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segunda-feira, junho 29, 2026

Presidente da Fifa percorre mais de 50 mil km em jato particular; emissões equivalem às de 78 pessoas em um ano

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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, percorreu mais de 50 mil quilômetros em um jato particular durante a fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, segundo levantamento divulgado pela BBC. A investigação aponta que o dirigente assistiu a 24 partidas em apenas 16 dias, viajando entre cidades dos Estados Unidos, Canadá e México, países que sediam o torneio.

De acordo com a emissora britânica, a aeronave associada à Fifa realizou 27 voos entre o início da competição e 27 de junho, totalizando pelo menos 50.122 quilômetros percorridos e mais de 66 horas no ar.

A distância é equivalente a mais de uma volta completa ao redor da Terra e contrasta com o discurso adotado pela própria Fifa em sua estratégia de sustentabilidade para a Copa de 2026. No documento oficial, a entidade afirma estar comprometida com ações relacionadas ao clima, aos direitos humanos e à redução dos impactos ambientais do torneio.

A BBC cruzou dados de rastreamento de voos com registros fotográficos de Infantino em estádios e concluiu que o dirigente utilizou um jato executivo para acompanhar a maratona de partidas.

O deslocamento mais longo ocorreu em 13 de junho, quando a aeronave voou cerca de 4.500 quilômetros entre Vancouver e Miami após o presidente assistir ao jogo entre Austrália e Turquia. Em outro dia, Infantino cruzou os Estados Unidos de Miami até Seattle e, horas depois, seguiu para Los Angeles para acompanhar uma segunda partida.

Segundo os cálculos da reportagem, o avião produziu aproximadamente 516 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) durante a fase de grupos. A estimativa considera o consumo médio de combustível de um Gulfstream G650ER, modelo que, segundo a investigação, foi utilizado pelo dirigente.

O volume de emissões corresponde ao que cerca de 78 pessoas produzem, em média, durante um ano inteiro, de acordo com dados da União Europeia utilizados pela BBC.

A Fifa não confirmou oficialmente qual aeronave foi utilizada nem respondeu aos questionamentos sobre quantas pessoas viajavam a bordo em cada deslocamento ou se houve compensação das emissões de carbono.

Em nota enviada à emissora, a entidade afirmou apenas que Infantino “viaja regularmente, acompanhado dos funcionários necessários, em compromissos ligados aos negócios da Fifa e às competições” e que as viagens são realizadas em voos comerciais ou fretados, dependendo do que considera mais eficiente e econômico. A utilização do jato particular, porém, foi alvo de críticas de especialistas ouvidos pela BBC.

Freddie Daley, pesquisador da Universidade de Sussex e integrante da organização Cool Down, afirmou que o episódio é “sintomático das falhas da Fifa em relação ao meio ambiente e à sustentabilidade”.

Já Denise Auclair, especialista da Federação Europeia para os Transportes e o Meio Ambiente, ressaltou que os jatos particulares possuem impacto climático muito superior ao de outros meios de transporte.

— Eles são entre cinco e 14 vezes mais poluentes do que voos comerciais e até 50 vezes mais do que viagens de trem — afirmou.

[Fonte Original]

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