ao de concorrentes regionais.

Além disso, o crescimento projetado da produção até 2030 é limitado quando comparado a outras petroleiras do continente, o que reforça a avaliação de menor atratividade relativa.

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Em relatório recente, o Goldman Sachs também não apontou visão tão positiva para a ação, tendo recomendação neutra e com preferência por Petrobras (PETR4) entre as petroleiras estatais da América Latina. Olhando para os resultados do segundo trimestre a serem divulgados pela companhia, o banco aponta que a expectativa é de números sólidos, mas o foco dos investidores deve se concentrar mais em mudanças estratégicas após a troca de governo na Colômbia, incluindo possíveis ajustes no plano de negócios e na governança.

Maior protagonismo?

Do ponto de vista macro, o BofA acredita que o setor de óleo e gás tende a ganhar protagonismo na nova administração colombiana, diante da necessidade de impulsionar a atividade econômica e equilibrar as contas públicas.

O novo governo sinalizou intenção de retomar projetos de exploração, incluindo fracking, e acelerar contratos no setor, em linha com uma agenda de liberalização e aumento da produção nacional.

Essa estratégia estaria ligada também ao desafio fiscal do país, que enfrenta déficit elevado e precisa ampliar receitas.

Apesar do potencial suporte regulatório, o cenário para a Colômbia ainda apresenta riscos relevantes. O relatório destaca pressões fiscais significativas e desafios no setor energético, como a dependência de importações de gás.

O país atualmente importa entre 25% e 30% de sua demanda de gás, o que pode se intensificar em períodos de condições climáticas adversas, como eventos de El Niño, elevando custos e pressionando as contas públicas.

Por outro lado, o BofA também chama atenção para questões estruturais que seguem limitando a atratividade da Ecopetrol, como a forte influência do governo — que detém cerca de 88% da companhia — nas decisões estratégicas, incluindo política de preços e investimentos.

Além disso, a empresa enfrenta dificuldades na reposição de reservas e custos de extração mais elevados em comparação a outras empresas do setor.

[Fonte Original]

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