O receio dos brasileiros de terem suas profissões substituídas pela inteligência artificial (IA) diminuiu no último ano, segundo pesquisa Datafolha realizada em junho. Entre as pessoas que afirmam conhecer a tecnologia, 48% dizem ter muito ou um pouco de medo de serem substituídas pela IA, contra 56% registrados há um ano. No mesmo período, a parcela dos que afirmam não ter nenhum medo passou de 41% para 49%.
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O levantamento também mostra que o uso da inteligência artificial no ambiente profissional aumentou. Entre os entrevistados que conhecem a tecnologia, o percentual dos que utilizam IA no trabalho subiu de 17% para 24% em um ano. Outros usos citados foram pesquisas na internet (25%), estudos (17%) e criação de imagens e vídeos (4%).
A pesquisa foi realizada pelo Datafolha nos dias 17 e 18 de junho de 2026. Foram entrevistadas presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, distribuídas por 139 municípios de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Segundo a pesquisa, a percepção dos brasileiros contrasta com a avaliação de parte dos empresários do setor de tecnologia. Um dos exemplos citados é o CEO da Anthropic, Dario Amodei, que defende políticas para estimular contratações diante do risco de desemprego provocado pela inteligência artificial. O texto afirma que Amodei é conhecido no Vale do Silício por adotar uma visão considerada alarmista sobre os impactos do avanço tecnológico.
O cenário também se aproxima da análise do economista Daron Acemoglu, vencedor do Prêmio Nobel de Economia. Segundo essa avaliação, a inteligência artificial pode substituir trabalhadores em determinadas tarefas, mas também aumentar a produtividade e reduzir custos. Esse ganho de eficiência pode estimular o consumo de outros bens e serviços, criando novas atividades e empregos, embora ainda não esteja claro em que medida esses efeitos irão se equilibrar.
Quase 30 milhões de trabalhadores estão expostos à IA
Um estudo do FGV Ibre, baseado na metodologia da Organização Internacional do Trabalho (OIT), estima que quase 30 milhões de trabalhadores brasileiros exerciam ocupações com algum grau de exposição à inteligência artificial generativa no terceiro trimestre do ano anterior. O grupo representa 29,6% da população ocupada.
Entre eles, cerca de 5,2 milhões estavam nas ocupações com maior nível de exposição, concentradas principalmente entre trabalhadores mais jovens, pessoas com maior escolaridade, profissionais do Sudeste e empregados do setor de serviços, especialmente nas áreas de informação, comunicação e serviços financeiros.
O texto também cita um estudo do economista Tomás Aguirre e da Governance AI, grupo acadêmico que pesquisa os impactos políticos da tecnologia. Segundo o levantamento, muitas das profissões mais expostas à inteligência artificial também apresentam maior capacidade de adaptação, por reunirem profissionais mais especializados, mais jovens e com melhores condições financeiras para enfrentar períodos de transição.
A pesquisa diferencia ainda dois efeitos da tecnologia: a substituição de trabalhadores e a complementaridade entre a IA e o trabalho humano.
Maioria rejeita decisões tomadas por IA
O Datafolha também mediu a opinião dos brasileiros sobre o uso da inteligência artificial em decisões automatizadas. A maioria dos entrevistados rejeita a utilização da tecnologia para contratar ou demitir trabalhadores: 79% consideram esse uso inadequado.
Outros 68% desaprovam o emprego da IA para decidir tratamentos médicos, enquanto 67% são contrários à utilização da tecnologia em decisões sobre concessão de crédito, prática já adotada em parte do sistema financeiro.
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